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Sábado, 21 de setembro de 2019

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Obras do VLT podem colocar em risco segurança de pousos e decolagens no Aeroporto de Cuiabá

Da Redação - Wesley Santiago

15 Fev 2015 - 11:03

Foto: Reprodução

Estação foi construída em frente a uma das cabeceiras da pista do aeroporto

Estação foi construída em frente a uma das cabeceiras da pista do aeroporto

As obras do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) na avenida João Ponce de Arruda, em Várzea Grande (região metropolitana de Cuiabá), não estão de acordo com os padrões e poderão interferir na operação de pousos e decolagens do Aeroporto Internacional Marechal Rondon, localizado no município. Os serviços neste local já foram finalizados pelo Consórcio VLT. As informações são do jornal Diário de Cuiabá.

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A avaliação foi feita pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), que é vinculado ao Ministério da Defesa e ao Comando da Aeronáutica. O laudo, que foi entregue a extinta Secopa (Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo) em setembro do ano passado, reprovou os projetos da Estação Couto Magalhães, de uma subestação de energia de 4.7 megawatts e da rede de catenárias – postes que fornecem energia para os vagões – que ficam próximas a cabeceira da pista do aeroporto.
 
“A Aeronáutica emitiu parecer desfavorável à implantação do trecho norte da infraestrutura para o VLT (...) em função de efeito adverso à segurança e a regularidade das operações aéreas e prejuízo operacional inaceitável”, disse em nota a Aeronáutica. Quando o Decea recebeu os projetos, as obras já estavam em andamento ou concluídas.
 
De acordo com o laudo, as estruturas de alimentação elétrica do novo modal, se mantidas onde estão, irão causar interferências perigosas no sistema conhecido como DME (sistema de rádio que auxilia na navegação aérea durante a aproximação da aeronave no aeroporto). Também foi apontado que a altura das catenárias e da própria estação de passageiros é inadequada.
 
Com isto, a manutenção das construções irá interferir na chamada rampa de aproximação das aeronaves. Para que não haja problemas com os pousos e decolagens, seria preciso deslocar a cabeceira da pista cerca de 300 metros à frente da posição atual. Porém, tal medida reduziria o tamanho da pista em 13%.
 
Através de sua assessoria de imprensa, o Gabinete de Projetos Estratégicos (GPE) informou que aguarda a apresentação de alternativas por parte do Consórcio. Entre as opções, estariam o rebaixamento da fiação e a remoção da estação de passageiros Couto Magalhães e da subestação de energia número 2. O Consórcio VLT não foi localizado para comentar sobre o assunto.

Vale lembrar que várias irregularidades foram constatadas nas obras de implantação do VLT em Cuiabá e Várzea Grande. O Olhar Direto tem publicado diversas matérias relatando os problemas em diversas construções realizadas pelo Consórcio VLT. A estimativa do Governo do Estado é que o novo modal possa custar R$ 1,8 bilhão aos cofres públicos.

18 comentários

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  • Abner
    22 Fev 2015 às 11:43

    Parar o VLT seria um retrocesso, se há irregularidades, que sejam resolvidas e os culpados responsabilizados.

  • Daniel Pereira
    16 Fev 2015 às 12:44

    Que tristeza acho que essa cidade tem estigma de provinciana, nunca será uma capital moderna e visionária, estava na cara do gol para entrar na modernidade e erra o chute, optar pelo BRT é retrocesso.

  • antonio carlos
    16 Fev 2015 às 01:26

    Para esses que dão uma de entendidos, "rampa de descida, interferência em DME" e outras baboseiras, deveriam se informar melhor. Basta fazer uma pesquisa nos aeroportos do mundo, via Google, e verão que isso que dizem sobre segurança é tudo bobagem. https://www.youtube.com/watch?v=gQP_p_GIllI https://www.youtube.com/watch?v=PywSDOYJS2c https://www.youtube.com/watch?v=l3SW_hVdLsQ E vejam que os pilotos decolam e pousam numa boa. Isso é mais um pau na estrada do VLT para favorecer os interesses do governo e seus financiadores.

  • antonio carlos
    16 Fev 2015 às 01:16

    Estranho, em Porto Alegre tem situação semelhante, muito mais tráfego aéreo e nada se fala. Aqui é Pedro Taques apoiando o cartel do combustíveis e dos pneus. Viva Mato Grosso e o interesse dos seus governantes, não do povo! Bem feito para esses que votaram nele e vão viajar no atraso, ônibus.

  • Dario
    15 Fev 2015 às 20:12

    A questão da altura das edificações citadas é estranha, pois já haviam outras mais altas nas imediações, como uma choperia e as próprias caixas dágua do aeroporto. Em relação a interferência eletromagnética nos dispositivos de pouso por instrumentos, desde o início todos sabiam que a linha seria energizada. Por que o governo federal não exigiu os afastamentos e/ou embargou as obras no inicio da execução? Tudo muito mal explicado, acham que o povo é bobó xera-xera...

  • Carlos Eduardo Fortes
    15 Fev 2015 às 19:56

    O Paulo Roberto tem razão, não devemos esquecer dos lobbys das empresas fabricantes de caminhões, de autopeças, de pneus e distribuidoras de combustíveis que sempre agiram na surdina (usando um cuiabanês como o nosso governador gosta) para impedir a vinda da ferrovia até Cuiabá. Estas empresas adoram estradas longas e esburacadas onde os pneus e peças se quebram e ainda se consomem litros e mais litros de gasolina, álcool e diesel para levar as cargas. Mas até agora o nosso governador só fica falando cuiabanês e nem age para colocar os responsáveis no xadrez.

  • landolfo
    15 Fev 2015 às 18:19

    Para um pouso que já passa sobre um posto de gasolina que está ali a quanto tempo...qual o problema??

  • Juca do Pequi
    15 Fev 2015 às 17:01

    Mais uma para emperrar ainda mais as obras do VLT! Agora pergunto, a SECOPA não pediu laudo do DECEA antes? E por que o DECEA não viu antes? Os dois estão errados!

  • De olho
    15 Fev 2015 às 16:41

    Lauro... O Pão de açúcar no Rio de Janeiro é uma situação totalmente diferente desta. Lá, há a possibilidade de se contornar ele, aqui, a estação fica na chamada RAMPA DE DESCIDA que é a altura determinada em que a aeronave tem e estar durante o pouso. A matéria também fala que podem haver interferências no sistema DME, que é através de ondas de rádio e ajudam o piloto na hora do pouso. Então há risco sim e pra terminar... quem deu este parecer não foi o Taques e sim o DECEA!

  • paulo
    15 Fev 2015 às 16:09

    usando a tática suja de dizer que o VLT tem risco é perigoso e inviável , exatamente para abortar o prosseguimento do modal . isso é sacanagem , vamos terminar o projeto e pronto nada de mudar coisa nenhuma Para a merda do BRT , ja ta cheirando mafia dos combustíveis,

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