A busca por maior eficiência no uso de fertilizantes tornou-se uma das agendas estratégicas do agronegócio mundial. Em um cenário de crescente demanda por alimentos, instabilidade geopolítica e necessidade de uso mais inteligente dos recursos naturais, torna-se cada vez mais evidente que ciência, indústria e políticas públicas precisam caminhar juntas.
Foi com esse propósito que realizamos, nesta semana, visitas técnicas à University of Adelaide, na Austrália, que abriga o maior polo de pesquisa agrícola do hemisfério sul. A agenda integra uma missão internacional vinculada ao projeto de cooperação entre a Universidade Federal de Mato Grosso, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso (SEDEC-MT) e a Fundação Uniselva, voltada à estruturação de uma unidade do Centro de Excelência em Fertilizantes e Nutrição de Plantas (CEFENP) em Mato Grosso.
Mais do que laboratórios ou equipamentos de ponta, chama atenção o modelo de cooperação que sustenta esse ecossistema científico. Universidades, empresas, governos e associações de produtores atuam de forma articulada, direcionando investimentos e pesquisas para desafios concretos do setor agroindustrial.
Esse arranjo institucional oferece lições importantes para o Brasil e especialmente para Mato Grosso. Maior produtor de grãos do país e um dos principais polos agrícolas do planeta, o estado possui enorme potencial para consolidar um ambiente ainda mais robusto de inovação científica voltada à realidade do sistema agroindustrial tropical.
Nesse contexto, a criação de ambientes de cooperação entre universidade, governo e setor produtivo, como centros de excelência, hubs de inovação e redes internacionais de pesquisa, torna-se estratégica para fortalecer a autonomia tecnológica e ampliar a competitividade do agro mato-grossense.
A missão internacional também evidencia um fator cada vez mais central para o desenvolvimento regional: a internacionalização do conhecimento. Grandes polos agrícolas do mundo se conectam por meio de redes de pesquisa, cooperação científica e intercâmbio tecnológico.
Mais do que visitas institucionais, trata-se de um movimento de diplomacia científica e tecnológica para aproximar Mato Grosso das principais fronteiras do conhecimento no agronegócio.
Em um mundo cada vez mais interconectado, regiões que desejam liderar a produção agrícola também precisam liderar a construção do conhecimento científico aplicado ao desenvolvimento socioeconômico.
E isso começa com algo simples, mas poderoso: abrir caminhos entre Mato Grosso e o mundo.
Por Prof. Dr. Lucas Oliveira de Sousa, PhD em Ciências Agrícolas (Universität Hohenheim, Alemanha), professor e pesquisador da Faculdade de Agronomia e Zootecnia da UFMT, consultor e palestrante.