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Quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

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Prisão de motorista que atropelou e matou crianças foi mantida para segurança do suspeito, diz juiz

Da Redação - Vinicius Mendes

02 Jan 2020 - 15:01

Foto: Rogério Florentino / OD / TV Centro América

Prisão de motorista que atropelou e matou crianças foi mantida para segurança do suspeito, diz juiz
O juiz Wladymir Perri, em Plantão Judicial na Comarca de Cuiabá, justificou que a prisão de Wesley Patrick Villas Boas de Souza, após o jovem atropelar uma mãe e duas crianças na manhã da última terça-feira (31), foi mantida, entre outros argumentos, para a própria segurança do suspeito, que quase foi linchado. O magistrado também citou, no termo de audiência de custódia, que não está afastada a hipótese de homicídio doloso, quando há a intenção ou quando o indíviduo prevê o resultado lesivo de sua conduta.
 
Leia mais:
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Wesley foi submetido à audiência de custódia nesta quarta-feira (1). No termo de audiência o juiz Wladymir Perri cita que ele foi preso em flagrante acusado de duplo homicídio culposo na direção de veículo automotor, além de lesão corporal culposa, também na direção de veículo automotor.
 
O rapaz atropelou e matou Bruno dos Santos, de 10 anos, e Brenda dos Santos, de 4 anos. As crianças voltavam da igreja com a mãe, Cleide dos Santos, 48 anos, quando os três foram atropelados. Cleide foi internada, mas não corre risco de morte.
 
A defesa do motorista pediu a liberdade provisória, com aplicação de medidas cautelares, ou ainda caso a liberdade fosse negada, que ele fique separado dos presos em cumprimento de sentença transitada em julgado. Já o Ministério Público pediu a conversão do flagrante em prisão preventiva.
 
Ao analisar os pedidos, o juiz afirmou que não há dúvidas sobre a autoria já que o próprio Wesley narrou, “de forma pormenorizada como teria acontecido o fato delituoso, evidentemente, segundo a sua versão, já que nesta audiência se ouve tão somente o conduzido”. O magistrado também disse que não está afastada a hipótese de homicídio doloso.
 
“Trata apenas de um auto de comunicação em flagrante, de modo que, caberá ao presidente do inquérito policial, a autoridade policial, continuar a investigação dos fatos, principalmente, no aspecto de ser inquirida a única vitima sobrevivente, já que por razões óbvias não foi possível a sua inquirição, a fim de posteriormente, a quem detém atribuição legal, para denunciar o custodiado, analisar se a conduta foi dolosa ou culposa, fato é que, neste instante não me resta senão analisar diante, nada mais nada menos, o que foi trazido na peça flagrancial”, diz o juiz.
 
O juiz plantonista ainda cita que apesar de Wesley não ter se evadido do local, ter acionado o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e polícia, portanto, ter tomado todas as providências legais, mesmo assim correu risco de linchamento e teve seu veículo depredado, ou seja, gerou revolta popular, o que demanda ordem pública. Também teria ficado provado que o motorista não estava embriagado.
 
“Ora, esta é á maior prova e comprovação do clamor público, da revolta popular, ou seja, se a polícia militar não retirasse o custodiado do local, poderia sofrer maiores sequelas físicas, já que de certa forma sofrera, consoante relatado pelo próprio conduzido, ao afirmar que levara um tapa em seu rosto, dessa forma, se temos um clamor público e clamor social, então, evidentemente que temos um dos requisitos da conversão da prisão preventiva, qual  seja, a garantia da ordem pública”, justificou.
 
O magistrado disse que não duvida que o motorista não tinha intenção de atropelar pessoas, mas que não se pode ignorar que o dever de todo condutor de veículo é ter prudêncua e cuidado “qual a priori, demonstra não ter ocorrido, muito embora, insisto, isto é questão de apuração por ocasião própria, ou seja da instrução criminal”. O juiz ainda disse que a conversão da prisão serviria para a própria proteção de Wesley, em decorrência do risco de linchamento.
 
