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Sexta-feira, 16 de abril de 2021

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do batik à xilogravura

Artista plástica utiliza técnicas milenares em obras com referência aos peixes do Pantanal

da Redação - Isabela Mercuri

24 Nov 2019 - 10:00

Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto

Obra de Rita Ximenes, arquivo pessoal, exposta em sua sala

Obra de Rita Ximenes, arquivo pessoal, exposta em sua sala

Foi em uma tarde qualquer que a artista plástica Rita Ximenes convidou algumas catadoras de lixo para entrarem em sua casa. Elas se depararam com um grande quadro abstrato que fica em sua parede e, para a surpresa da artista, disseram o que viam: o Pantanal e o peixe cachara. Ela pensou que, se morresse naquele momento, morreria feliz, pois tinha atingido seu objetivo artístico.

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Rita nasceu em Mato Grosso do Sul e mora em Cuiabá desde os dois anos de idade. A veia artística existe desde criança – mas, segundo ela, isso não significa muita coisa. “Eu acho engraçado quando os artistas falam, ‘eu pinto desde criança’. Como eu sou arte-educadora, eu sou um pouco crítica nesse ponto. Todas as crianças são artistas, elas já nascem artistas. Mas vão crescendo e, às vezes, criam bloqueios”, explica.

Quando estudava no colégio Médice, ela cursou magistério, e pensou em fazer faculdade de música, mas se esqueceu de ir no primeiro dia do teste de aptidão. “O professor disse ‘ano que vem você não esquece’. E aí, apareceu o curso de educação artística na Unic, com habilitação em artes plásticas”, lembra. Graças ao esquecimento, ela conheceu uma nova paixão.

Rita e um tecido estampado com batik (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

Na faculdade, se aventurou por diversas técnicas, e acabou se apaixonando pela estamparia. Tanto que, no último ano, fez uma exposição de tecidos pintados à mão junto a uma amiga. Depois disso, passou a se dedicar ao estudo do ‘Batik’, uma técnica milenar, que surgiu na Indonésia, em que se utiliza cera quente para vedar o tecido e, com isso, criar diferentes desenhos.

Do batik, ela passou a outras formas artísticas, como a xilogravura, block print e chita. Por algum tempo, fez diversos tipos de desenhos, até que, por acaso, desenvolveu sua identidade baseada nas listras dos peixes do Pantanal, chamando atenção para a necessidade da preservação do meio ambiente.

Carimbos utilizados no block print (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

A chegada a esta identidade foi, relativamente, ‘por acaso’. A família do esposo de Rita é da beira do rio Cuiabá, bem tradicional, e o amor pelos peixes, de certa forma, já a rondava. “O Sebrae me deu um curso de presente, de curtimento em peixe, e eu fui pegando aquela coisa e foi ficando na minha alma”, contou ao Olhar Conceito. “Como sou arte-educadora e também sou defensora da natureza, eu comecei a pegar do lado educativo. O artista faz isso, ele cria protesto de uma forma ou outra”.

A estampa específica também veio em um treinamento no Sebrae. “Era um treinamento envolvendo as mulheres, e o nosso grupo ficou com o peixe. Tinha um dia para chegar uma designer de Belo Horizonte... ela ia voltar e a gente tinha que estar com o croqui pronto. Eu fiz com a temática deles, mas com a técnica do batik. E fui a única que cheguei com o croqui pronto. Ele foi aceito e saiu na ‘Primeira Feira Internacional do Sebrae’. Vendeu tudo, foi aquele sucesso. A partir daí eu não saí mais da temática dos peixes”.

Rita utiliza os desenhos do pintado, cachara e pincachara em praticamente tudo o que faz, e quase sempre de forma abstrata. Foi por isso que a catadora de lixo que ela convidou para entrar em sua casa identificou o animal – e por isso tanta emoção.



O desenho está até mesmo em uma logomarca exclusiva desenvolvida por ela, uma folha com as bolas do cachara. “Descobri que a folha é o pulmão da árvore, então eu começo a brincar com a folha hora inteira, hora como se fosse esqueletinhos, mas com a listra do nosso peixe cachara”, explica.

Até hoje, Rita ainda não realizou uma exposição individual. No entanto, isto está em seus planos. Atualmente, ela dá aulas em uma escola, se prepara para lançar alguns livros e, nas horas vagas, produz os materiais para serem expostos – sempre lembrando da natureza e chamando a atenção para o Pantanal e sua fauna e flora.

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