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Sábado, 31 de outubro de 2020

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Crise aumenta estresse e procura por check-ups

Folha Online

17 Jan 2009 - 18:25

A crise econômica tem elevado o nível de estresse de executivos brasileiros e aumentado a procura por serviços cardiológicos e de check-up médico. O estresse, apontam os estudos, vem acompanhado de insônia, hipertensão e colesterol ruim.

Levantamento da Med-Rio, empresa especializada em check-up médico, mostra que no último trimestre de 2008 os níveis de estresse (medidos por meio das dosagens dos hormônios cortisol e adrenalina) cresceram 11 pontos percentuais (de 64% para 75%) em relação ao mesmo período de 2007. A empresa carioca realiza por mês em média 400 check-ups.

A exposição permanente a altas doses dos hormônios gerados pelo estresse pode provocar aumento da pressão arterial, taquicardia, baixa da imunidade, úlceras, infarto do miocárdio, insônia e queda do desejo sexual, segundo o diretor-médico da Med-Rio, Gilberto Ururahy, especialista em medicina preventiva.

A longo prazo, a pressão alta, cujo prognóstico é ainda pior se associada a má alimentação e falta de exercício, também pode elevar o risco de ataques cardíacos e derrames.

"A pessoa entra em um ciclo em que ela dorme mal, come mal, toma muito café, não faz exercício. Tem executivo tomando uma garrafa térmica de café por dia", conta Ururahy.

Nos trimestres analisados pela empresa, as taxas de insônia dos executivos passaram de 18% para 22%, e as de hipertensão, de 19% para 22%.

Segundo Ururahy, também tem crescido o número de profissionais que se automedicam, especialmente com ansiolíticos e hipnóticos, para induzir o sono. Os índices passaram de 12% para 16% no período analisado. O serviço de check-up do Fleury Medicina e Saúde, de São Paulo, também registrou aumento de procura após o início da crise econômica, no ano passado. Houve 43% mais clientes no último trimestre de 2008 em comparação com o mesmo período de 2007.

Uma das razões para o crescimento, na avaliação da médica Debora Stiebler, é que as pessoas, mais estressadas e conscientes de que deixaram a saúde em segundo plano, correm para checar os prejuízos. "É comum, em momentos de crise e de tensão, as pessoas deixarem de fazer atividade física, diminuírem as horas de descanso e esquecerem o café da manhã. Elas precisam lembrar que isso tem um preço", diz.

Crises mundiais

Alguns estudos já começaram a computar, de forma científica, esses prejuízos causados pelas crises econômicas ao coração ao longo da história.

Uma pesquisa da Universidade Cambridge comparou dados dos últimos 40 anos do Banco Mundial e da Organização Mundial de Saúde e concluiu que, em momentos de turbulência dos mercados, o número de mortes por doenças cardíacas sobe 6,4% nos países ricos.

Para o médico David Sruckler, chefe da pesquisa em Cambridge, nos países em desenvolvimento, o número de mortes deve ser maior por conta da preocupação das pessoas em preservar recursos economizados com dificuldade.

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