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Dnit deve consultar comunidade indígena antes de construir rodovia em Mato Grosso

Da Redação - Arthur Santos da Silva

05 Dez 2019 - 14:19

Foto: Reprodução

Dnit deve consultar comunidade indígena antes de construir rodovia em Mato Grosso
O Ministério Público Federal em Mato Grosso (MPF), por meio do Ofício de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais, recomendou ao Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit) que promova consulta prévia, livre e informada com os povos indígenas interessados, no intuito de obter acordo para a definição do traçado da rodovia BR-242. Deve ainda assegurar a participação da Funai e do Iphan no processo de licenciamento, para viabilizar os estudos e as informações técnicas necessárias para a tomada de decisão por parte dos indígenas.

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A obrigatoriedade de consulta prévia para empreendimentos que impactem sobre terras ou comunidades indígenas é expresso no artigo 6º da Convenção no 169 da Organização Internacional do Trabalho.

O MPF já havia instaurado inquérito civil a partir de carta apresentada por lideranças indígenas das etnias Waurá e Ikepeng e representantes da Funai, do Instituto Homem Brasileiro (IHB) e da Comissão Pró BR-242, apresentando proposta para alteração do traçado da referida rodovia na altura do curso dos rios Batovi e Jatobá com o fim de preservar áreas consideradas sagradas (Gruta Kamukuwaká e a Pedra da Anta).

A partir do inquérito civil foram requisitadas informações ao Dnit, que se mostrou disposto a adequar o projeto de empreendimento rodoviário. Porém, não se teve notícia da realização de consulta, prévia, livre e informada às comunidades indígenas que sofrerão os impactos decorrentes do empreendimento, nem mesmo para averiguar se o novo traçado, distante 1.600 metros do local, é adequado.

Diante disso, o MPF aguarda resposta do Dnit quanto ao acatamento da recomendação, bem como informações atualizadas acerca do andamento da licença prévia dos lotes 5 a 11 da BR-242/MT, especificamente quanto aos desvios do traçado para preservação da caverna Kamukauká e demais áreas sagradas identificadas.

3 comentários

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  • Luiz
    06 Dez 2019 às 09:49

    Frescura. Parece que MPF nao tem nada pra fazer.

  • Zeca
    06 Dez 2019 às 08:37

    A BR 364 Cuiabá - Porto Velho, foi construída em 02 anos no período de Juscelino. Depois pavimentada em 03 anos no governo militar. Hoje em três anos, não se consegue nem a liberação da SEMA, FUNAI, IPHAN, IBAMA, QUILOMBOLA etc.

  • Paulo pancada
    06 Dez 2019 às 07:42

    Se o índio é tutelado pela União e as terras pertence a União, e é um investimento que vai beneficia o cidadão que paga os seus impostos , porque tem que ter permissão deles, isso que eu não entendo.

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