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Terça-feira, 14 de abril de 2026

Opinião

Lições da Austrália para o futuro do agro e da ciência em Mato Grosso

A busca por maior eficiência no uso de fertilizantes tornou-se uma das agendas estratégicas do agronegócio mundial. Em um cenário de crescente demanda por alimentos, instabilidade geopolítica e necessidade de uso mais inteligente dos recursos naturais, torna-se cada vez mais evidente que ciência, indústria e políticas públicas precisam caminhar juntas.

Foi com esse propósito que realizamos, nesta semana, visitas técnicas à University of Adelaide, na Austrália, que abriga o maior polo de pesquisa agrícola do hemisfério sul.  A agenda integra uma missão internacional vinculada ao projeto de cooperação entre a Universidade Federal de Mato Grosso, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso (SEDEC-MT) e a Fundação Uniselva, voltada à estruturação de uma unidade do Centro de Excelência em Fertilizantes e Nutrição de Plantas (CEFENP) em Mato Grosso.

Mais do que laboratórios ou equipamentos de ponta, chama atenção o modelo de cooperação que sustenta esse ecossistema científico. Universidades, empresas, governos e associações de produtores atuam de forma articulada, direcionando investimentos e pesquisas para desafios concretos do setor agroindustrial.

Esse arranjo institucional oferece lições importantes para o Brasil e especialmente para Mato Grosso. Maior produtor de grãos do país e um dos principais polos agrícolas do planeta, o estado possui enorme potencial para consolidar um ambiente ainda mais robusto de inovação científica voltada à realidade do sistema agroindustrial tropical.

Nesse contexto, a criação de ambientes de cooperação entre universidade, governo e setor produtivo, como centros de excelência, hubs de inovação e redes internacionais de pesquisa, torna-se estratégica para fortalecer a autonomia tecnológica e ampliar a competitividade do agro mato-grossense.

A missão internacional também evidencia um fator cada vez mais central para o desenvolvimento regional: a internacionalização do conhecimento. Grandes polos agrícolas do mundo se conectam por meio de redes de pesquisa, cooperação científica e intercâmbio tecnológico.

Mais do que visitas institucionais, trata-se de um movimento de diplomacia científica e tecnológica para aproximar Mato Grosso das principais fronteiras do conhecimento no agronegócio.

Em um mundo cada vez mais interconectado, regiões que desejam liderar a produção agrícola também precisam liderar a construção do conhecimento científico aplicado ao desenvolvimento socioeconômico.

E isso começa com algo simples, mas poderoso: abrir caminhos entre Mato Grosso e o mundo.

Por Prof. Dr. Lucas Oliveira de Sousa, PhD em Ciências Agrícolas (Universität Hohenheim, Alemanha), professor e pesquisador da Faculdade de Agronomia e Zootecnia da UFMT, consultor e palestrante.

 
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