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Quinta-feira, 23 de maio de 2019

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Caro e crescente, turismo na Antártica preocupa cientistas

France Presse

10 Jan 2014 - 19:33

O caso do navio russo encalhado durante vários dias na Antártica despertou críticas nos meios científicos e evidenciou os riscos do turismo no continente branco, acessível sobretudo aos mais abonados, afirmam especialistas.
Na semana passada, Yves Frenot, diretor do Instituto Polar francês Paul-Emile Victor, indignou-se com os contratempos sofridos pelos cientistas franceses, chineses e australianos devido às operações de resgate do navio russo "Akademik Chokalskiy".
"Não se trata de colocar a Antártica em uma redoma de vidro e mantê-la exclusivamente para os cientistas, mas é preciso que o turismo seja controlado para se ter a certeza de poder organizar ajuda em caso de problemas", declarou Frenot.
A Antártica é um dos últimos locais a oferecer a turistas ricos uma imensidão de neve e gelo, povoada por pinguins, focas e baleias.
Mas, como descobriram os passageiros do "Akademik Chokalskiy', as nevascas, os icebergs e as condições climáticas extremas podem azedar o passeio.
O caso do navio russo deve "nos lembrar de que se trata de um ambiente extremo, tanto para as expedições científicas quanto para os cruzeiros turísticos", disse Daniela Liggett, especialista em turismo na Antártica da Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia.
Sete vezes mais turistas
Em 24 anos, o número de turistas na Antártica multiplicou-se por sete, passando de 5 mil em 1990 para 35 mil em 2013, segundo cifras das operadoras de turismo.
A maioria visita o polo sul de navio e paga até US$ 11 mil dólares (mais de R$ 26 mil) por uma cabine de luxo na alta temporada, entre novembro e março.
Outros turistas admiram a vastidão de neve e gelo do alto, em voos especiais.
O primeiro cruzeiro turístico na Antártica foi realizado em 1958 e reuniu uma centena de passageiros no navio argentino "Les Eclaireurs".
Turismo de risco
O desenvolvimento do turismo neste continente virgem e frágil alarma muitos especialistas, que chamam atenção para os riscos e problemas que implica a ajuda aos navios em dificuldade.
"O isolamento é algo específico da Antártica e, se acontece algo a um navio grande, é quase impossível ajudar todos os passageiros rapidamente", explicou Daniela Ligget.
As equipes de resgate tradicionais estão a milhares de quilômetros e a ajuda costuma envolver navios de expedições científicas, que tiveram seus programas - minuciosamente preparados devido ao curto verão antártico - afetados por grandes perturbações.
O "Akademik Chokalskiy" ficou encalhado na véspera de Natal a uma centena de quilômetros da base francesa, Dumont d'Urville.
O navio quebra-gelo chinês que o socorreu também ficou preso no gelo. Os dois navios conseguiram sair da região na terça-feira passada.
O "Astrolabe", um navio francês que reabastece a base Dumont d'Urville durante o verão no Hemisfério Sul, foi requisitado por vários dias, assim como um navio científico australiano.
No navio russo havia turistas e cientistas que refaziam, um século depois, a experiência do explorador australiano Douglas Mawson. Era "uma expedição pseudocientífica", disse Yves Frenot.
Os navios de cruzeiro, que contam com o aval da Associação Internacional de Operadores de Turismo na Antártica (IAATO), costumam navegar de dois em dois para poder socorrer um ao outro em caso de dificuldade, explicou Liggett, assegurando que as embarcações zelam pelo meio ambiente.
"Eles vendem aos seus clientes paisagens, vida selvagem e um meio ambiente intacto. Têm interesse em preservar isso", afirmou a especialista.
As embarcações turísticas aplicam medidas de descontaminação para que os passageiros não deixem na Antártica espécies exógenas ou micróbios, explicou Amanda Lynnes, porta-voz da IAATO.
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