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Quarta-feira, 10 de agosto de 2022

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Vítima do massacre em Orlando conta como sobreviveu ao ataque

"Eu sou o próximo, estou morto", pensou Angel Colon, sobrevivente domassacre na boate gay Pulse, em Orlando, quando ouviu o atirador Omar Mateen se aproximar. Após ser baleado nas pernas, o jovem fingiu-se de morto e conseguiu, por pouco, escapar do homem que atirava incessantemente nas pessoas à sua volta.

Nesta terça-feira, Colon descreveu o terror que passou no último final de semana, durante uma coletiva de imprensa junto a outros sobreviventes e funcionários do hospital Orlando Health. Colon e os amigos estavam se despedindo na boate, por volta das 2 horas da manhã, quando ouviram os primeiros sons de tiro, que continuaram sem parar na sequência. Ele conta que começou a correr, mas logo foi baleado três vezes na perna e caiu no chão. "Eu não conseguia mais caminhar. Só conseguia ouvir tiros, um após o outro, além de pessoas gritando e pedindo ajuda", descreveu.

Deitado da casa noturna em meio a diversos corpos, Colon achou que estava finalmente seguro quando o atirador se afastou para outra parte do estabelecimento. Porém, em seguida, ouviu os tiros se aproximando novamente. "Ele estava atirando em todo mundo que já estava morto no chão, se certificando de que não estavam vivos", relatou o jovem. "Eu consegui espiar, olhei para cima e vi ele atirar na menina ao meu lado". Foi neste momento que Colon achou que não tinha mais chances de sobreviver.

Por sorte, Mateen mirou a cabeça do jovem, mas acertou sua mão e depois o seu quadril. "Eu só fiquei lá, deitado, para que ele não soubesse que eu estava vivo. Ele continuou atirando em todos por mais 5 ou 10 minutos", contou a vítima. Colon foi resgatado alguns minutos depois, quando a polícia matou o atirador e invadiu a boate. "Nesse momento eu não sentia dor, mas sentia todo aquele sangue em mim, meu e de outras pessoas. O policial me largou na rua e eu via corpos por todos os lados", descreveu.


Emocionado, Angel Colon agradeceu à equipe do hospital por ter salvo sua vida e pelo tratamento atencioso desde o massacre, que matou 49 pessoas e feriu outras 53. De acordo com o cirurgião Michael Cheatham, seis pessoas continuam internadas em estado grave e o número de vítimas pode aumentar nos próximos dias.

'Sofreram demais' - A sobrevivente Patience Carter também esteve frente a frente com Mateen, quando ele invadiu o banheiro no qual se escondia com outros frequentadores da boate. A jovem negra conta que o atirador se dirigiu diretamente a ela e outro homem que estava a seu lado, também negro, e perguntou se haviam "outros de vocês aqui". "Vocês sabem, eu não tenho problema com pessoas negras. Isso é sobre o meu país. Vocês já sofreram demais", disse Mateen . O atirador era cidadão americano, mas tinha origem afegã.
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