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Terça-feira, 20 de agosto de 2019

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Harley Breakout CVO

Carro Online - Terra

19 Ago 2014 - 18:30

Esta é a custom de série mais exclusiva (e cara) que você pode comprar no Brasil

A primeira providência que tomamos ao pegarmos a CVO Breakout na garagem da Harley-Davidson, em São Paulo, foi desprovermos de qualquer timidez, afinal, é impossível passar incólume por qualquer lugar com uma moto enorme, quase totalmente cromada e com um escape que coloca para fora todo o fôlego de um poderoso motor V2 de 1 800 cm³.

A segunda providência foi “resetar o chip de pilotagem” no cérebro, já que, evidentemente, pilotar uma motocicleta de mais de 300 kg é muito diferente de andar com uma city urbana ou mesmo uma trail ou naked de média cilindrada. No caso desta CVO Breakout, temos de nos adaptar a dois ingredientes extras: à imensa distância entre eixos e à enorme largura do pneu traseiro.

Esquinas a 90° e rotatórias de raio curto são algumas das situações em que a Breakout cobra certa experiência e decisão do piloto, já que para fazê-la obedecer é necessária uma antecipação maior dos movimentos e um pouco mais de força do que estamos habituados a fazer com outras motos para vencer a resistência dos 240 mm do pneu traseiro às mudanças de direção.Mas é apenas uma questão de tempo para adaptarmos nossa pilotagem às exigências da moto e curtir as boas características deste impactante modelo, que são muitas.

Basta olhar para a CVO Breakout para notar como ela é mais baixa que outros modelos da família Softail, uma característica que traz uma inegável vantagem estética, mas que cobra seu preço em algumas questões dinâmicas. Comparando com uma Fat Boy, por exemplo, a Breakout perde curso nas suspensões (13 mm a menos na
dianteira e 30 mm na traseira) e altura livre do solo (105 mm contra 130 mm da Fat)

Na prática, isso significa que temos de ter muito cuidado com aquelas lombadas do tipo “poste deitado”, e, claro, mais atenção nas curvas fechadas, já que as pedaleiras são baixas e mais abertas que o habitual. Segundo a marca, o ângulo de inclinação máximo é de 26,2° para a esquerda e de 25,3° para a direita.

Porém, mesmo perdendo curso, as suspensões surpreendem pelo conforto. Quem vê o estilo rebaixado não imagina como esta CVO absorve as irregularidades com eficiência, o que, aliás, é uma característica das demais Softail, na minha opinião a “linhagem” Harley mais acertada nesse sentido. A posição de pilotagem, com as pedaleiras bem adiantadas, guidão largo e um assento a apenas 63 cm do chão (o que ajuda a firmar bem os pés no chão nas manobras) está longe de ser incômoda ou excessivamente forçada.

O grande efeito colateral é que apoiamos todo o peso no assento sem conseguir “aliviar” as nádegas quando percebemos que o pouco curso da suspensão não dará conta daquele buraco ou ondulação que surgiu à frente. Pelo menos o assento é excelente, e ajuda a amortecer os solavancos.

Na estrada, o longo entre-eixos e o aro 21” na frente ajudam na estabilidade direcional em retas, mas basta dar uma esticada mais forte para notar que: 1) conseguimos manter os pés na pedaleiras e a cabeça grudada no pescoço até uns 160km/h; 2) a essa mesma velocidade começamos a sentir a moto balançar um pouco demais; 3) sobra motor.
O motor Twin Cam 110B com componentes Screaming’ Eagle é uma das razões do sobrenome CVO (Custom Vehicle Operations) e proporciona um visual e performance únicos.

Considerando seus 1 800 cm³, se os pouco mais de 73 cv alcançados na roda não parecem ser algo excepcional (mas que levam a moto a quase 200 km/h), os mais de 13 kgf.m a menos de 3 500 giros o são. Força suficiente para fazer o pneu traseiro emborrachar mais de 20 m de asfalto a cada arrancada ou fazer o estômago colar nas costas em uma retomada com motor cheio... Sensação impagável!

O câmbio é preciso e possui relações bem longas, o que colabora para um consumo mais que satisfatório considerando o peso da moto e o tamanho do motor. Como em outros modelos da marca, há excesso de curso no acelerador, sendo impossível abrir 100% o acelerador sem reposicionar a mão na manopla.

Como é uma série limitadíssima, esta CVO precisa atender normas ambientais menos rígidas, e, adivinhe, isso significa que os escapes Screaming’ Eagle produzem a sinfonia no tom e no volume que gostaríamos de ver em todas as Harleys. Uma delícia. Para parar tamanha massa de aço e cromo, a CVO conta com um sistema de freios satisfatório (com ABS), mas que poderia ser melhor. Um segundo disco dianteiro não seria demais. Como em outras custom, temos de nos acostumar a apoiarmos bastante no freio traseiro e usar o máximo do dianteiro.

Seu acabamento, claro, é um dos destaques. A CVO é caprichada, mas não é nota 10 por detalhes bobos, como parafusos sem tratamento no escape. Não tem jeito, algum acessório você vai ter que comprar ou não seria uma H-D! A iluminação é toda de LED, e o farol é impecável à noite e chama muita atenção dos motoristas de outros veículos durante o dia. Tecnologia que colabora com a segurança e traz um requinte a mais. O estilo é ame ou odeie. A moto conta com uma elaboradíssimo grafismo, cromado em abundância, um chamativo filtro de ar esportivo e espetaculares rodas de alumínio do tipo turbina com 21(!) finos raios.

Depois de vários dias com a CVO passamos a entender melhor o porquê de seu preço, mas cabe a você decidir se ela vale o que custa. O que podemos dizer é: não há nada igual no segmento.

Conclusão: 7,6

Esta é uma daquelas motos que, únicas, não podem ser comparadas com nada. É é preciso ter isso em mente para entender o seu preço. Tenho certeza de que quem pagar quase R$ 100 000 em uma das limitadíssimas 30 unidades que chegaram ao Brasil jamais cogitou gastar essa pequena fortuna em outra moto. A marca no tanque, o motor único, o acabamento caprichadíssimo e dezenas de outros detalhes ajudam a elevar o seu preço, mas, verdadeiramente, é a exclusividade de ser um dos raríssimos proprietários de uma CVO Breakout o que mais pesa. Qual é o preço da exclusividade? Aí está a resposta.

Ficha técnica - Harley-Davidson Breakout CVO

Motor bicilíndrico, arrefecido a ar, OHV, 4 válvulas, Cilindrada 1.802 cm³ ; Torque máximo declarado 15,5 kgf.m a 3.500 rpm; Câmbio manual, 6 velocidades; Suspensão dianteira telescópica com 117 mm de curso; Suspensão traseira dois amortecedores com curso de 79 mm e ajuste de pré-carga (5 posições); Freio dianteiro um disco de 292 mm com pinça de 4 pistões (ABS); Freio traseiro 1 Disco de 292 mm com pinça de 2 pistões flutuantes (ABS); Pneus Dunlop D408 (dianteira) e D407 (traseira).

Medidas
Comprimento • 2 445 mm Largura • 985 mm
Entre-eixos • 1 710 mm Altura do assento • 630 mm
Capacidade do tanque • 18,9 litros
Peso cheio • 330 kg
Capacidade máxima de carga • 203 kg
Distância mínima do solo • 105 mm

Preço: R$ 98.700
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