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ONU: paralisia política agrava crise de refugiados e prejudica trabalho de organizações humanitárias

NaçõesUnidas.org

26 Jun 2016 - 23:44

Foto: ACNUR / G. Welters

O jovem Abdu fugiu da Síria e chegou à Alemanha, onde frequenta o jardim de infância em Wächtersbach.

O jovem Abdu fugiu da Síria e chegou à Alemanha, onde frequenta o jardim de infância em Wächtersbach.

Nesta segunda-feira (20) – Dia Mundial do Refugiado –, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, fez um apelo aos países para que compartilhem responsabilidades e combatam o ódio e a xenofobia contra migrantes e refugiados. Morte de refugiados no Mediterrâneo é “um testemunho trágico do nosso fracasso coletivo” em lidar com sofrimento dos que fogem da guerra e violência.

Para o alto comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, “líderes mundiais não podem mais assistir passivamente tantas vidas serem desnecessariamente perdidas”.

O espírito de responsabilidade compartilhada entre os países para lidar com a atual crise de deslocamento forçadofoi substituído por uma narrativa de intolerância, carregada de ódio e xenofobia, alertou o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, nesta segunda-feira (20) — Dia Mundial do Refugiado.

O chefe da ONU destacou que “no final de 2015, havia 21,3 milhões de refugiados, 3,2 milhões de pessoas no processo de busca de asilo e 40,8 milhões de pessoas internamente deslocadas dentro de seus próprios países”.

Segundo o dirigente máximo das Nações Unidas, a data mundial é uma ocasião para “fazer um balanço do impacto devastador da guerra e da perseguição na vida das pessoas forçadas a fugir e honrar sua coragem e resiliência.”

“É também um momento para prestar homenagem às comunidades e Estados que recebem e acolhem essas pessoas, muitas vezes em regiões fronteiriças remotas afetadas pela pobreza, instabilidade e subdesenvolvimento, e longe da atenção internacional.”

Ban Ki-moon ressaltou que nove em cada dez refugiados vivem hoje em países de média e baixa renda perto de situações de conflito. Um levantamento publicado nesta segunda-feira pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) aponta que, dos 65,3 milhões de indivíduos forçadamente deslocados até o final de 2015, pouco mais de 1 milhão havia chegado à Europa pelo Mediterrâneo.

“Milhares não conseguiram chegar — um testemunho trágico do nosso fracasso coletivo de atender devidamente à sua situação”, lamentou o secretário-geral.

“Enquanto isso, uma retórica política discordante em questões de asilo e migração, a crescente xenofobia, e as restrições ao acesso ao asilo tornaram-se cada vez mais visíveis em determinadas regiões, e o espírito de responsabilidade partilhada foi substituído por uma narrativa de intolerância, carregada de ódio.”

“Com a retórica antirrefugiados tão forte, às vezes é difícil ouvir as vozes de boas-vindas. Mas estas existem, em todo o mundo. No ano passado, em muitos países e regiões, assistimos a uma onda extraordinária de compaixão e solidariedade, quando pessoas e comunidades comuns abriram as suas casas e os seus corações aos refugiados”, lembrou Ban.

O chefe da ONU afirmou ainda que a Assembleia Geral realizará, no próximo dia 19 de setembro, uma reunião de alto nível para abordar os grandes movimentos populacionais. De acordo com o chefe da ONU, esta será uma oportunidade histórica para se chegar a um pacto global, com um compromisso com a ação coletiva e uma maior responsabilidade compartilhada com os refugiados e migrantes.

Também por ocasião do Dia Mundial, o alto comissário das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi, ressaltouque “as números, a complexidade e duração dos conflitos de hoje significam que o deslocamento forçado atingiu um nível sem precedentes desde a fundação da própria ONU”.

“Ao invés de dividir responsabilidades, nós vemos fronteiras sendo fechadas. Em vez de vontade política, existe paralisia política. Organizações humanitárias como a minha acabam tendo que lidar com as consequências, enquanto ao mesmo tempo lutamos contra as dificuldades para salvar vidas com orçamentos limitados.”

Para Grandi, “os líderes mundiais não podem mais assistir passivamente tantas vidas serem desnecessariamente perdidas”.

“Devemos ser inteligentes para encontrar soluções que ajudem os refugiados. Temos de encontrar meios humanos e dignos para garantir que os refugiados não arrisquem suas vidas e a de suas famílias, recorrendo a traficantes sem escrúpulos ou se valendo de barcos frágeis em uma tentativa de alcançar a segurança.”

Na semana passada, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) lançou a campanha global #ComOsRefugiados. O objetivo é mobilizar apoio público para uma petição que apela aos governos por ações em prol das pessoas forçadas a se deslocar por causa de guerras e conflitos. O documento será aos Estados-membros antes do encontro de alto nível da Assembleia Geral da ONU.

Por mês, 450 pessoas perdem a vida no Mediterrâneo

Às vésperas do Dia Mundial, o secretário-geral foi à Grécia, onde visitou a ilha de Lesbos — porta de entrada ao continente europeu para milhares de refugiados — e reuniu-se com primeiro-ministro do país, Alex Tsipras.

Notando que, todos os meses, 450 pessoas perdem a vida no Mediterrâneo — o equivalente a dois aviões de passageiros transcontinentais completos —, o chefe da ONU pediu que a comunidade internacional faça mais para resolver os conflitos e para lidar com os fatores que causam tanto sofrimento e revolta, além de solicitar aos Estados europeus que respondam com uma abordagem baseada nos direitos humanos.

“Detenção não é a resposta”, disse o secretário-geral. “Isso deve acabar imediatamente. Vamos trabalhar juntos para assentar mais pessoas, fornecer caminhos legais, bem como oferecer melhor integração aos refugiados. Reconheço as dificuldades. Mas o mundo tem a riqueza, a capacidade e o dever de responder a esse desafio.”
"Apesar dos problemas econômicos
que o país enfrenta, a Grécia
tem sido generosa salvando vidas".

O dirigente máximo das Nações Unidas reconheceu ainda as contribuições importantes da Grécia para a ONU através da agenda internacional e agradeceu ao povo grego pela cidadania global.

“Hoje, eu conheci refugiados de alguns dos lugares mais conturbados do mundo. Eles viveram um pesadelo. E o pesadelo não acabou. Mas aqui, em Lesbos, eles encontram um alívio da guerra e perseguição”, acrescentou Ban, observando que os habitantes da ilha abriram suas casas, corações e carteiras para apoiar as pessoas em necessidade.

“Apesar dos problemas econômicos que o país enfrenta, a Grécia tem sido generosa salvando vidas”, enfatizou Ban Ki-moon.
 

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