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Ney Matogrosso quebrou, requebrou e cantou todo mundo no documentário Olho Nu de Joel Pizzini

Da Redação - Marianna Marimon

04 Mar 2014 - 15:40

Foto: Reprodução

Ney Matogrosso quebrou, requebrou e cantou todo mundo no documentário Olho Nu de Joel Pizzini
Este não é um filme sobre Ney Matogrosso, mas um filme com Ney Matogrosso, enfatizou o diretor Joel Pizzini, do longa-metragem “Olho Nu” que retrata diferentes momentos da vida do artista performático e cantor. É um filme evocativo, afinal, a intenção não é esgotar a sua história, mas mostrar toda a grandeza e imensidão de Ney, que até hoje, continua ativo com sua música e arte. “O Ney é um intérprete da alma do Mato Grosso, como estado de espírito, mais do que geográfico. E ele sempre diz quando perguntam como consegue estar tão bem aos 72 anos que é porque ‘sempre sai da mesa com um pouco de fome’. E assim que Olho Nu é: traz o desejo de ver mais deste eterno subversivo”, explicou Pizzini.

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Olho Nu traz Ney indo e vindo para se lançar em um breve momento e assim, se eternizar. Ney se faz grande com sua presença inconfundível, com suas vestimentas chamativas. Durante o filme ele diz: “Sou primário, gosto do osso, da terra e da pele”. E diz isso com chifres de animais na cabeça em uma fantasia que remete aos homens das cavernas.

Ney não tem medo de assumir quem é, e o filme retrata parte da sua trajetória, a dificuldade em ser aceito pelo pai, quando assumiu sua identidade subversiva. E ilustra o início da carreira, quando começou sozinho e então, resolveu sair de casa, do município de Bela Vista (MT) e se lançar no universo urbano em São Paulo, aonde montou o grupo de MPB e rock, com uma linguagem antropofágica, Secos e Molhados.

Foi aí que Ney se firmou como artista e demonstrou ser maior do que o próprio nome. O filme é emblemático e também demonstra a relação de Ney com a natureza, com um respeito eterno com o verde, as águas, os animais. Ney se transfigura neste personagem inquieto, subversivo, que não se prende a ninguém, estando sempre ali com todos. Em parte do filme, durante um show, Ney choca a plateia ao enfiar a mão por dentro da calça enquanto a narrativa de uma entrevista passa pela imagem: “Eu tinha tesão pela plateia e queria trepar com todas aquelas pessoas”, dispara.



Um grande intérprete que incorpora uma sonoridade aguda nas canções de Cartola, mas que também canta com gravidade suas próprias canções, artísticas, sensíveis e ainda assim, de cunho provocativo, como “Rosa de Hiroshima”. Um dos momentos mais sensíveis do filme é breve, e revela o amor que houve entre Ney e Cazuza. O cantor que morreu vítima da AIDS olha para câmera e questiona: "Porque que a gente é assim, hein Ney?", e com um sorriso largo, se vai. 

Pizzini contou que foram mais de 500 horas de gravação que se transformaram em Olho Nu. Um intenso e extenso trabalho de pesquisa, o filme possui 85 músicas, sendo que na primeira versão havia 140 canções. “As letras das canções é a narrativa do filme”, disse Pizzini.

O maior desafio foi não cair na nostalgia de todo o material destacado, devido ao passado poderoso de Ney e sua atuação na década de 80. “Olho Nu é o Ney dialogando com a memória do seu passado, mas quisemos mostrar que ele é um sobrevivente e equilibrar tudo isso com a sua volta à Bela Vista e fazer este mergulho na memória mas descolado, para mostrar que ele continua vivo e intenso”, explicou.

Para Pizzini, Ney não se rende, é um eterno subversivo e se renova a cada show. “Ele se liberta sempre e está em plena metamorfose”, revelou. Sobre a participação de Ney na produção do longa-metragem, o diretor ressalta que na fase final da montagem, o artista contribuiu com sugestões. Porém, a ideia era repassar um retrato de Ney na terceira pessoa. Entre ideia e realização foram cinco anos para a produção do filme, que não foram contínuos. E agora Olho Nu vai virar série de TV.



E então, com seus olhos de gato, e seu sorriso com os dentes tortos que diz trazer sorte, ele abre a boca e solta a sua voz para interpretar o que sempre quis: “Dizem que sou louco por pensar assim. Se eu sou muito louco por eu ser feliz. Mas louco é quem me diz. E não é feliz, não é feliz”.

Confira o trailler de Olho Nu: 





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