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Terça-feira, 15 de outubro de 2019

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Sob nova direção, BB passa ao controle de Mantega

A troca de comando no Banco do Brasil foi uma vitória do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do PT, partido que desde o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentava assumir o comando do maior banco público do continente. A possível ingerência política na instituição foi rapidamente percebida pelo mercado: a cotação das ações do BB caíram 8,1% na Bovespa ontem.

Valor Online

10 Abr 2009 - 12:12

A troca de comando no Banco do Brasil foi uma vitória do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do PT, partido que desde o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentava assumir o comando do maior banco público do continente. A possível ingerência política na instituição foi rapidamente percebida pelo mercado: a cotação das ações do BB caíram 8,1% na Bovespa ontem.

Na origem da substituição de Antônio Francisco Lima Neto por Aldemir Bendine, até então vice-presidente de Novos Negócios do BB, esteve a resistência do ex-presidente em reduzir os juros nos empréstimos do banco para não comprometer os resultados da instituição.

Bendine é um nome da confiança de Mantega. Estará mais engajado nos objetivos da política econômica do governo e terá de administrar o banco sob um contrato de gestão com a Fazenda - o que Lima Neto jamais aceitou. Sua missão será colocar o BB na dianteira da redução do custo do dinheiro e da expansão do crédito.

"A redução do spread bancário, neste momento, é uma obsessão minha", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pouco antes da notícia da substituição ser confirmada por Mantega.

O destino de Lima Neto já estava selado desde fevereiro, mas a decisão só foi tomada por Lula pouco antes de Mantega embarcar para a reunião do G-20, em Londres, no início de abril. Seu enfraquecimento começou no auge da crise, em dezembro, quando o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, apresentou dados a Lula que mostravam que o BB havia aumentado os juros e os spreads mais do que os bancos privados depois que o país foi atingido pela crise financeira internacional. Pouco depois, o banco reduziu suas taxas, mas num movimento considerado insuficiente e Mantega entrou na briga defendendo cortes mais agressivos por parte dos bancos públicos.

Após várias rodadas de pequenas reduções, no fim de fevereiro os técnicos do BB concluíram que, naquele momento, os juros tinham chegado ao limite. Para diminuir mais e manter a solvência do banco seria preciso uma capitalização do Tesouro Nacional. A última foi feita em 1996, quando o BB estava em estado pré-falimentar por causa de sua utilização com fins políticos.

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