O Centro Histórico de Cuiabá será palco do “Cortejo pra Oyá” no próximo dia 6, a partir das 16h30, com concentração na Praça Santos Dumont. O evento celebrará a orixá Iansã, mãe do Grupo de Maracatu Buriti Nagô, o mais antigo do Mato Grosso em atuação. O trajeto previsto contará com uma primeira parada na Praça Alencastro, seguindo para a Escadaria Labrysa (ou Rua das Pretas), encerrando na Casa das Pretas, em frente à Praça da Mandioca, por volta das 18h30.
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A celebração, que marca o primeiro cortejo para Iansã organizado pelo grupo, tem como realizadores, além do próprio Buriti Nagô, o Comitê de Cultura do Mato Grosso. Já como apoio, contam com o Centro Cultural Casa das Pretas, do Instituto de Mulheres Negras do Mato Grosso (Imune-MT), da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), da Nação de Maracatu Porto Rico e do Ilê Axé Oxóssi Guangoubira – estes dois últimos de Pernambuco.
O cortejo contará também com a participação do grupo de dança Alujó, dos atabaques do mestre Regis, da intervenção da escritora Cris Soares e para encerrar, o grupo Afrosom, além, é claro, das loas (canções) apresentadas pelo Buriti Nagô durante todo o trajeto.
O dia 6 de dezembro foi escolhido em referência ao Dia de Iansã, em 4 de dezembro, que no sincretismo religioso é representada por Santa Bárbara, no catolicismo. O nome Oyá, por sua vez, é o vocativo para Iansã em iorubá. Segundo o regente de maracatu Luiz Bizo, essa ocupação do Centro Histórico de Cuiabá inaugura um novo momento do conjunto.
“Nós atuamos desde 2014 no Mato Grosso e ainda não tínhamos realizado essa oferenda andante para Iansã, que é uma das mães do Buriti Nagô, juntamente com Iemanjá”, explicou ele.
Bizo também aproveitou para convidar toda a população do estado para compartilhar esse momento. “É importante que a gente rompa com o racismo religioso, nossos santos não tem nenhuma relação com demônios. O maracatu é conhecido como um ‘candomblé de rua’, onde todos são bem-vindos para participar e brincar, mesmo não fazendo parte da crença”, comentou o regente, que também é pesquisador acadêmico dessa manifestação brasileira pelo Programa de Pós-graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Mato Grosso (PPGAS-UFMT).
O Buriti Nagô é um maracatu do tipo baque virado ou maracatu nação, diferente do maracatu de baque solto ou maracatu rural, porém ambos são originários da região Nordeste, mais especificamente em Pernambuco e populares durante o carnaval.
Um dos grupos mais antigos em Recife, a Nação Porto Rico, fundada em 1916, assume a paternidade do grupo cuiabano. Assim, o Buriti Nagô tem cerca de 40 irmãos em todo o Brasil e mais seis em países como Estados Unidos, Inglaterra e Japão.
O mestre e babalorixá da Nação Porto Rico, Chacon Viana, saudou o “Cortejo pra Oyá” diretamente de Salvador. “É de grande importância esse trabalho que o Buriti Nagô está realizando, que esse cortejo seja o primeiro de muitos e que marque essa data como uma grande contribuição do grupo para nossa mãe Oyá”, celebrou ele.
Além do “Cortejo pra Oyá”, o Grupo de Maracatu de Baque Virado Buriti Nagô realiza ensaios abertos para assistir todas as terças-feiras, a partir das 19h, em frente a Casa das Pretas, na Praça da Mandioca.
Confira o trajeto e os horários:
Concentração — Praça Santos Dumont
16h30 | Saída às 17h
1ª parada — Praça Alencastro
Chegada prevista: 17h30
2ª parada — Escadaria Labrysa / Rua das Pretas
Chegada prevista: 18h
Chegada — Casa das Pretas
Chegada prevista: 18h30
Mais informações no Instagram do Buriti Nagô: @buritinago