Olhar Conceito

Sábado, 07 de fevereiro de 2026

Notícias | Artesanato

arte ancestral

Da aldeia ao aeroporto: joia da mulher xinguana usada por Anitta é destaque em nova loja Cuiabá

Da aldeia ao aeroporto: joia da mulher xinguana usada por Anitta é destaque em nova loja Cuiabá
A joia da mulher xinguana, adorno produzido pelas próprias mulheres indígenas como parte da vida cotidiana e dos rituais de suas aldeias, tem chamado a atenção de quem passa pelo Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Cuiabá. Mais do que um acessório, o colar carrega sentidos ligados à identidade, ao pertencimento e à forma como essas mulheres se reconhecem e se apresentam ao mundo. A partir desse entendimento sobre o ato de se adornar, a loja Angatu estrutura sua proposta de comercialização de artesanato indígena.


Leia também 
Inspirada pelas avós, advogada cria negócio de bijuterias com miçangas e pedras naturais

Instalada no aeroporto há cerca de um ano e oito meses, a Angatu trabalha com peças produzidas por mais de 27 etnias do Brasil e também de povos originários do Peru. Durante uma visita ao Xingu no ano passado, a cantora Anitta chamou atenção ao usar um colar produzido pelas mulheres indígenas, conhecido como joia da mulher xinguana. Feito à mão com fibras naturais de algodão, o adorno é mais do que um acessório: carrega significados ligados à identidade, ao pertencimento e às tradições de cada aldeia.

Em entrevista ao Olhar Direto, a atendente Caroline Gonçalves de Oliveira explica que, em muitas culturas indígenas, o adorno é uma extensão da própria pessoa. No caso da joia da mulher xinguana, trata-se de um objeto feito manualmente, com técnicas e materiais tradicionais, que expressa saberes transmitidos entre gerações e que não se limita à estética.

"No contexto do Xingu, esses acessórios são conhecidos como 'joia da mulher xinguana' porque são ornamentos tradicionais usados pelas mulheres em momentos cerimoniais, rituais de passagem, festas e eventos importantes.

A loja adota um modelo de parceria direta com os artesãos indígenas. São eles que chegam com suas cerâmicas, colares, bancos esculpidos em madeira ou trabalhos em miçanga e definem o valor que consideram justo pelo próprio trabalho.

Caroline explica que, a partir desse preço, a Angatu aplica uma margem reduzida, suficiente para manter o funcionamento do negócio. "É um trabalho realmente de parceria, os artesãos parceiros vendem suas artes a um preço que eles delimitam, o que eles entendem ser um preço justo para o trabalho deles. O artesão indígena chega até nós com seu produto, sua cerâmica, banco em madeira ou cerâmica, ele vai dizer: 'vendo por esse valor, tem interesse?'. A partir disso almejamos um pequeno lucro, mas o foco mesmo é que o negócio seja sustentável para todos os pilares, que seja sustentável para o artesão indígena e que seja também acessível para os clientes. A ideia é ser saudável para todos". 

Atualmente, a Angatu reúne artesãos de etnias como Mehinako, Kalapalo, Waura, Trumai, Yanomami, Umutina, Enawene Nawe, Karajá, Kamaiurá, Yawalapiti, Kuikuro, Rikbaktsa, Myky, Kaiabi e Chiquitanos, entre outras. Ao todo, mais de 27 etnias estão representadas na loja, com peças que variam desde pequenos objetos, pensados como lembranças, até obras de maior porte, cujo processo de produção pode levar um ou dois anos.

Mesmo localizada em um aeroporto internacional, a loja atrai um público diverso. Além de turistas estrangeiros, moradores de Cuiabá e de outras cidades de Mato Grosso passaram a frequentar o espaço e se tornaram clientes recorrentes. 

"O público é muito amplo, o pessoal de Mato Grosso se interessou muito, por exemplo, que se tornaram clientes fiéis. Hoje vendemos para os Estados Unidos, Japão, Emirados Árabes Unidos e Índia, por meio de vendas e envios realizados a partir da loja. É um público amplo, mas nossos produtos são bem amplos, de vários tickets, temos desde uma lembrancinha até os bancos de madeira". 

A Angatu é administrada por dois irmãos que viveram por muitos anos em Mato Grosso e mantêm uma relação de respeito e apreciação pela cultura indígena, especialmente do Xingu. "Eles sempre apreciaram arte indígena, é a primeira loja deles, há também um projeto de expansão". 
 
Entre em nossa comunidade do WhatsApp e receba notícias em tempo real, clique aqui

Assine nossa conta no YouTube, clique aqui

Comentários no Facebook

Sitevip Internet