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Quarta-feira, 23 de setembro de 2020

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Garçons faturam até R$ 7 mil com gorjetas dos turistas na Olimpíada

Patrícia Teixeira Do G1 Rio

18 Ago 2016 - 18:17

Quitação de carro, reforma na casa, investimento em cursos e uma bela viagem ao Ceará. Esses e muitos outros planos estão sendo feitos por garçons de bares do Rio por conta da gorjeta caprichada – além dos 10% usuais sobre o valor da conta – que têm recebido dos estrangeiros, hospedados na cidade para a Olimpíada.

Bares lotados, consumo acima das expectativas e uma gorjeta que faz qualquer pessoa abrir um largo sorriso. Em alguns estabelecimentos da Lapa, de Copacabana e do Leblon, visitados pelo G1, garçons estimam arrecadar até R$ 7 mil só com a famosa "caixinha", até o final da Paralimpíada – que acontece entre 7 e 18 de setembro.

Foi difícil fazer Pedro Araújo, mais conhecido como Juninho, do Bar Jobi, no Leblon, parar cinco minutos para dar entrevista. Conhecido por lá como "garçom simpatia", Juninho é um dos funcionários que mais ganham gorjetas e também um dos mais assediados.

"Atendo a mais de cem gringos por dia, eles são mão aberta, sabem gratificar bem a gente. Mas eu fico feliz mesmo de poder atendê-los e não me incomodo quando não recebo. Mas, claro, que a gente gosta de ganhar um dinheirinho a mais", conta Juninho, que trabalha há 22 anos no bar e é amigo de vários clientes.

Segundo o garçom, a gorjeta extra tem variado de R$ 10 a R$ 50 por estrangeiro. Um crescimento de mais de 100% comparado a meses anteriores. "Hoje mesmo ganhei R$ 150 de uma única pessoa".

Se tudo der certo, Juninho quer chegar aos R$ 7 mil, que colocou como meta. "Quero levar minha mulher e meus filhos para uma viagem para o Ceará", revelou o veterano na arte de servir bem o freguês.

Edimar Pinto, figura conhecida no Bar Belmonte do Leblon, está sorrindo à toa. Segundo ele, a gorjeta está chegando a mais de R$ 700 por semana.

"Para tirar esse valor antes da Olimpíada, a gente precisava trabalhar quase dois meses", indicou Edimar, que espera arrecadar R$ 4 mil e, com o dinheirinho extra, viajar para a Região dos Lagos, no estado do Rio, por uma semana.

Apesar de Edimar eleger os americanos como os mais generosos na hora gorjeta – uma unanimidade entre os garçons ouvidos pelo G1 –, foi um mexicano que lhe deu a maior caixinha: R$ 140. 

Ricardo Araújo, também do Belmonte do Leblon, quer pegar parte do dinheiro que ganhar para comprar uma casa no Pavão-Pavãozinho, em Copacabana.

"Estou tirando R$ 650 por semana, antes não chegava a R$ 200 [um crescimento de 250%]. Todos os garçons contam com esse dinheirinho da gorjeta. Teve um dia que ganhei R$ 200 de um americano", contou.

Em Copacabana, Luiz Martins, do Rota 66, diz que vai usar o extra no seu orçamento para reformar a casa. "Vou mudar o banheiro, não aguento mais minha mulher reclamando no meu ouvido", divertiu-se.

De acordo com Luiz, as duas últimas semanas foram as melhores em termos de movimento. "Estou esperando até R$ 5 mil [a mais] e creio que vou atingir a meta."

O carrinho branco, ano 2006, do garçom Mark Silva, do Leviano Bar, na Lapa, vai poder ser quitado graças à "gorjeta olímpica", diz ele. "Faltam 22 prestações, mas acho que vou conseguir quitar quase tudo", comentou Mark, calculando receber R$ 4 mil até o fim dos Jogos Olímpicos.

"Os americanos adoram dar caixinha. Acho que é da cultura, o dólar em alta, eles vieram com muito dinheiro e a conta sai barata para eles. Um gringo consumiu quase R$ 1 mil só de shots[pequenas doses] de licor [cada dose custa R$ 22,90]", justificou Mark.

Charles Souza, do Bar da Boa, na Lapa, não mirou tão alto. Pretende receber até R$ 2 mil, que serão investidos em sua capacitação. "Quero fazer cursos de idiomas para atender melhor os clientes, quero investir essa quantia extra para me profissionalizar."

Renda de US$ 1,8 bi
De acordo com a Riotur, a cidade do Rio recebeu cerca de 350 mil estrangeiros para a Olimpíada e 650 mil turistas brasileiros. A renda gerada pelos cerca de 1 milhão de visitantes é de US$ 1,8 bilhão – o equivalente a R$ 5,7 bilhões.

Para atender a demanda, o bar e restaurante Galeto Sat's, em Copacabana, contratou sete garçons extras, que reforçarão o time da casa até o fim da Paralimpíada. De acordo com o caixa Eliésio Rodrigues: "Só assim conseguiriam atender os turistas sem prejudicar o atendimento".

"Durante a parte do dia, a gente recebe cerca de 300 pessoas, sendo 60% de estrangeiros. A frequência à noite é maior", explicou Eliésio. Ainda segundo ele, faturamento do restaurante – que teve até garçom carregando a tocha olímpica – teve aumento de 50%. "Superou as expectativas."

Consumo até 50% maior
Dados da Sindicato dos Garçons, Barmans e Maîtres do Estado do Rio de Janeiro (Sigabam) indicam que o consumo nos bares e restaurantes do Centro e da Zona Sul aumentou de 35% a 50%, números representados por clientes do exterior.

Por conta dessa movimentação extra, houve também uma média de 30% de contratações de empregos temporários, boa parte delas de garçons.

'São merecedores'
Para José Soares, vice-presidente do Sigabam, o índice de gorjeta registrado pelos garçons está acima da média. Ele justifica, no entanto, como uma "grata surpresa".

"A coisa da caixinha já era bastante esperada, é uma tradição mundial. Além dos 10% da taxa de serviço, os turistas ainda deixam uns valores na mão dos garçons. Esse índice relatado pelos garçons é uma surpresa boa, pois está acima do esperado, mas sabemos que eles são merecedores, pela simpatia e pela assistência que dão", festejou José Soares.

 

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