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Quarta-feira, 23 de setembro de 2020

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Brasil tem 550 cirurgias de obesidade por semana

AE

22 Mar 2009 - 08:40

Mais de 550 brasileiros se submetem a cirurgias de obesidade em uma semana, o que representa um terço das lipoaspirações - uma das mais realizadas no País. Nove em cada dez operações bariátricas são feitas pela rede particular. O procedimento salva vidas por livrar um obeso de continuar engordando e contrair doenças como diabete e hipertensão arterial.

Mas, ao lado de histórias com final feliz, floresce um mercado. Médicos operam sem necessidade e chegam a ganhar R$ 100 mil, adotando técnicas não autorizadas pelo Conselho Federal de Medicina. Pacientes engordam para que seus planos cubram o tratamento. Cirurgias têm de ser revertidas. 

Após a primeira operação, a universitária Luciana Guedes de Lima, de 31 anos, não emagrecia como deveria e uma das razões é que continuava comendo “um quilo de feijoada e 600 ml de Coca-Cola sem fazer força”. Perdeu 25 quilos em três anos, pouco para alguém com 142. Ao consultar outro médico, descobriu que seu estômago havia sido reduzido minimamente. 

Histórias como a de Luciana surgem do aumento dessas cirurgias. De 1995, quando passou a ser feita no País, até 2000, haviam emagrecido com ajuda do bisturi 2.500 brasileiros. Em 2008, só o SUS operou 3.195 pacientes; a rede particular, mais de 26 mil. Em 1998, 30 cirurgiões realizavam o procedimento. Hoje, são mais de 600 associados à Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM).

“A cirurgia vem sendo banalizada”, critica o endocrinologista Daniel Lerario, do Hospital Albert Einstein. “Há interesses comerciais, e pacientes que querem resultado rápido vão direto para o cirurgião bariátrico.” Defensor do procedimento, Lerario vê com preocupação a operação sendo feita até em pessoas que estão longe de enfrentar o problema.
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