“A tentativa de agressão contra o custodiado, com certeza reclama a segurança da segregação provisória, até mesmo para resguardar a integridade física do conduzido, já que pela repercussão tomada pelo ocorrido poderá, futuramente ser deduzida em desfavor do custodiado”, disse o juiz.
 
O atropelamento
 
Cleide dos Santos foi atropelada na Avenida dos Trabalhadores, em Cuiabá, no final da manhã desta (31), quando voltava com os filhos Bruno dos Santos e Brenda dos Santos, da igreja.  As crianças não resistiram e morreram. A mãe continua internada e fora de risco, segundo familiares.
 
Testemunhas relataram à PM que o motorista estaria em ziguezague pela pista. Ainda conforme a Polícia, testemunhas estariam exaltados com a situação e começaram a jogar pedras na camionete Dodge Ram, onde estava o rapaz. O motorista então foi encaminhado ao Cisc do bairro Verdão para as devidas providências.

10 comentários

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  • SOLTEM O RAPAZ
    03 Jan 2020 às 07:27

    PELO VÍDEO PERCEBE-SE QUE A FAMÍLIA ATROPELOU A DODGE RAM. O QUE MAIS ELE PODERIA FAZER? QUEM É MOTORISTA SABE QUE SERIA PRATICAMENTE IMPOSSÍVEL EVITAR O ACIDENTE.

  • alexandre
    03 Jan 2020 às 05:49

    Casos de grande repercussão, a justiça mantêm preso, salvo, o da blogueira, por motivos óbvios..

  • Juscelino Alves Ferreira
    02 Jan 2020 às 21:14

    Toda tipo de via tem um limite de velocidade! Se um veículo estiver acima desse permitido e se envolver, ele sim é o culpado!

  • Lalita
    02 Jan 2020 às 19:03

    Pista de velocidade e uma mãe comete a imprudência de atravessar em horário de movimento com uma criancinha de colo e outra de 10 anos. O motorista tenta evitar a colisão. Não consegue. Duas famílias atingidas pela dor... Não concordo com a prisão do motorista que não fugiu e não teve grau de álcool detectado. O fato dele morar em condomínio de luxo não pode ser agravante de pena. Apenas causa inveja en nós, pobres mortais que moramos mal prá catiça... Lasqueira...

  • observo
    02 Jan 2020 às 16:46

    uai q pq a blogueira de rondonopolis esta solta? ela matou uma criança tambem....? Essa nao entendi

  • Comentador 03
    02 Jan 2020 às 16:45

    No vídeo dá para ver a imprudência da mãe ao tentar atravessar a avenida em meio ao movimento de tantos veículos. Embora não há naquele local nenhuma faixa de pedestre próximo, ela deveria ter esperando um momento seguro para atravessar. Porém, isso não inocenta o motorista, pois é nítido nas imagens que ele estava em alta velocidade ultrapassando outros veículos que seguiam no mesmo sentido e bem mais devagar.

  • Cpa
    02 Jan 2020 às 16:28

    Qdo uma pessoa bebe pega no volante de um carro, e sim assassino. E qdo dirige acima da velocidade emitida e fazendo ultrapassagem indevida em vias urbanas, também é um assassino. Igor e Helena Santos, imagina se fosse seus filhos atropelados nessa mesma circunstância. Será ai seus comentários seriam o mesmo?

  • Sandra
    02 Jan 2020 às 16:27

    Por que o motorista está preso? Qualquer um obtém liberdade em casos muito piores! Não concordo com essa decisão judicial. Um peso, duas medidas.

  • igor
    02 Jan 2020 às 15:26

    E assim esta a sociedade bem, presa, impedida de ir e vir, em decorrência da criminalidade solta. Não justifica manter a "vítima" da tentativa de linchamento presa para protege-la, tem que prender quem esta tentando lincha-la

  • Helena Santos
    02 Jan 2020 às 15:25

    Metade da culpa é da mãe tentando atravessar fora de lugar apropriado com duas crianças.

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