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Braço direito de Protógenes admite ter cópia de arquivos da Satiagraha e se diz vítima de perseguição

Folha Online

01 Abr 2009 - 18:53

O escrivão Walter Guerra, braço direito do delegado Protógenes Queiroz na Operação Satiagraha, da Polícia Federal, disse nesta quarta-feira em depoimento à CPI das Escutas Clandestinas da Câmara que guardou cópia de todos os arquivos da operação em sua casa. Guerra disse que fez um "backup" (cópia) das informações porque os escrivães têm como hábito, na PF, ter em mãos as informações das operações que participam.

"O backup é um procedimento da área de inteligência para subsidiar dados futuros. É uma necessidade. Isso é normal", afirmou. O escrivão disse que manteve o backup dos dados da Satiagraha em um HD (disco rígido) de um computador que armazenou as informações.

Guerra foi indiciado ao lado de Protógenes e outros três escrivães pelos crimes de violação da lei de interceptação telefônica e quebra de sigilo funcional. Todos foram indiciados pelo delegado Amaro Vieira, que investiga os vazamentos de informações da Satiagraha e a conduta de Protógenes na operação.

O escrivão disse ser vítima de "perseguição política" e argumenta não ter cometido nenhuma ilegalidade durante as investigações conduzidas por Protógenes. "Me considero uma pessoa que está sofrendo consequências por ter trabalhado honestamente, e as consequências são de fundo político. Fui indiciado porque houve acesso, por outras pessoas, de uma investigação sigilosa. Eu era subordinado e não observei nenhuma ordem ilegal", afirmou.

O escrivão foi acusado de ceder senhas de terceiros para que agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) tivessem acesso ao sistema guardião, da PF --que analisa e armazena dados de interceptações telefônicas. No depoimento à CPI, Guerra admitiu que não há regras dentro da instituição para o uso do guardião, mas não quis comentar o suposto uso das senhas.

Protegido por um habeas corpus, Guerra se recusou a responder questionamentos da CPI que pudessem produzir provas contra ele próprio. O escrivão ficou em silêncio ao ser questionado sobre a participação de agentes da Abin na Satiagraha. Ele apenas negou que Protógenes tenha investigado autoridades do governo federal, como a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e o ex-ministro José Dirceu.

"Não existe isso. Na Satiagraha, o que eu vi, foi tudo conduzido dentro da legalidade. Não havia o viés político de investigar partido A ou B", afirmou.

Guerra disse à CPI que trabalhou em São Paulo durante a Satiagraha, subordinado a Protógenes. O escrivão afirmou que sua função na operação era analisar e controlar as interceptações telefônicas executadas pela Polícia Federal --que segundo ele foram realizadas integralmente dentro da lei. 

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