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Pedofilia na web preocupa menos que ''bullying'', diz pesquisa

Folha Online

14 Jan 2009 - 17:36

Uma pesquisa divulgada na terça-feira (13) aponta que a pedofilia pela internet não é um problema tão disseminado quanto se pensava. O levantamento, solicitado por uma força-tarefa de 49 procuradores-gerais dos Estados Unidos, conclui ainda que o maior problema a ser enfrentado é o "bullying" --assédio moral, que ocorre tanto pela internet, quanto na convivência social.

A pesquisa, conduzida pelo Centro Berkman para Internet e Sociedade e pela Universidade Harvard, é resultado de reuniões feitas durante um ano entre dezenas de professores universitários, especialistas em segurança infantil e executivos de 30 companhias --incluindo gigantes como Yahoo!, AOL, MySpace e Facebook. 

Segundo o jornal "The New York Times", os resultados da busca foram contrários à percepção popular dos perigos on-line --como o achado de "predadores sexuais" que atacariam em série.

A força-tarefa, intitulada "Internet Safety Technical Task Force" (Força-Tarefa de Segurança Técnica na Internet), foi encarregada de examinar o alcance de ameaças para crianças em redes sociais como o MySpace ou o Facebook, em meio ao medo generalizado de que os sites de relacionamento pudessem ser um meio utilizado por pedófilos para enganar crianças.

No entanto, o relatório conclui que o problema do "bullying" entre as crianças, tanto no mundo virtual quanto no mundo real, é um desafio muito mais grave do que a pedofilia.

Os pesquisadores analisaram dados científicos sobre pedófilos on-line e descobriram que as crianças e os adolescentes eram pouco suscetíveis à proposta sexual de adultos na internet. Nos casos registrados, diz o relatório, adolescentes já estavam tipicamente dispostos a isso devido à falta de condições em ambientes domésticos, ao abuso de substâncias ou a outros problemas.

"Os resultados mostram que redes sociais não são locais tão horríveis na internet," disse John Cardilllo, executivo-chefe da Sentinel Tech Holding, empresa que mantém um banco de dados sobre crimes de pedofilia, e que foi parte da força-tarefa.

Nem todos ficaram aliviados com os resultados, contudo. Richard Blumenthal, procurador-geral do Estado de Connecticut, ajudou a criar a força-tarefa, mas disse que não concorda com o relatório. "As crianças são procuradas diariamente na internet", disse Blumenthal. "Algumas são enganadas por pedófilos, e os resultados são dramáticos. Essa é dura realidade que desafia a estatística da investigação acadêmica presente no relatório."

Procuradores-gerais como Blumenthal e Roy Cooper, da Carolina do Norte, acusaram publicamente as redes sociais de facilitação de atividades de pedofilia, e as obrigaram a adotar medidas de prevenção contra possíveis crimes sexuais.

Outra atividade delegada aos procuradores-gerais é a avaliação de ferramentas tecnológicas que possam criar métodos de proteção às crianças na internet. Para isso, foi criado um conselho consultivo, composto por acadêmicos da área de computação e peritos forenses.
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