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Quarta-feira, 01 de abril de 2020

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Vítimas de policial penal acusado de agressão se dizem amedrontadas e irão pedir à Justiça nova prisão

Da Redação - Vinicius Mendes

17 Fev 2020 - 08:13

Foto: Reprodução

O policial penal Edson Batista Alves

O policial penal Edson Batista Alves

As duas mulheres vítimas, mais recentes, do policial penal Edson Batista Alves afirmam que vivem em pânico desde que a liberdade do agressor foi concedida pela Justiça. Elas dizem que o policial penal possui um comportamento violento, já agrediu cerca de nove ex-companheiras e não deveria permanecer solto. A última vítima, que foi agredida com seu filho pequeno, disse que irá lutar para que Edson seja preso novamente.
 
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Edson está solto, mediante uso de tornozeleira eletrônica, desde segunda-feira (10). No último dia 4 de fevereiro a Justiça havia negado um pedido da defesa pela revogação prisão preventiva citando a crueldade do acusado (que agrediu e torturou a ex-companheira e o filho dela), e também o fato de que a vítima comprovou que teria sido intimidada a dizer que não tinha mais interesse nas medidas protetivas.
 
Ao analisar o novo pedido da defesa o magistrado considerou que a prisão preventiva de Edson já havia completado 81 dias e também que a vítima está residindo em Rondonópolis, a cerca de 200 quilômetros de distância do acusado. Ele também afirmou que não há perigo à vítima já que Edson estará sendo monitorado e está proibido de deixar a Comarca da Capital.
 
Uma das vítimas de Edson, porém, mora em Cuiabá. Ela foi a companheira do policial penal antes da última vítima, ainda no ano passado. Ela também foi agredida e na época Edson chegou a ser preso, mas logo foi solto e se relacionou com a última vítima. A mulher conta que foi avisada pela última vítima da soltura e também foi atrás do botão do pânico
 
“O pessoal do monitoramento ligou para ela ir buscar o botão do pânico, e querendo ou não, nós somos em nove vítimas, todas ex, aí ela me falou. Só nós tivemos o direito porque fomos as mais recentes”.
 
Ela conta que desde que Edson foi solto, tem vivido em pânico. O policial penal já afirmou que iria matá-la e só não teria cometido o crime pois foi preso após ter agredido a última vítima.

“Meu sentimento é de pânico, porque ele ameaça a gente de morte, ele falou para ela que ia me matar no dia 26 de novembro, só que ele foi preso no dia 21, porque no dia 26 nós teríamos uma audiência. Então o que eu sinto é pânico, porque ele é uma pessoa bem complicada, se puxar o histórico dele para ver... Conversei com a promotora de Justiça, e ele é bem psicopata mesmo, ele agride todas”, contou.
 
A vítima mais recente de Edson, que foi agredida junto com seu filho, disse que além de amedrontada, ficou indignada com a soltura de Edson. Ela contou que teve dificuldade em pegar o botão do pânico, já que queriam que viesse a Cuiabá para buscar o equipamento. Ela procurou a Penitenciária da Mata Grande, em Rondonópolis (a 216 km de Cuiabá), na terça-feira (11) e conseguiu retirar o aparelho.
 
“Eu fiquei muito indignada, porque eles me ligaram às 17h30 da tarde, me deram a notícia, só falaram que ele estava saindo com tornozeleira, se vira e vai atrás do botão do pânico. Eu levei um susto, achei que era trote, comecei a correr atrás para saber se era verdade e foi um desespero, fiquei muito assustada”.
 
Ela também relatou que era ameaçada o tempo todo, junto com seu filho, que segundo ela está morrendo de medo. A vítima disse que ainda não sabe se irá mudar de residência ou se esconder, mas afirmou que irá buscar seus direitos e pedir à Justiça que o policial penal seja preso novamente.
 
“Eu não sei se irei sair e me esconder, porque eu tenho que correr atrás é dele ser preso, não posso me esconder né? E ele sabe onde eu moro, não estou conseguindo trabalhar por conta dele, tenho ido em psiquiatra, tenho atestado, estou sem condições, e minha casa ele sabe onde é, tenho que tentar buscar os meu direitos”.
 
A ex-companheira de Edson também disse ter estranhado o fato dele ter sido solto sem que vítimas ou testemunhas fossem ouvidas. Ela reforça que é incontestável o risco que o policial penal oferece à sociedade estando solto.
 
“A gente estranhou muito porque já havia sido negado habeas corpus duas vezes para ele, porque o Ministério Público está batendo em cima dizendo que ele é um risco sim às outras vítimas, porque não é só uma ou duas, são várias registradas, fora as que não denunciaram. Ele é um perigo sim, à sociedade, e não pode ficar solto. Estou com muito medo, inconformada”, disse.

O caso
 

A mãe do menino relatou no boletim de ocorrências que há pouco tempo tinha vindo de Rondonópolis para Cuiabá a pedido do policial penal. Na semana em que estiveram juntos ele a impediu de ir embora e teria a agredido física e verbalmente, aterrorizando sua vida com diversas ameaças, inclusive de que mataria ela e seu filho.
 
O homem também teve o garoto como alvo, dizendo que ele era criado pela avó e que ele seria homossexual e uma pessoa imprestável. O menino acabou ferido pelo suspeito no olho direito e teve seu braço quebrado.
 
O agente penitenciário, ao ver o que teria feito, tentou limpar o olho do menino com água quente, sendo que ela respingou na barriga da criança, que teve pequena queimadura na região do abdômen. A mãe da criança também foi agredida e torturada por Edson.

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