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Domingo, 22 de maio de 2022

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Rodado na década de 70, filme policial com cenas raras de Cuiabá antiga foi tentativa de divulgar Mato Grosso

Foto: Reprodução

Rodado na década de 70, filme policial com cenas raras de Cuiabá antiga foi tentativa de divulgar Mato Grosso
Apesar do cinema estar cada vez mais recheado de blockbusters que tomam as contas das salas, a sétima arte ainda é importante enquanto ferramenta histórica e social, que ajuda a entender momentos passados e uma sociedade que não existe mais. Nos últimos dias, um filme tem chamado a atenção de alguns cuiabanos por trazer imagens de uma capital mato-grossense da época da Ditadura Militar.

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Lançado em 1974, “Caçada Sangrenta” é um filme de Ozualdo Candeias. O longa-metragem policial traz a história de um escultor que é acusado de ter provocado a morte de sua tia milionária. Após ser preso, ele é solto por falta de provas, mas não demora muito para que ele seja acusado novamente por outro assassinato, desta vez da dona de um antiquário. Assim, o escultor foge para Mato Grosso, onde é perseguido tanto pela polícia quanto pela amante da proprietária morta.

“Caçada Sangrenta” tem locações como o Porto e Prainha, e em um trecho é possível notar o Véu da Noiva, um dos cartões postais de Mato Grosso. Além de Cuiabá, o filme tem cenas em Corumbá e nas cidades sul-mato-grossenses Campo Grande, Ponta Porã, Dourados e Aquidauana.

O filme é estrelado por David Cardoso, astro da época que apostou em uma produtora. David foi essencial pela concepção do filme visto que, graças sua amizade com o governador da época, conseguiu equipamentos “de ponta” para a produção, com a condição de que “Caçada Sangrenta” servisse como uma propaganda do governo tanto estadual como federal, conforme o livro “Filmando em Mato Grosso do Sul : o cinema popular e a formação da identidade regional”.

“David Cardoso entrou em contato com seu conhecido, governador do estado de Mato Grosso, José Fragelli, e conseguiu um satisfatório volume de recursos, mais uma câmara Arriflex novinha, porém com a condição do filme funcionar também como propaganda do governo, tanto do estado quanto federal, apresentando o grande desenvolvimento econômico que estava se implementando em várias cidades, quanto ao divulgar suas belezas naturais”.

Quando lançado em 1974, o filme não agradou. O grande público não gostou dos “enquadramentos diferentes e inusitados, assim como cenas estranhas em meio ao roteiro usual de perseguição e tiroteiro”, explica CCláudio Benito O. Ferraz no livro. Os censores e o governo militar também não gostaram do resultado final, graças a grande quantidade de violência e vários nus femininos.

“Não agradou aos censores e ao governo militar, os quais não aceitavam essa visão de um território sem lei e que denegria a ideia do projeto de desenvolvimento civilizatório no interior do país. Os críticos e cineastas mais engajados com um projeto cinematográfico de qualidade e estética brasileira, em grande parte contestadores do regime militar, não aceitaram a franca propaganda do sistema que eles combatiam e que os perseguiam”.

Ozualdo Candeias e o Cinema Marginal

Considerado um dos pioneiros do cinema marginal nacional, Ozualdo Candeias tem inúmeros trabalhos em sua filmografia. Entre os destaques, estão “O Acordo”, presente na “Trilogia de Terror”, de José Mojica Marins, o Zé do Caixão, "A Margem" e "Aopção ou As Rosas da Estrada".

O cinema marginal foi um movimento da sétima arte brasileira que se perpetuou do final da década de 1960 e meados da década 1970. Os longa-metragens deste motimento, segundo a Enciclopédia Itau Cultural, "chamam a atenção para problemas e incoerências do Brasil durante os anos mais violentos da ditadura civil-militar (1964-1985) e ficam à margem dos circuitos comerciais de exibição".
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