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Risco-Brasil cai abaixo de 300 pontos após 11 meses

O Financista via Terra

12 Jul 2016 - 19:13

Nesta terça-feira (12), o risco-país do Brasil recuou ao menor patamar em 11 meses. Durante a tarde, o CDS de cinco anos chegou a ser negociado a 296,683 pontos. Trata-se da primeira vez, desde 4 de agosto do ano passado, que o papel é cotado abaixo dos 300 pontos, segundo a Bloomberg.

O CDS (Credit Default Swap) é uma espécie de seguro contra o calote de dívidas públicas ou privadas. Quanto maior a pontuação, maior é o risco atribuído ao tomador de recursos. "O que está puxando o CDS é, fundamentalmente, o câmbio", explica Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset. Isto porque o CDS, mesmo sendo um mecanismo de defesa de juros, não possui lastro em outros títulos, como é o caso do Embi (Emerging Markets Bond Index), criado pelo JP Morgan para acompanhar o retorno de títulos de dívidas dos emergentes.

Não é por acaso, também, que a oscilação do CDS brasileiro possui uma grande correlação com a curva do câmbio, com picos e vales coincidentes. Em 28 de setembro do ano passado, por exemplo, o CDS atingiu sua cotação máxima neste período de 11 meses: 533 pontos. No mesmo dia, o dólar fechou com o segundo maior valor de venda daquele mês: R$ 4,1095.

Por isso, a principal variável que mede o humor dos investidores com o Brasil (e de outros emergentes) é a cotação da moeda. "É no câmbio que deságua todas as expectativas", diz Vieira. Assim, em linhas gerais, as variáveis que ditam o comportamento da taxa também ajudam a entender o risco-país.

Gangorra

No cenário interno, a mudança de governo (ainda que interino) e os primeiros passos do ajuste fiscal aumentaram a boa vontade dos investidores em relação ao Brasil, a ponto de muitos economistas preverem uma queda ainda maior do dólar se for confirmado o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff - algo que deve ocorrer em agosto ou início de setembro.

Já o cenário externo é mais ambíguo, a começar pelos Estados Unidos. Em junho, a criação de 287 mil vagas de trabalho surpreendeu os analistas, que esperavam 180 mil. De um lado, isso deixou os investidores animados com os sinais de que a maior economia do planeta pode estar mais saudável do que se pensa. Isso pode estimular investimentos de empresas norte-americanas no Brasil e elevar nossas exportações para lá. Pontos positivos que derrubariam ainda mais a cotação do dólar e, por tabela, o nosso risco-país.

De outro, aumentou a preocupação dos bancos centrais de outros países (incluindo o do Brasil) com uma eventual antecipação da alta da taxa de juros norte-americana, dada a aceleração da atividade. Isso criaria o famoso "voo para a qualidade" (fly to quality), com investidores de todo o mundo vendendo suas posições em outros mercados para aplicar nos Estados Unidos. Essa saída de recursos tende a pressionar o dólar para cima e, em decorrência, o risco-Brasil pode subir.

Mas a situação é tão nuançada, que mesmo esse cenário primariamente desfavorável ao Brasil pode se reverter a nosso favor. "Isso pode criar uma disposição maior dos investidores ao risco", diz Vieira. Isto porque, com posições montadas em um porto seguro (os EUA), ficaria mais fácil para o mercado ousar em outras vizinhanças.

Só Deus sabe

Qual dessas duas tendências deve prevalecer? A resposta mais sincera é: não dá para arriscar. "É um contexto muito difícil de prever, inclusive porque ainda precisamos ver o desfecho do Brexit", afirma Vieira.

De concreto, Vieira não espera nenhum grande movimento do Banco Central para impedir a desvalorização do dólar. "Eles estão fazendo uma gestão muito técnica e muito inteligente da moeda", afirma o economista, que prevê um câmbio médio neste ano de R$ 3,38. Com o detalhe de que o BC não dispõe, hoje, de outro instrumento para conter a inflação, além do câmbio. Assim, para fazer os preços convergirem para a meta, é possível que deixe também a moeda cair mais. E, com ela, o risco-Brasil.

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