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Reduto do rock na capital e reconhecido internacionalmente, Cavernas Bar completa 15 anos

Da Redação - Thaís Fávaro

01 Jun 2019 - 14:18

Foto: Rogério Florentino/ Olhar Direto

Reduto do rock na capital e reconhecido internacionalmente, Cavernas Bar completa 15 anos
Reduto do rock na capital, o Cavernas Bar completa 15 anos de história e tradição no cenário underground no estado. O local, que já serviu de vitrine para bandas de todo o país se lançarem no mercado musical, também já recebeu nomes consagrados do metal mundial como é o caso da banda Master - originária de Chicago e pioneira no Death Metal - além de bandas da Dinamarca, Bolívia, México e Paraguai, entre outros.

Comandado pelo músico Valdivino Vilas Boas, mais conhecido como “Cachorrão”, o local é cheio de pôsteres no teto, paredes pintadas de roxo e preto, e serve de ponto de encontro para os amantes do bom e velho Rock and Roll. “A casa lotou já no dia da inauguração e o movimento só foi crescendo. De 15 anos pra cá o bicho torou”, diz.

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Não há nenhum fã de rock na capital, que tenha nascido nas décadas de 80 e 90, que não conheça ou tenha ouvido falar do Cavernas Bar. O local, inaugurado no dia 29 de maio de 2004, reúne um público alternativo, cerveja gelada, hambúrgueres, petiscos, e -  claro - muita música. Vocalista de uma banda de hardcore, Cachorrão conta que sempre viu a necessidade e a dificuldade que os fãs de rock tinham em achar um local que tocasse esse estilo de música em Cuiabá.

“Eu sempre tive vontade de montar um bar, porque via a dificuldade que era pra você ir a um lugar e pedir para o dono do bar tocar uma música que você curte. Às vezes a gente juntava de cinco a seis caras pra ir, chegávamos mais cedo e pedíamos várias músicas. Pra conseguir ouvir rock era assim. Mas eu sempre dizia para eles que um dia iria montar um bar pra ouvir Rock and Roll”, lembra.
 


Cachorrão montou o primeiro bar em Barra do Garças (MT) em 2001. O local se chamava Caverna do Rock. O bar lotava todas as noites, contava com a apresentação de bandas locais, do interior do Estado e até de Brasília. Em 2004, pensando em expandir os negócios, o músico veio para Cuiabá em busca de um lugar para abrir um segundo bar, e firmou parceria com um conhecido para cuidar do bar em Barra do Garças enquanto estivesse na capital. “Foi tudo muito rápido, decidi e já vim. Conheci essa pessoa lá e todo mundo falava bem dele, que era responsável e competente, então eu deixei o bar no comando dele e vim para Cuiabá. O combinado era ele me mandar o dinheiro das mercadorias que eu já tinha comprado para eu me manter aqui até conseguir abrir o novo bar”, conta.


 
Mas a sociedade não deu certo e Cachorrão acabou perdendo o bar em Barra do Garças. “Fiquei 22 dias aqui em Cuiabá e nada dele me mandar o dinheiro, eu não estava conseguindo achar um lugar legal aqui e já estava sem grana, então decidi voltar. Quando cheguei lá o bar estava falido. Ele havia vendido tudo, não me passou o dinheiro e ainda comprou mais bebida fiado no meu nome, foi um prejuizão”, afirma.


 
Como forma de “amenizar” o prejuízo, o sócio deu uma moto para o músico conseguir ter algum recurso financeiro para abrir um novo bar. “Já tinha perdido o bar de lá e estava sem grana, mas já tinha falado pra todo mundo que iria abrir aqui em Cuiabá, então peitei e resolvi abrir assim mesmo”.

Na época, em 2004, não havia um lugar nesse estilo em Cuiabá. Os fãs do rock se reuniam nos eventos realizados na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e em festivais de música, mas nenhum bar funcionava especificamente nesse estilo.



“Antes do Cavernas a galera que curtia rock tinha que ir pra UFMT escutar um som massa lá. Eram muito unidos. Não tinha redes sociais como tem hoje, na época era só o MSN, mas quando pintava um show aqui em Cuiabá geral ia contando um para o outro e todo mundo aparecia lá. Com o Cavernas foi assim. Eu fiz uma panfletagem uns dias antes, coisa pequena, que estava ao meu alcance mesmo. Um foi falando para o outro o no dia da inauguração a casa lotou”, afirma.

