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Quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

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Juiz manda soltar jovem denunciado por matar jornalista a pedradas

Da Redação - Vinicius Mendes

08 Jan 2020 - 09:54

Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto

Juiz manda soltar jovem denunciado por matar jornalista a pedradas
O juiz Flávio Miráglia, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, expediu alvará de soltura em favor de Jonh Lennon da Silva, preso em setembro de 2019 pelo homicídio do jornalista Marcelo Ferraz. O suspeito teria dito que assassinou a vítima quando estava sob efeito de drogas. A liberdade foi concedida em decorrência de um pedido de habeas corpus.
 
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A defesa de Jonh Lennon entrou com recurso de habeas corpus, que foi julgado pela Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). O HC foi concedido, em partes, no último dia 19 de dezembro. Em seu voto, o relator, desembargador Marcos Machado, afirmou que a prisão foi fundamentada em “conceitos genéricos”
 
“A decisão constritiva está fundamentada na garantia da ordem pública, consubstanciada em conceitos genéricos e dados abstratos sobre a necessidade de ‘proteção da sociedade de indivíduos perigosos, bem como para dar credibilidade à Justiça, em casos de crimes graves e que tragam grande repercussão social’".
 
Ele ainda afirmou que há jurisprudência no Superior Tribunal de Justiça (STJ), sobre o entendimento de que a gravidade do crime, e clamor público, em si não são suficientes para decretação de prisão.
 
“Não obstante, a gravidade da conduta atribuída ao paciente - assassinato da vítima em praça pública -, recomenda a imposição de medidas alternativas à prisão, pelo Tribunal, que exerce o poder cautelar inerente à jurisdição sobre o fato, na condição revisional e de controle de legalidade, como forma de harmonizar ‘os direitos do paciente com a necessidade de manutenção da ordem pública’”
 
Em despacho desta terça-feira (7) o juiz Flávio Miráglia expediu o alvará de soltura em favor de Jonh Lennon. Foram fixadas medidas cautelares como comparecimento em juízo a cada três meses, proibição de frequentar bares e boates, proibição de se aproximar de testemunhas, recolhimento domiciliar no período noturno, e não mudar de endereço ou se ausentar da Comarca sem autorização da Justiça.
 
O jovem tem diversas passagens por roubo e furto. Segundo o delegado Fausto Freitas, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), à época da prisão o suspeito afirmou que vive 24 horas sob efeito de drogas e que já usou até álcool de posto. No dia do crime, ele teria afirmado que usou pasta base de cocaína, ocasião em que tirou a vida da vítima com pedradas.

Ao Olhar Jurídico a defesa do suspeito afirmou que "em entrevista com o acusado este apresentou uma versão diversa das que foram apresentadas até o momento, a qual ele prestará em juizo".
 
O caso
 
O jornalista foi dado como desaparecido no dia 28 de setembro de 2019. Por volta das 20h, ele saiu do bairro Jardim Aclimação e disse que estava a caminho da Praça da Mandioca, onde iria encontrar alguns amigos. Desde então, não deu notícias. Seu corpo foi encontrado com sinais de violência no início da tarde da segunda-feira (30), data em que a família também registrou o boletim de ocorrência.
 
De acordo com a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), Marcelo havia sido morto há aproximadamente 48 horas. Ele teria sido morto a pedradas e, em consequência, teve traumatismo craniano. O corpo do jornalista foi liberado pelo IML após a análise e foi velado na terça-feira (1).
 
A suspeita inicial era de que a vítima teria pedido uma porção de pasta base, que custava R$ 3, mas não tinha dinheiro para pagar. Assim, o acusado teria pego uma pedra e desferido diversos golpes na cabeça da vítima. Após matá-lo, John Lennon confessou a um homem que estava embaixo de um viaduto, dizendo “me dá uma droga que acabei de matar uma pessoa”.
 
Marcelo formou-se em jornalismo pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e foi um dos vencedores do Prêmio Mato Grosso de Literatura pelo romance 'O Assassinato na Casa Barão', em 2017. Além de ser o autor de outros seis livros.

19 comentários

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  • silvio lopes de moraes
    09 Jan 2020 às 11:42

    Absurdo total . Do povo o que interessa é eles pagar uma média mínima de 42% de impostos em tudo que consome para bancar os 100 mil ou mais de salário do meritíssimo ai em tela . O QUE INTERESSA É O QUE O POVO PAGA ,NÃO O QUE PENSA.

  • rsantos
    08 Jan 2020 às 17:17

    Neste pais vale apena ser criminoso,, e a lei de de abuso de autoridade, não será aplicada nos juizes que venha a soltar um bandido e se ele vim a cometer outro crime contra as pessoas....de quem e a responsabilidade? essa pergunta que queremos saber...

  • walter liz
    08 Jan 2020 às 17:15

    eita justiça,nem confessando o bandido fica preso,isso porque foi assassinato

  • BIANCA
    08 Jan 2020 às 16:44

    ATÉ PEGAR ALGUÉM DA FAMÍLIA DESSE JUIZ, AÍ QUEM SABE ELE REVEJA ESSA LEI MALDITA.

  • CARMEN
    08 Jan 2020 às 16:41

    Sou obrigada a admitir que realmente houve um redução significativa da violência em Cuiabá. Mas enquanto houver, como aqui no meu bairro ( ARAÉS ) bocas de fumo funcionando 24 horas por dia, não adianta nada. E não adianta policial/fotógrafo. Isso não ajuda em nada a população do bairro. Deem um passada aqui perto do Bar do João Cavalo, e vão ver até assassino traficando. Vamos polícia, façam 2020 melhor.

  • Felipe
    08 Jan 2020 às 16:38

    A família desse povo não vai deixar barato...ae quem sabe prende os inocentes da família e não solta nunca mais.... q juizado hein.... quer ver mais sangue.....

  • Rony
    08 Jan 2020 às 16:00

    Mas é isso minha gente! hoje matar não dá nada. Justiça não está mas cega, está morta. Até acontecer com alguém da família desses Magistrados que ditam a lei.

  • Reginaldo
    08 Jan 2020 às 14:59

    Obrigado senhor Juíz, o senhor comprova que o crime compensa....

  • Itamar
    08 Jan 2020 às 11:38

    Porque caiu o consumo da droga tem que soltar para consumir mais e quem e o patrão são os grandes desen juiz

  • Bugre
    08 Jan 2020 às 11:38

    Nego tá preocupado é com as verbas indenizatórias, abonos, auxílios e a sociedade que se vire com a bandidagem. É pra acabar!

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