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Quarta-feira, 16 de junho de 2021

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Polícia Civil indiciou 31 pessoas e desarticulou 10 quadrilhas de roubos de defensivos agrícolas

Os defensivos agrícolas são alvos de quadrilhas especializadas nas modalidades roubo, furto, contrabando, adulteração e falsificação em todo o país. Em 2008, a Polícia Judiciária Civil desarticulou dez quadrilhas, cinco especializada em roubo e furto de defensivos e cinco no ramo de contrabando. Vinte e oito pessoas foram presas em operações policiais. As investigações resultaram em 31 indiciamentos, sendo 9 por contrabando, 3 por sonegação de impostos e 19 por roubo ou furto de defensivos.

Alguns indiciados respondem ainda por crime ambiental e também crimes previstos na lei dos Agrotóxicos (7.809/89). Também foram recuperados mais de R$ 1,3 milhão em defensivos roubados e furtados.

Dados da Gerência de Repressão a Seqüestro e Investigações Especiais (GRSIE), unidade que investiga e centraliza as informações dos grupos que atuam no roubo e furto de defensivos, revelam que as quadrilhas geralmente são compostas de 12 a 15 integrantes, mas apenas 3 ou 4 chefiam o “negócio”, as demais são arregimentadas. São pessoas inseridas em fazendas ou em lojas revendedoras que acabam passando informações de quando chegam os carregamentos. “Os pontos vulneráveis são as fazendas e lojas. Eles põem algum membro nas propriedades trabalhando ou buscam informações nesses locais e nas lojas”, explica.

Na operação “Prima 22”, realizada em 7 de julho pela GRSIE, um dos presos Valter Alves da Silva, o “Valtinho”, tinha uma lista de relacionamento com 14 pessoas. A operação foi a maior realizada este ano. Ao todo, foram recuperados 8 mil quilos de agrotóxicos roubados de uma loja de venda de defensivos em Primavera do Leste. Seis pessoas também foram presas em Cuiabá, Primavera do Leste, Guiratinga e Rondonópolis.

Outro criminoso procurado pela justiça, Valderly Bueno, tem uma rede de contato nacional. Ele é o maior comprador de agrotóxicos do país e alvo de todas as polícias. Conforme o delegado Luciano Inácio, “ele conhece praticamente todas as quadrilhas de roubos de defensivos do Brasil”. A quadrilha presa na “Prima22” planejava vender o produto para Valderly, mas foi presa antes.

Na última ofensiva da Polícia Civil, realizada em 15 dezembro deste ano, duas quadrilhas, também da região Sul, foram desarticuladas em Rondonópolis. A operação “Agrotóxico 2” culminou na prisão de 7 pessoas e 8 indiciadas.

PREJUÍZOS - O transporte e o uso de agrotóxicos ilegais (contrabandeados e falsificados) têm causado grandes prejuízos a estabelecimentos agrícolas de regiões produtoras, como o Estado de Mato Grosso. Os agrotóxicos ilegais geralmente são transportados e encontrados nas regiões agrícolas de sete principais estados produtores: Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Santa Catarina, Oeste da Bahia, Tocantins.

Os agrotóxicos são comprados no Paraguai por menos da metade do preço no mercado brasileiro, onde são vendidos até 30% mais baratos. O resultado é uma perda na arrecadação estimada em pelo menos US$ 100 milhões. Grupos especializados nesse tipo de crime vendem o contrabando, principalmente, para os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, maiores produtores de soja no Centro-Oeste.

Os produtos são comercializados de acordo com a produção agrícola. No plantio da soja, por exemplo, sua comercialização ocorre nos meses de setembro a outubro. É transportado entre outubro a novembro e aplicado na lavoura nos meses de novembro até 20 de dezembro. É neste período que ocorre a maioria dos roubos e furtos. Por isso, o ideal é levar o produto em pequenas quantidades para as fazendas.

Os defensivos são roubados nos períodos que antecedem as safras e durante o cultivo da soja, algodão, trigo e arroz. Devido ao alto valor agregado, principalmente herbicidas e fungicidas, são comercializados em todo o Brasil.

“Além de o produtor ficar sem o produto que é muito caro, muitas vezes é retirado na época da aplicação da fazenda, geralmente de outubro até fevereiro. O ideal é levar em pequenas quantidades”, orienta o delegado Luciano Inácio.

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