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Sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

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OAB estuda ação no STF contra lei que atualizou custas processuais em Mato Grosso

Da Redação - Arthur Santos da Silva

15 Jan 2020 - 15:38

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

OAB estuda ação no STF contra lei que atualizou custas processuais em Mato Grosso
A Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso (OAB-MT) se manifestou nesta quarta-feira (15) contra o aumento das custas processuais implementado por meio de lei. Nova norma, já assinada pelo governador Mauro Mendes (DEM), foi proposta pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). A OAB estuda ação no Supremo Tribunal Federal (STF). (Confira os novos valores aqui).
 
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Durante a tramitação do projeto na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), o presidente da Ordem, Leonardo Campos, participou da sessão da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) explicando como a proposta excluía o “meio da pirâmide”, ou seja, toda a classe média, do acesso à Justiça.
 
Conforme a tabela proposta, para se dar entrada numa causa de valor estimado em R$ 500 mil – equivalente a um imóvel financiado, por exemplo -, o cidadão precisaria desembolsar aproximadamente R$ 25 mil num processo, entre primeira e segunda instância, ainda que seja para contestar a falta da entrega.
 
Diante da exposição, o deputado Silvio Fávero (PSL) chegou a apresentar um substitutivo integral ao projeto de autoria do Poder Judiciário, porém, o mesmo foi rejeitado em plenário.
 
Com a aprovação da proposta original do TJMT, a OAB-MT procurou o Governo e se reuniu com o secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, demonstrando as razões para o veto parcial da matéria, impedindo o aumento de custas processuais.
 
Agora, com a sanção e publicação, a OAB-MT segue com os estudos técnicos para assegurar o acesso à justiça a toda a população, não apenas de Mato Grosso, mas de todo o país, tendo em vista o potencial do agronegócio no Estado.
 
“Da forma como foi aprovada e sancionada a lei, muitas pessoas terão seu acesso à Justiça comprometido. Somente os beneficiários da Justiça gratuita ou aqueles muito ricos conseguirão arcar com as custas de um processo”, explicou o presidente da OAB-MT.
 
A Ordem é entidade legitimada a propor ações diretas de inconstitucionalidade sendo, para isso, necessária a avaliação do Conselho Federal, que poderá questionar, no Supremo Tribunal Federal (STF), a validade de alguns pontos da legislação.
 
Apesar de todos os estudos já realizados, a Ordem ainda avalia minuciosamente o texto que também trouxe dispositivos importantes e que representam uma grande conquista para a advocacia, como a isenção garantida aos profissionais no pagamento das custas referentes às ações de execução dos próprios honorários.
 

2 comentários

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  • Carlos
    16 Jan 2020 às 08:03

    Brasil tem três Poderes Constituídos: Executivo, Legislativo e Judiciário, e está prestes a ter o quarto, OS ABORRECIDOS (OAB) não estão contentes com nada.

  • Edgar
    15 Jan 2020 às 16:12

    De há muito tempo o PODER JUDICIÁRIO de uma forma geral está implantando o modelo estadunidense. Ou seja, restringindo pesadamente o acesso à justiça para empurrar o "meio da pirâmide" para os Tribunais Arbitrais. Resumo da ópera: teremos um Poder Judiciário enxuto e que julgará somente casos milionários. Quem viver, verá.

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