A plataforma de jogos Roblox alterou as regras de uso do chat nessa quarta-feira (14), passando a exigir verificação de idade dos usuários e restringindo a comunicação apenas entre jogadores de faixas etárias semelhantes. A mudança provocou uma onda de protestos virtuais dentro do jogo, mas pais e responsáveis ouvidos pelo Olhar Direto avaliam a medida como necessária para aumentar a segurança de crianças e adolescentes. Antes da restrição, por exemplo, uma das regras para jogar era que a ferramenta de chat fosse desabilitada.
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A nova política atinge principalmente o chat de áudio e amplia os mecanismos de controle sobre quem pode se comunicar dentro da plataforma, bastante popular entre o público infantil. Segundo o Roblox, o objetivo é reduzir riscos de exposição a conteúdos inadequados e abordagens indevidas, um problema recorrente em ambientes virtuais frequentados por menores de idade.
Na madrugada desta quinta-feira (15), o o influenciador digital Felca afirmou que virou alvo de ataques nas redes sociais. Em publicação feita nos stories do Instagram, ele relatou que passou a receber mensagens agressivas de crianças que o responsabilizam pela retirada do chat de voz do jogo. Em 2025, Felca viralizou por denunciar Hytalo Santos com um vídeo sobre adultização.
A estudante Giovanna Bitencourt, de 21 anos, conta que sempre se preocupou com a forma como a irmã Eloisa, de 11 anos, utilizava o Roblox. Mesmo antes das novas restrições, Giovanna acompanhava com olhar atento com quem a irmã mais nova estava interagindo dentro da plataforma. O uso do chat já era desabilitado para Eloisa.
“Antes mesmo da proibição do chat de áudio, eu já tinha muita preocupação em como minha irmã jogava o Roblox. Sempre acompanhei de perto, observei com quem ela jogava e, justamente por cautela, nunca permiti que ela tivesse acesso a esse recurso dentro do jogo”, relatou.
Segundo ela, a irmã costuma jogar apenas com amigos conhecidos, e a comunicação acontece fora da plataforma. “Ela joga com amigos e a comunicação acontece por ligação no WhatsApp, onde sinto que há mais controle por saber com quem ela fala.”
Giovanna afirma concordar com a decisão da empresa e avalia que muitos pais não têm dimensão de como o jogo funciona. “Eu concordo com a proibição do chat de áudio. Acredito que muitos pais não sabem exatamente como o jogo funciona e acabam não monitorando o uso, o que é muito preocupante. Sem supervisão, as crianças ficam vulneráveis a conversar com qualquer pessoa, além de ficarem expostas a conteúdos agressivos e até sexuais”, disse.
Pai de uma adolescente de 14 anos e um menino de 11, Thiago Stofel, de 31 anos, explica que também adotou regras rígidas para permitir que os filhos jogassem Roblox. Para ele, o acompanhamento é mais eficaz do que a proibição total. “Como pai de duas crianças, parto do princípio de que é melhor permitir que elas joguem Roblox do que proibir e correr o risco de que joguem escondido. Dessa forma, eu não teria controle sobre o que fazem”, afirmou.
Assim como a irmã mais nova de Giovanna, os filhos de Thiago já não tinham acesso a ferramenta de chat dentro do Roblox.
“Sempre proibi a interação com pessoas no jogo, seja por chat de texto ou por voz, além de orientar para que não compartilhem nenhum dado pessoal, nem mesmo o nome real.” Ele também evita deixar métodos de pagamento salvos na conta. “Faço isso tanto para prevenir possíveis golpes ou ações de hackers quanto para impedir compras sem minha autorização. Embora o jogo ofereça algumas ferramentas de segurança, muitas crianças conseguem burlá-las”, destacou.
Para o pai, a nova restrição do Roblox é um avanço. “A restrição de interação é uma medida positiva, pois dificulta a abordagem virtual por pessoas mal-intencionadas. E, caso queiram jogar com amigos, que sejam apenas pessoas que conhecem na vida real”, concluiu.