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Quinta-feira, 09 de abril de 2020

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Ex-sócio da Telexfree é preso após determinação do STF; mato-grossenses tentam reaver dinheiro

Da Redação - Vinicius Mendes

28 Fev 2020 - 09:41

Foto: Reprodução / Ilustração

Ex-sócio da Telexfree é preso após determinação do STF; mato-grossenses tentam reaver dinheiro
O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão do empresário Carlos Nataniel Wanzeler, ex-sócio da Telexfree, empresa que responde a diversas ações no Brasil pela acusação de prejudicar consumidores por meio de um suposto esquema de pirâmide financeira. Ele foi detido pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (27), em Búzios (RJ). Vários mato-grossenses foram lesados com o esquema, sendo que alguns, inclusive, venceram ações na Justiça contra a Telexfree.
 
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O ministro aceitou pedido feito pelo governo dos Estados Unidos, onde o empresário é alvo de mandado de prisão pelo suposto cometimento dos delitos de fraude eletrônica e transações monetárias de atividade ilegal, crimes que também teriam ocorrido em operações da Telexfree naquele país. Pela decisão, o governo norte-americano terá 60 dias para fazer o pedido formal de extradição.
 
A prisão de Carlos Wanzeler foi efetivada dois dias após o STF manter a decisão do Ministério da Justiça, assinada em 2018, que decretou a perda da nacionalidade brasileira do empresário.
 
No julgamento, os ministros da Segunda Turma do STF rejeitaram recurso de defesa e entenderam que o empresário não tem mais a cidadania brasileira por ter adquirido a norte-americana, em 2009.
 
A decisão foi baseada nos termos do Artigo 12, §4º, Inciso II, da Constituição. Pelo dispositivo, é declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que adquirir outra nacionalidade. De acordo com a Constituição, se a nacionalidade tivesse sido mantida, Wanzeler não poderia ser extraditado.
 
Durante o julgamento, a defesa do empresário alegou que a nacionalidade norte-americana foi obtida por motivos familiares, diante da demora das autoridades locais em liberar o visto de imigrante para ele e sua filha. O ex-sócio da Telexfree também tinha o Green Card, visto de entrada liberada nos Estados Unidos.
 
Sobre a eventual extradição, os advogados alegam que o empresário tem o direito de responder ao processo no Brasil por ser acusado pelos mesmos fatos nos Estados Unidos. 
 
O caso
 
Em outubro de 2016, James Merril, um dos donos da Telexfree, admitiu à Justiça de Massachusetts, nos Estados Unidos da Américas (EUA), ser culpado por "fraude" e "conspiração". Merril e seu sócio brasileiro, Carlos Wanzeler, são acusados de montar um esquema de pirâmide financeira para venda do serviço de telefonia Voip que atraiu cerca de 1 milhão de pessoas. As informações são do The Wall Street Journal. Em Mato Grosso, diversas ações tramitam na Justiça. Investidores tentam conseguir ressarcimento com o fim do programa.
 
O americano confessou o esquema após um acordo os promotores para redução de pena. Ainda assim, ele poderá pegar até 10 anos de prisão e terá de devolver bens avaliados em US$ 140 milhões. O julgamento está marcado para fevereiro de 2017. Seu sócio brasileiro é considerado foragido nos Estados Unidos. Não foi informado se este valor é referente a colaboradores no Brasil.
 
No Brasil, a empresa estreou em 2012 A Telexfree oferecia ligações de longa distância mais baratas pela internet e prometia ganhos de mais de 200% ao ano para quem publicasse anúncios e trouxesse novos clientes. As investigações nos EUA apontaram que menos de 1% do que a empresa recebia vinha dos produtos de telefonia e que a empresa é um esquema de pirâmide disfarçada.
 
Em uma pesquisa rápida no site do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), a reportagem encontrou mais de 50 processos referentes à Ympactus Comercial Ltda (Telexfree), no Estado. Vários mato-grossenses venceram ações contra a empresa, sendo indenizados.
 
"É publico e notório que na apresentação do produto TELEXFREE, há promessa de altos ganhos, normalmente em pouco tempo, mas sem que haja clareza quanto a um real esforço do participante com a venda de produtos e sem que os eventuais riscos envolvidos sejam devidamente esclarecidos", escreveu a desembargadora Marilsen Addario em uma das ações.

10 comentários

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  • joana
    29 Fev 2020 às 19:11

    o povo não imaginava que era uma piramide??? fui convidada e vi que era vendido como lucro facil. Cai fora

  • josé de souza
    29 Fev 2020 às 08:09

    EU VENDI ATÉ AS CUECAS PARA ENTRAR NUMA FRIA DESSA, QUERO RECEBERO MEU QUE ESTA PRESO LÁ NO ACRE, VÁRIOS BRASILEIROS ENTRARM NUMA FRIA DESSA,TINHA QUE COLOCAR NA CADEIA OS INCENTIVADORES QUE SÃO 171 CP, AINDA FAZIAM UMA PROPAGANDA DANADA, CADEIA NELES.

  • curimbatá para zé ninguém
    28 Fev 2020 às 15:25

    desde que os amigos não tenham misturado com pó royal, pode ser feita petição. se misturou, é adulteração.

  • lucio
    28 Fev 2020 às 14:56

    tinha q prender o prefeito dessa cidade, ele sim merecia... tanta gente passando necessidades graças a ele... mas Deus ta vendo, jaja ele vai pagar por tudo oq faz.

  • ZE NINGUÉM
    28 Fev 2020 às 14:19

    EU COMPREI 80 KILOS DE COCAINA EM 2010. IRIA REVENDER PRA TRES AMIGOS QUE IRIAM REVENDER PRA 3 AMIGOS E ASSIM SUCESSIVAMENTE. MAS APRRENNDETSM A DROGA. EU PERGUNTO SE POSSO PEDIR A PRISAO DO TRAFICANTE???????? ENTENDAM COMO BEM QUISEREM. KKKKKKKKKKKKKKKKKK. PIRÂMIDE BOA SO DO EGITO ATÉ HOJE TA EM PE NAO CAIU. KKKKK

  • Nilzaine Silva Nunes Esperidião
    28 Fev 2020 às 13:37

    Infelizmente a muitos pseudo-pastores envolvidos ,que lezaram muitos irmãos.cadeia neles!!

  • @beto.mkt
    28 Fev 2020 às 13:02

    Mas rapaz, nao vao ver esse dinheiro nunca mais. o da bbom, tem 500 milhoes presos ate hoje e nada... triste...

  • Thais do o. Cabral
    28 Fev 2020 às 13:01

    Eu cai nisso. Perdi 43 mil e hoje vivo de vender jequiti e MT CAP. Era o dinheiro do investimento em uma lojinha. Enfim, eu mereci esse triste fim por ter sido ingênua.

  • curimbatá
    28 Fev 2020 às 12:48

    TELXFRIA

  • Chico Bento
    28 Fev 2020 às 11:03

    Caso seja arrecadado dinheiro desse estelionatário, deve ser para o erário público! Os "aplicadores" sabiam que era malandragem, fizeram parte do estelionato e deveriam ser presos, por crimes cometidos contra o sistema financeiro nacional.

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