Cachorrão conseguiu alugar um espaço no bairro Lixeira, em Cuiabá. Lá foi a primeira sede do Cavernas, mas o local não deu certo, e o bar durou apenas seis meses. “Tinha casa dos dois lados e nos fundos, era complicado por causa do barulho, vizinhança reclamava e com razão. Além de ser pequeno e da região ser perigosa, então tomei a decisão de vim para o centro, até mesmo pra facilitar pra galera ir”, lembra.



Em busca de um novo local para montar o negócio, um irmão dele, que trabalhava perto da Avenida Barão de Melgaço, avisou que o imóvel onde funcionava o Restaurante Serra na época, estava disponível para locação. “A gente já tinha rodado a cidade inteira e não achávamos um lugar legal pra abrir. Quando achamos esse ficamos animados, mas o local estava inabitável, o forro e o telhado estavam caindo, as paredes sem rebocos. Foram oito contêineres para limpar o que estava aqui dentro. A gente teve que quebrar o contrapiso dos fundos porque estava cheio de buraco, a reforma foi pesada pra poder comportar a galera aqui”, diz.

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Como os clientes já conheciam o antigo Cavernas e agora com a facilidade de ter mudado para o centro da cidade, Cachorrão marcou a inauguração da casa e teve lotação máxima já no primeiro dia. “No primeiro dia deu o público de 233 pagantes, eu tinha vendido o ingresso à R$ 3, foi uma loucura, a galera fechou a avenida. Eu não tinha contratado funcionário, estava sozinho. Peguei uma caixa de papelão e joguei tudo ali, dinheiro e ficha de cerveja. Vendia e entregava, tudo sozinho. Não demorou muito a polícia bateu aqui querendo saber o que estava acontecendo e botou todo mundo na parede lá fora”, lembra.



Dog (como também é chamado), conta que a chegada da polícia foi um alívio. “Eu expliquei que era a inauguração do bar e que por causa da correria eu ainda não tinha chamado eles, mas que precisaria da ajuda deles a partir daquele dia. Pedi uma força para ajudar na segurança da região, ficar passando aqui de vez em quando para evitar assalto. Falei para eles que a partir daquele momento eu precisava da ajuda deles porque eu iria movimentar o Centro”, diz. Nesses 15 anos de existência do bar, Cachorrão conta que até hoje a polícia passa no local, às vezes entram para comprimentá-lo, ficou seguro.               
 
Mesmo sendo um bar pequeno, em uma cidade que não tem tanto público como é o caso de São Paulo e Brasília, o local conseguiu, em pouco mais de uma década, se tornar ponto de encontro para bandas que fazem parte do circuito underground internacional. Bandas do Peru, Chile, México, Paraguai, Dinamarca e de Chicago também marcaram presença na capital ao tocarem no Cavernas. Cachorrão lembra que o bar também já foi vitrine para bancas mato-grossenses se lançarem, como é o caso das meninas da banda Esmaltes.


 
Cachorrão vê com tristeza o fato de tantos bares antigos terem fechados e outros estarem passando dificuldade. “Se fosse pensar em grana eu não estaria aqui há muito tempo. Eu quase passei fome no começo porque tudo que entrava eu precisava pagar as coisas aqui, é quase um filho porque o tempo todo você tem que estar cuidando, mas eu não desisti. Se não fosse o Uber eu já teria fechado, mais da metade dos bares já teriam fechado. A cidade ficou complicada à noite, muita blitz, muito perigoso. Se você bebe uma já corre o risco de bater o carro, de cair em uma blitz”, diz.

“O cavernas pra mim é mais ideológico que comercial, a galera que mexe com rock sabe disso, dinheiro não da mesmo, se você for pensar em grana você não fica muito tempo. Tem cara que abre bar pra enriquecer, mas com rock não rola isso. Vou tocar o Cavernas até o último dia que eu aguentar, espero que seja daqui a muito tempo”, diz.
 
Atualmente Cachorrão conta com a ajuda de dois funcionários e freelancers aos finais de semana. Ele está em busca de uma pessoa que saiba fazer drinks e algumas bebidas mais elaboradas, porque o público tem pedido. O local serve, além de cerveja e destilados, espetos, hambúrguer e petiscos.

O Cavernas está localizado na rua Barão de Melgaço, bairro Centro, Cuiabá. Funciona todos os dias das 18h às 5h.

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