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Domingo, 08 de dezembro de 2019

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Obama se prepara para dar detalhes de plano de resgate

AE

22 Mar 2009 - 18:52

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, retornou hoje ao retiro presidencial em Camp David, nas montanhas de Maryland, enquanto se prepara para revelar os planos de recuperação do sistema financeiro. Uma pessoa próxima do presidente revelou que o plano prevê o uso de US$ 100 bilhões do contribuinte para descongelar o mercado de crédito. O governo Obama, pego de surpresa e muito criticado com a notícia de que milhões de dólares do pacote de resgate financeiro, o Tarp, foram usados para pagar bônus a executivos da seguradora AIG, vai detalhar amanhã como o Departamento do Tesouro pretende usar os US$ 100 bilhões para alavancar até US$ 1 trilhão em ativos tóxicos dos balanços dos bancos em perigo.

Christina Romer, uma importante assessora econômica de Obama, disse que o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, vai usar parte do que restou dos US$ 700 bilhões do Tarp para estimular investidores privados, incluindo grandes fundos de hedge, a comprar os ativos ruins e mantê-los até o sistema financeiro se recuperar. O governo ofereceria bilhões de dólares em empréstimos, com juros reduzidos, para financiar a compra desses ativos. Também dividiria com os compradores os riscos de uma desvalorização ainda maior desses papéis. Romer disse ainda que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) e o Federal Deposit Insurance (órgão garantidor dos depósitos dos correntistas) também injetariam mais dinheiro, mas não disse o quanto.


Romer disse que este é apenas mais um passo do governo no sentido de retirar o país da caos econômico. Ela disse não esperar que o mercado tenha a mesma reação que teve quando Geithner expôs as linhas iniciais do projeto, no mês passado. Na ocasião, as ações registraram forte queda com o desapontamento dos investidores com a falta de detalhes do plano. Obama também está se preparando para uma entrevista coletiva na terça-feira, oportunidade em que vai tentar retomar a ofensiva em sua ambiciosa agenda. Obama quer usar a pior crise econômica desde a Grande Depressão como um meio de reformar saúde, energia, educação e política tributária.


Mas Obama pode enfrentar dificuldades para ser ouvido, já que o Congresso está concentrado na discussão sobre como taxar os bônus dos funcionários da AIG e sobre a previsão de que o orçamento de Obama pode gerar déficits de até US$ 9,3 trilhões ao longo de uma década. "Eu vejo que há aqueles que pensam que esses planos são muito ambiciosos de se atingir", disse Obama neste fim de semana, via rádio e internet. "Para eles eu digo que há desafios que são grandes demais para ignorar. Eu não vim até aqui para passar os problemas para o próximo presidente ou para a próxima geração. Eu vim aqui para resolvê-los", afirmou.
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