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Segunda-feira, 20 de maio de 2019

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Trabalhadores da Volkswagen entram em greve após demissões

Auto Esporte

06 Jan 2015 - 15:47

Trabalhadores da Volswagen iniciaram uma greve na manhã desta terça-feira (6) em resposta à demissão de 800 funcionários da fábrica Anchieta, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

De acordo com a assessoria de imprensa do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, cerca de 7 mil empregados do primeiro turno aderiram à paralisação, de um total de 13 mil funcionários.

Em assembleia realizada às 7h desta terça-feira, os trabalhadores decidiram que a greve se estenderá por tempo indeterminado. O sindicato alegou que as demissões anunciadas nos dias 30 e 31 de dezembro, foram feitas de forma unilateral e sem negociação.

Em torno de 11 mil voltavam esta semana de uma licença remunerada de quase 30 dias.

No ano passado, as exportações foram prejudicadas com problemas na Argentina. Além disso, o Gol, modelo mais popular do Brasil há 27 anos, perdeu o reinado para o Fiat Palio no ano passado, conforme divulgado pela federação dos concessionários, a Fenabrave, nesta terça.

Tudo isto fez com que a produção encolhesse 15%, segundo a Volkswagen. Desde 2012, o governo brasileiro ofereceu incentivos tributários para o setor, por meio de desconto no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Em troca, as fabricantes deveriam manter o nível de emprego.

"Há um Acordo Trabalhista vigente desde 2012, que foi estabelecido em premissas de mercado e vendas que infelizmente não se confirmaram. Quando o acordo foi firmado, após anos de crescimento, a perspectiva era que a indústria automobilística atingisse a marca de praticamente 4 milhões de unidades em 2014. O que ocorreu de fato foi uma retração para 3,3 milhões", explica a Volkswagen.

Anchieta

A planta na região metropolitana de São Paulo foi a primeira da Volkswagen fora da Alemanha e foi inaugurada em 1959. Com aproximadamente 13 mil funcionários, o local é responsável atualmente pela produção dos modelos Gol, Polo, Polo Sedan, Saveiro e Saveiro Cross.

De acordo com a empresa, a unidade tem um nível de remuneração médio acima dos principais concorrentes, inclusive os que estão instalados na mesma região. "As premissas de reajustes salariais que foram definidas com o objetivo de aumentar a competitividade da Anchieta infelizmente têm distanciado a companhia de suas principais concorrentes (que realizaram reajustes menores com base no cenário dos últimos 2 anos)."

Negociação
De acordo com o Sindicato dos metalúrgicos do ABC, a empresa já havia dito que há um excedente de 2 mil trabalhadores na fábrica. Em dezembro, os trabalhadores rejeitaram proposta de mudanças em acordo com a companhia que previa estabilidade de emprego na unidade até 2016.

Segundo a Volkswagen, as conversas com o sindicato foram de julho a novembro, mas não houve acordo. A proposta da fabricante incluía programas de demissão voluntária com incentivo financeiro e “desterceirizações” temporárias para alocar de parte do excedente de pessoal, além de trazer perspectiva de novos produtos para a fábrica.

"Mas é claro que são necessárias contrapartidas para compensar os custos destas medidas, motivo pelo qual foram modificados os conceitos de reajuste de salários e participação nos resultados, mas com formas de compensação aos empregados, e com possibilidade de planejamento e maior tranquilidade para todos. Lamentavelmente, houve a rejeição da proposta em assembleia realizada em 2 de dezembro", afirmou a empresa em nota.

Novo chefe

Desde 1º de janeiro, a Volkswagen do Brasil tem um novo presidente. Após 7 anos na liderança, Thomas Schmall deixou o cargo para assumir um posto no conselho da marca na Alemanha. Quem ocupou o cargo é David Powels, que chefiava as operações na África do Sul. Powels já trabalhou no Brasil, de 2002 a 2007, e chegou a exercer a função de vice-presidente de finanças e estratégia corporativa.
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