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Terça-feira, 18 de junho de 2019

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Série 3 flex será 1º BMW nacional; venda do elétrico i3 será limitada

Auto Esporte

19 Fev 2014 - 22:51

Mais vendido da marca no país, o Série 3 será o primeiro BMW nacionalizado. O modelo começa a ser produzido no Brasil em outubro próximo, na versão 320i, com o motor flex lançado no ano passado. Só a partir do ano que vem é que a montadora vai incluir na produção em Araquari (SC), sua primeira fábrica na América Latina, os modelos Série 1, X1, X3 e Mini Countryman, afirma o presidente da montadora no Brasil, Arturo Piñero.

O executivo, no entanto, não diz em que ordem esses quatro modelos serão produzidos. A montadora informa que um novo carro deverá ser introduzido à linha a cada quatro meses, aproximadamente.

O volume de produção inicial também não é revelado: a capacidade de produção de 32 mil carros ao ano, anunciada junto com a confirmação da instalação da BMW no país, não será atingida logo de cara.

Piñero diz que há condições estruturais para uma expansão em Araquari e que tudo depende do mercado, mas afirma que os planos da BMW no Brasil estão traçados até 2018.


Todos os modelos a serem nacionalizados deverão ter motor flex em algum momento. O bloco é feito na Alemanha e será “acabado” no Brasil. “Fora da Alemanha, a fundição de motor só existe na China, por causa do volume alto de carros que produzimos lá”, explica Piñero.

Além do motor, as chapas chegarão cortadas à fábrica, que ficará com as etapas de soldagem, pintura e montagem dos veículos.

A escolha dos modelos que serão feitos em Araquari foi baseada nos que a marca mais vende no país, mas Piñero não descarta que o portfólio aumente posteriormente: “Vamos produzir no Brasil o que o mercado pedir”.
2014 'sem euforia'

Apesar de ser a única até o momento a oferecer carros flex e ter plano de iniciar a produção ainda neste ano, a BMW não chegará sozinha para fabricar carros premium no Brasil. Mercedes-Benz (a partir de 2016) e Audi (2015), principais rivais, além da Jaguar Land Rover (2016), também produzirão no país. Para Piñero, isso é positivo. “A competição leva a melhorias”.

Na opinião dele, haverá mercado para esse crescimento dos carros acima de R$ 100 mil: a BMW crê que o segmento poderá dobrar em vendas até 2018 ou 2020. Para este ano, no entanto, a perspectiva é mais comedida. “É ano de Copa, tem um carnaval que neste ano é mais tardio. Acredito que o mercado premium se comportará como no último trimestre de 2013: sem euforia”.

Premium ‘completão’ ou não?

Piñero diz que não decidiu abrir a fábrica no Brasil por causa novo regime automotivo, o Inovar Auto, que incentiva a instalação de montadoras no país. Afirma que o plano já existia e foi apenas adaptado ao conjunto de regras do governo.
Para ele, o Inovar, que dá desconto em imposto para quem produzir ou incentivar pesquisa no Brasil, entre outras exigências, deverá levar a um aumento da qualidade dos carros no país. Da sua parte, o executivo promete que os BMW que sairão de Araquari terão a mesma qualidade dos alemães.

Mas eles serão tão equipados no Brasil quanto lá fora? Modelos premium recém-lançados no país, Mercedes CLA e Audi A3, deixaram de fora dos itens de série o sensor de estacionamento, conforto com o qual o dono de carros “intermediários” já está acostumado. Sem dar detalhes, Piñero diz que a BMW também trabalha com pacotes, mas também estuda oferecer alguns itens separadamente, lembrando, porém, que o preço tende a ser alto nesses casos.
Independente de pacote, explica, a ideia é conquistar o consumidor pela experiência de dirigir o carro. “Você o ganha no test-drive”, resume.
Para trazer a marca para pontos onde não tem forte presença, a BMW deverá expandir a rede, atualmente com 38 concessionárias, para perto de 70. Com o cliente ganho, a preocupação é satisfazê-lo no pós-venda. E problemas com reposição de peças, importadas, e erros de diagnóstico na revisão são os principais obstáculos a serem vencidos, segundo Piñero. O executivo diz que, atualmente, carros da marca chegam a ficar 5 dias parados nas oficinas. “Para mim, 3 dias já é inaceitável”, afirma.

Elétrico para algumas cidades
Além da inauguração da fábrica, 2014 deverá marcar a BMW pelo lançamento de seu primeiro carro elétrico de série, o i3, no país.

Piñero, no entanto, diz que o modelo, importado, não será vendido em todas as concessionárias, “só para algumas cidades”.
Compacto, com motor de 170 cavalos, o i3 é voltado especialmente para centros urbanos. Para torná-lo usável no Brasil, a montadora afirma que fará parcerias para a instalação de postos de recarga rápida, inclusive em shoppings. Atualmente há raros postos para realimentar esses veículos no país, basicamente restritos a São Paulo e Rio de Janeiro.

O presidente estima que o modelo custará mais de R$ 150 mil. “Não vai ser mais caro do que outros carros que temos em linha”. No entanto, Piñero entende que o cliente desse tipo de veículo sabe que pagará pela tecnologia empregada. “Muitos carros elétricos foram feitos a partir de modelos existentes. O i3 foi concebido como elétrico”, diz. “O problema dos carros elétricos é o peso, porque a bateria pesa muito. Para isso, fizemos um chassi de carbono e plástico. Quando o cliente quer isso, tem que pagar por isso."

O executivo não acredita, no entanto, que os carros elétricos, que não emitem gases poluentes, serão uma alternativa definitiva. “Há opções, como o diesel, que está ganhando mercado nos EUA, os híbridos (carros com motor a combustão combinado a um elétrico) e o hidrogênio”, enumera. “O hidrogênio, é o mais ecológico. Porém, um posto de recarga de hidrogênio é muito mais caro.”
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