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Terça-feira, 15 de outubro de 2019

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Crise global afeta consumo de café

A entidade pondera que os atuais níveis de produção são suficientes para atender à demanda no curto prazo, mas não a um aumento de consumo no futuro. Nesse cenário, uma alta dos preços seria inevitável, sobretudo se alguns planos de incentivo ao consumo vingarem.

Valor Online

10 Abr 2009 - 11:00

Depois de alcançar US$ 15,2 bilhões na safra 2007/08, a receita que os países produtores de café obtêm com as exportações vai cair neste ciclo 2008/09 por causa da crise econômica global, informou a Organização Internacional do Café (OIC) em seminário na quarta-feira nas Nações Unidas, em Genebra. Com a crise, apontou a entidade, a taxa anual de crescimento do consumo mundial do produto, que atingiu 2,5%, em média, nos últimos anos, deverá recuar para 1,5% em 2009. Em 2008, foram aproximadamente 128 milhões de sacas de 60 quilos.

Essa queda do consumo poderá amenizar o efeito "altista" sobre os preços proporcionado pelos magros estoques globais e pelo fato de o Brasil, maior produtor mundial, ter pela frente uma safra de produção menor, como é normal a cada duas temporadas. No caso brasileiro, a OIC destacou, em todo o caso, que o fator mais importante para a receita oriunda das exportações é a taxa de câmbio. E como ela melhorou de setembro para cá, qualquer futura recuperação dos preços, ainda que restrita pela demanda menor, poderá ser melhor aproveitada do que nos tempos de real mais valorizado.

No seminário em Genebra, a entidade apontou a maior prudência das redes varejistas, a consolidação do setor, a diversificação da base de clientes dos agentes econômicos e o encarecimento das operações de hedge como os fatores que mais afetam hoje o mercado global de café.

Sobre a demanda, a OIC acredita que poderá haver quedas na Ásia e no Leste Europeu, justamente onde o consumo mais vinha aumentando. São regiões onde o consumo não está fortemente estabelecido, e a reação dependerá do tamanho do desemprego e da instabilidade econômica provocada pela crise.

Na América do Norte, na Europa e no Japão, responsáveis por 56% do consumo mundial, praticamente não há mais expansão e a situação é estável. Na crise atual, a resposta dos consumidores tem sido beber mais em casa do que nos bares e trocar cafés mais caros pelos mais baratos. Nas nações produtoras, que representam 26% do consumo global, a situação é distinta. Em alguns países, o preço do produto caiu em moeda local e a demanda foi até estimulada.

Pelos cálculos da OIC, os preços internacionais do café recuaram quase 20% desde agosto do ano passado, e estão em um níveis que não compensa investimentos necessários para a produção futura.

Apesar do declínio nos preços de petróleo e fertilizantes, a entidade sustenta que os produtores - principalmente de café arábica, de melhor qualidade - continuam a ter dificuldades para cobrir seus custos e, ao mesmo tempo, ter incentivo para investir em novas plantações.

A entidade pondera que os atuais níveis de produção são suficientes para atender à demanda no curto prazo, mas não a um aumento de consumo no futuro. Nesse cenário, uma alta dos preços seria inevitável, sobretudo se alguns planos de incentivo ao consumo vingarem.

A OIC exemplifica que Índia, Indonésia e México têm uma população total de 1,5 bilhão de pessoas, mas que seu consumo anual de café é de apenas 5 milhões de sacas. Há campanhas em curso com o objetivo de elevar esse consumo para algo entre 7 milhões e 9 milhoes de sacas ao ano até 2013.

Como tornou-se frequente, o Brasil foi novamente bastante citado pela OIC como parceiro e exemplo na busca de um consumo doméstico mais robusto e de uma economia cafeeira mais estável. Nessa frente, a entidade é firme ao promover o uso de tecnologias que protegem o ambiente. Para preservar a qualidade do café, a OIC também desencoraja o comércio do produto com menos do que o equivalente de 95% do café verde como matéria-prima básica.

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