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Segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Notícias / Meio Ambiente

Comunidade indígena cobra mais participação nas decisões sobre a Amazônia

Da Redação / Thalita Araújo

03 Abr 2009 - 08:52

Foto: Thalita Araújo/OD

Comunidade indígena representada no Katoomba Meeting

Comunidade indígena representada no Katoomba Meeting

O índio Almir Suruí, chefe do povo Suruí, da região do município de Cacoal, em Rondônia, esteve em um debate na tarde de ontem, no Katoomba Meeting, importante encontro internacional sobre meio ambiente realizado em Cuiabá. O líder indígena cobrou mais participação dos índios nas escolhas sobre a Amazônia.

Em discussão sobre o Pagamento de Serviços Ambientais, PSA, e outras novas ações que estão surgindo em favor do não-desmatamento, Almir comentou que os moradores das florestas, aqueles que cuidam dela durante todo o tempo, não são ouvidos e nem têm poder de participação de nada. “Nós queremos uma maneira justa de fazer uso do espaço que temos hoje. E eu to falando como brasileiro”, disse. Ele continua afirmando que ainda tem muita esperança de que seja criado um novo modelo de gestão para a floresta brasileira.

No mesmo debate, Rubens Gomes, do Grupo de Trabalho Amazônico, GTA, disse que “as oportunidades que estão aparecendo vão chegar primeiro naqueles que desmatam, e não se sabe quando e nem se vão chegar para aqueles que sempre cuidaram da floresta”.

Ele pontua que nos casos de Pagamento de Serviços Ambientais, PSA, por exemplo, até os produtores rurais ainda têm dúvidas, quanto mais os índios. “O povo da floresta está fora do contexto”, reclama. Uma das soluções apontadas por ele é que a sociedade seja cada vez mais envolvida nas discussões.

Outro índio, representante do povo Iauanauá, do Acre, também participou do debate e reclamou que assistiu a toda a programação do Katoomba, viu Blairo Maggi e os outros governadores da Amazônia conversando sobre diversos assuntos relacionados ao tema, mas, no entanto, não os ouviu falar sobre os índios nenhuma vez. “Trataram até dos ribeirinhos, e nem tocaram no nome dos índios. Fiquei indignado”, lamenta.

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