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Domingo, 27 de setembro de 2020

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Psicóloga dá dicas para não “surtar” durante a quarentena: "Hora de inventar"

Da Redação - Isabela Mercuri

23 Mar 2020 - 10:36

Foto: Reprodução

Psicóloga dá dicas para não “surtar” durante a quarentena:
Pelas redes sociais, o que mais se vê são pessoas preocupadas em como estarão ao final da quarentena: de ‘alcoólatra’ a ‘surtado’, as projeções feitas são diversas. Como não se sabe quanto tempo o 'lockdown' vai durar, e ele é mesmo a forma mais eficaz de frear a propagação do vírus, a psicanalista Carolina Lessa dá a dica: “Distanciamento social está na ordem do dia; o isolamento, não”.

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Carolina é natural de Rondonópolis (219km de Cuiabá), formada pelo Centro Universitário do Norte Paulista (UNORP) desde 2007, e psicanalista com formação pela Escola Brasileira de Psicanálise. Para ela, é importante que a população saiba diferenciar, neste momento, solitude de solidão.
 
“Ser sozinho é condição estrutural do humano, já que toda experiência é vivida de forma singular por cada um”, explica. “Solidão não significa necessariamente sofrimento: ela pode ser refúgio para pensar, descansar e desfrutar sua própria companhia. Mas é preciso distinguir a solitude, tão interessante, do isolamento imposto e prolongado – este, sim, nocivo”.
 
Segundo um trabalho da Universidade de Chicago, liderado por John Cacciopo, indivíduos isolados “apresentaram níveis mais altos de estresse, o que acarreta em um limiar baixo para a manifestação de agressividade e ansiedade”, conta a psicanalista. Como consequência, o isolamento pode causar baixa imunidade e propensão a doenças cardíacas.
 
Mas então, o que fazer? A resposta da profissional é que se aceite os sentimentos, como sentir-se ansioso, deprimido, frustrado ou com raiva, e aproveitar para exercitar as relações e aprender a lidar com o que se sente. “Já se tornaram frequentes as cenas de vizinhos na quarentena a se “encontrar”, cada um em sua sacada ou janela, mas compartilhando músicas, risadas, exercícios físicos, filmes projetados nas fachadas dos prédios. Poucos segundos nas redes sociais são suficientes para testemunharmos registros de conversas em grupo, por vídeo ou mensagem escrita. Os laços sociais estão aí e são um importante remédio. A tecnologia nos dá uma chance maior para não nos sentirmos sós e o momento nos presenteia com a reflexão de que nossa parafernália eletrônica e as diversas mídias não devem ser um fim em si mesmas, mas uma maneira de realmente nos conectar ao outro”, completa.
 
Neste início de isolamento, explica Carolina, é necessário aprender a sentir solidão, mas, os que querem driblá-la e não sabem como, devem se questionar: “Eu me abro para o outro? O que me impede de me abrir? O que posso fazer para me abrir ou para me aproximar do outro? A partir destas reflexões, é possível criar novos caminhos”, declara.
 
Ansiedade e fugas
 
Em meio à enxurrada de informações recebidas a todo instante, via imprensa e redes sociais, é normal se sentir ansioso. Segundo Carolina, é necessário observar se esta ansiedade causa algum prejuízo e, também, tentar diminui-la com alguns passos básicos, como filtrar as informações buscando mídias oficiais e responsáveis, realizar atividades prazerosas que distraiam e alegrem. “Expressar a ansiedade é outra saída viável: utilizar a arte, a comunicação, o choro. Conversar com pessoas amadas sempre que possível e nutrir as relações é imprescindível para a saúde mental neste momento; bem como dedicar tempo à reflexão, ao cuidado do corpo, do sono, da casa, da alimentação”, completa. Outra dica é a possibilidade de iniciar ou continuar a psicoterapia on-line e evitar fugas como o excesso de álcool e alimentação.
 
“O sofrimento humano pode levar pessoas a buscar meios destrutivos para aplacar ansiedade. É importante lembrar que o alívio assim proporcionado não faz cessar a angústia, somente a mascara por alguns instantes. A escolha mais saudável é lidar com a questão em um processo que possibilita, cada um a seu tempo, conhece-la, enfrenta-la, atravessá-la”, explica a psicanalista.
 
Para os idosos, que são mais afetados pelo vírus e, muitas vezes, não tem acesso à tecnologia da mesma forma que os mais novos, os cuidados devem ser redobrados. Familiares precisam se esforçar para comunicar-se com eles por meios que consigam utilizar, como telefones, ou mesmo ensiná-los a usar novas ferramentas.
 
Home office
 
Apesar de não ser possível para todos, muita gente vai continuar trabalhando de casa, em sistema ‘home office’. Segundo Carolina, esta fase de adaptação ao trabalho remoto também pode trazer mais dificuldades, estresse e imprevistos, e requer paciência, equilíbrio e empatia.
 
“A comunicação entre a equipe de trabalho pode ser um de seus maiores desafios, mesmo presencialmente. Uma recomendação aos líderes é realizar breves reuniões com maior frequência neste momento de home office, para que haja entendimento, fluidez e menos ruído”, aconselha.
 
Para quem está em casa, é preciso se atentar à rotina: “Estabelecer horário de experiente e marcadores que apontem seu início e fim, tais como reuniões ou, até mesmo, um café. Não se pode esquecer dos momento de parar, levantar da cadeira, fazer as refeições”.
 
Por fim, a psicanalista lembra que a regra é se reinventar: “Brilhantemente pontuou o psicanalista Christian Dunker que “o coronavírus não poderia ter um nome melhor: ele nos tira do trono de nós mesmos e coloca a coroa de nossas vidas em sua justa dimensão”. Diante disto, ainda que seja complicado alcançar reorganização, não percamos de vista que, para o humano, a vida é, acima de tudo, uma invenção, uma produção de sentido absolutamente singular. É hora de inventar”.

Carolina Lessa; ​Contato: (12) 996502255 - São José dos Campos

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