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Quarta-feira, 08 de abril de 2020

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Indígenas exigem R$ 4 milhões por queda de avião da Gol em terra sagrada; MPF investiga

Da Redação - Lázaro Thor Borges

23 Jun 2016 - 08:32

Foto: Corpo de Bombeiros/Sinop

Destroço da aeronove da Gol em meio a floresta amazônica

Destroço da aeronove da Gol em meio a floresta amazônica

A etnia indígena Mebengokre Kayapó, que vive na região onde caiu o Boeing Boeing 737-800 da Gol em 2006, pediu R$ 4 milhões a empresa área por conta dos danos "ambientais e espirituais" causados pelo acidente. O pedido foi feito durante uma reunião entre os representantes da etnia e os advogados da empresa. A reunião foi mediada pelo procurador da república Wilson Rocha Fernandes Assis da Procuradoria da República em Barra do Garças.

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Como o valor ainda não foi pago, o Ministério Público Federal (MPF) investiga os danos sofridos pelo povo Kayapó por conta da queda do avião da empresa na terra indígena Capoto/Jarina que fica a oeste do município de Peixoto de Azevedo (à 673 Km de Cuiabá). O Boeing que fazia o vôo de Manauspara o Rio de Janeiro, caiu no dia 29 de setembro de 2006. O avião colidiu no ar com um jato legacy e todos 154 passageiros do vôo morreram. 

Até então, os membros da etnia Mebengokre Kayapó reivindicavam a retirada dos destroços da aeronave pertencente à Gol. Um dos agravantes do caso é que muitos dos destroços do Boeing se encontram em uma área considerada sagrada para os indígenas, onde é proibida a caça e a pesca. 

Entenda o caso

No começo do ano, o procurador da república Wilson Rocha Fernandes Assis, os representantes da etnia e os advogados da empresa área se reuniram para debater os impactos ambientais e espirituais causados pelo acidente.

Como resposta a demanda dos indígenas, os advogados da VRG Linhas Aéreas S/A alegaram que a retirada dos destroços seria um procedimento inviável, em razão dos altos custos de realização, da difícil logística e dos danos ambientais que o processo poderia acarretar.

Em contrapartida, as lideranças indígenas propuseram que a empresa transferisse uma indenização no valor de R$ 4 milhões que deveria ser destinada ao Instituto Raoni. O valor deveria ser empregado pelo instituto em favor da comunidade Metukire que pertence ao grupo dos Mebengokre Kayapó. Os representantes da empresa se comprometeram a responderem a proposta até o dia 22 de feveiro. No entanto, cem dias após o prazo, a empresa não havia se manifestado.

O inquérito civil foi aberto após desmembramento de uma outra investigação que apurava o reavivamento dos marcos territoriais e a destinação do ICMS ecológico à tribo pelos municípios de Santa Cruz do Xingu, São José e Peixoto de Azevedo.

No despacho para a publicação da portaria n° 23 da Procuradoria da República de Barra do Garças, o procurador Wilson Rocha Fernandes Assis, alega que o caso dos destroços da aeronave é “completamente diverso” das demais questões.

“Observa-se, ainda, a necessidade de aprofundar a instrução relativa aos danos gerados à comunidade indígena em razão da queda do avião da companhia área supracitada. Tal quadro demonstra a necessidade de desmembramento do feito, a fim de que sejam formados novos autos para tratar exclusivamente sobre os danos causados ao povo Kayapó em razão da queda de aeronave na Terra Indígena Capoto/Jarina”, afirma o procurador.

Se comprovada a omissão da empresa, o inquérito pode resultar em ação civil pública ajuizada pelo promotor contra a companhia aérea. A portaria n° 23 que institui a investigação foi aberta no dia 3 deste mês, após reuniões e deliberações mediadas pelo MPF em fevereiro. 
 

46 comentários

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  • Stanley William
    07 Jul 2016 às 11:25

    Acho um absurdo o indio querer dinheiro nessa hora, tem pelo Brasil diversas aeronaves de pequeno porte e de empresas onde maioria das vezes tem apenas duas aeronaves monomotor e ai os índios não querem dinheiro? Agora vem querer da gol ? Kkkk oportunista e espertinho vc INDIO

  • fabio
    06 Jul 2016 às 19:06

    Rapaz é cada coisa...

  • Neiva
    04 Jul 2016 às 21:50

    Nesta "terra sagrada" é proibida a caça e a pesca. Qual foi o prejuízo pra eles mesmo? Eu não entendi. A Gol foi vítima. Se os índios tem direito a alguma coisa... "pra mim não passam de oportunistas e aproveitadores", cobrem dos culpados pelo acidente.

  • Mauro Martins
    03 Jul 2016 às 23:10

    Mande esses índios irem se afumentarem com ferrão de marimbondo.

  • Gisele
    02 Jul 2016 às 22:15

    Dinheiro compra o sagrado? Ou não é tão sagrado assim?

  • Julio
    27 Jun 2016 às 15:38

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  • Jornalista Joel Teixeira
    25 Jun 2016 às 15:36

    Sinceramente acho isso uma palhaçada sem tamanho. O avião caiu em terras da união. Alegações inconsistentes para pegar dinheiro. Sou um defensor da causa indígena, mas não compactuo com ações duvidosas e "espertezas" oportunistas, enfim, BRAZIL, Zil, zil, zil.. Mortos, não correm nenhum risco. Se houvesse danos, com carbonização de cadáveres, destruição de tumbas... eu seria favorável. Não desrespeito, nenhuma crença, mas entendo que isso é "manobra jurídica" para ganhar dinheiro. É o que vejo. Adoro o povo Kayapó, mas creio que tem alguém de vasta esperteza, por trás dessa ação.

  • gilberto kavalos
    24 Jun 2016 às 09:10

    A retirada dos destroços é impossível. Teria que ser retirados , com helicópteros de grande porte , que não temos. Enterrar os destroços seria possível , SE conseguissem chegar com máquinas pesadas , o que também é impossível. Solução: Deixem lá e mandem os índios se f...

  • Dr. STF
    24 Jun 2016 às 07:34

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  • Fernando
    24 Jun 2016 às 07:20

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