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Quarta-feira, 21 de agosto de 2019

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Chinaglia pede punição a responsáveis por grampo contra líder do PSDB

Folha Online

08 Jan 2009 - 14:17

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), defendeu na quarta-feira que os culpados pelo grampo ilegal contra o líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal (SP), sejam identificados e punidos.

Chinaglia defendeu também o aprimoramento da legislação sobre interceptações telefônicas e ressaltou que a CPI das Escutas Telefônicas, em andamento na Câmara, deve propor alterações na lei.

Aníbal disse ontem que foi informado pela Polícia Civil de São Paulo que era alvo de uma quadrilha especializada em escutas telefônicas que age no Estado desde o ano passado. O deputado disse à Folha Online que os policiais identificaram, pelo menos, duas gravações telefônicas nas quais havia troca de informações sobre seus dados pessoais.

Indignado com a descoberta da Polícia Civil, Aníbal disse que agora quer saber todos os detalhes das investigações e identificar os autores ou autor da ordem para que ele fosse alvo das escutas.

"Quero saber quem mandou fazer a escuta, por que mandou e quais eram os objetivos dessa pessoa ou dessas pessoas", afirmou o deputado.

Segundo Aníbal, sua surpresa foi descobrir que em uma das gravações, havia registro inclusive do nome da mãe dele. 'É impressionante a facilidade com que essas pessoas descobrem informações pessoais do titular do número de telefone', disse ele.

Aníbal afirmou que o telefone grampeado era um aparelho celular utilizado por sua secretária em Brasília, responsável por fazer todas as chamadas telefônicas para ele. Segundo o tucano, a secretária já desativou o aparelho e utiliza outro número.

O tucano disse ainda que não mudou sua conduta: continua falando ao celular e também nos aparelhos fixos. Porém, o deputado afirmou que vai insistir para identificação de todos os envolvidos no esquema de escuta telefônica, descoberto pela Polícia Civil.

De acordo com o deputado, ele foi procurado por delegados da Polícia Civil de São Paulo há cerca de um mês e meio, que informaram ter desbaratado a quadrilha, integrada por policiais e funcionários de bancos e até de operadoras de crédito.

Quadrilha
A Polícia Civil de São Paulo prendeu nesta quarta-feira nove pessoas suspeitas de integrarem um esquema de grampos ilegais e quebra de sigilo bancário. Os dados eram vendidos depois. Entre os presos estão detetives, funcionários de bancos e de operadoras de telefonia. Policiais são suspeitos de participarem do esquema --forjariam autorizações judiciais de quebra de sigilo telefônico enviadas para as operadoras de telefonia.

De acordo com a polícia, detetives particulares conseguiam quebrar o sigilo bancário e telefônico das pessoas com a ajuda de funcionários de bancos e de operadoras de telefonia. Para conseguir essas informações, os detetives pagavam comissões que variavam de R$ 200 a R$ 2.000.

"O cliente contatava o detetive, que obtinha dados com funcionários de bancos e de operadoras de telefonia para depois revendê-los", disse o delegado Ruy Ferraz Fontes, da divisão de roubo a banco do Deic (Departamento de Investigações sobre Crime Organizado).
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