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Mãe busca informações da filha que sumiu há 1 mês: 'Perdi até o emprego'

Caio Gomes Silveira Do G1 Itapetininga e Região

23 Ago 2016 - 18:06

Após percorrer 390 quilômetros em busca da filha de 13 anos que fugiu com o namorado, a moradora de Itararé (SP)  Maíra Almeida Pinho, de 31 anos, contou em entrevista ao G1 que perdeu o emprego por conta das viagens. A adolescente Caroline Pinho está sumida desde o dia 23 de julho deste ano, quando saiu de casa com o namorado Fábio Welligton Brizola, de 19 anos. O casal teria fugido porque a mãe da garota não aceitava o relacionamento e havia decidido mudar de cidade com a família. Após um mês de sumiço, a Polícia Civil, que foi acionada pela mulher, ainda segue sem pistas sobre o paradeiro da adolescente.

“Sou cuidadora de idosos e os chefes deram dez dias para que eu cuidasse desse problema pessoal. O prazo acabou entre 8 e 12 de agosto, mas como não voltei ao trabalho, eles colocaram outra pessoa no meu lugar. Estou atrás de outro emprego, porque tenho outros dois filhos, uma menina de 12 e um menino de 7 anos, que dependem de mim. Como não tinha carteira assinada, estou vivendo com a ajuda financeira do meu irmão”, diz ela.

No dia 5 de agosto Maíra contou, em entrevista ao G1, que havia percorrido 278 quilômetros nas viagens de ida e volta à Itapeva (SP), a 57 quilômetros de Itararé; Sengés (PR), a 26 quilômetros; e Jaguariaíva (PR), a 56 quilômetros de Itararé. Após a data, ela ainda fez mais uma viagem no dia 20 de agosto para Jaguariaíva (PR), somando mais 112 quilômetros no trajeto de buscas à filha, resultando em 390 quilômetros.

“Fui para as cidades de ônibus, dormi na casa de familiares e amigos e sempre voltava no dia seguinte. Nas cidades procurei por ela a pé e sem rumo. Mas sem sucesso”, lamenta.

'Dói'
Enquanto a filha não volta, Maíra convive com as dores da saudade e da decisão tomada por Caroline. “Me dói mais do que se ela fosse sequestrada, porque sei que ela saiu com as próprias pernas, por escolha dela. O tempo vai aumentando e já começo a pensar em coisas ruins. Se ela pudesse ler isso pediria que ela pelo menos me ligasse”, revela.

Ainda segundo a mãe, ela não vai desistir de encontrar a filha. “Mas não vou desistir de continuar procurando ela. Não dá para ficar em casa esperando ela aparecer. Só sei que os dois estão sendo ajudados por alguém da família dele, porque saíram só com a roupa do corpo e ele não iria buscar emprego sendo que é procurado pela polícia”, acredita.

Além de Caroline, Maíra é mãe de uma garota de 12 anos e um menino, de 7. “As duas meninas eram muito ligadas a ela e iam para escola juntas. Então, a irmã sente muita falta dela. Muita gente diz que eu deveria ter aceitado o relacionamento dos dois, mas eu não poderia ter deixado minha filha nas mãos dele sabendo como ele é”, ressalta.

Sem pistas
Segundo o delegado de Itararé, Carlos Moraes Silva, diligências foram realizadas no município e na região.

“Apareceram algumas pistas, como a de que o casal estava escondido em Capão Bonito(SP), mas elas não foram confirmadas. Desde que o inquérito foi instaurado ouvimos mais de uma vez a avó do rapaz, que o criou, e a mãe da adolescente, mas nada relevante apareceu. O caso ainda é tratado como fuga”, afirma.

Ainda segundo o delegado, detalhes sobre as investigações não podem ser revelados. “Continuamos investigando o caso.  A avó do jovem, com quem ele mora junto, afirmou todas as vezes à polícia que não sabe onde está o neto. O rapaz tem passagens na polícia por tráfico de drogas e já ficou detido na Fundação Casa. Vamos prosseguir com as buscas”, afirma.

Entenda o caso
Caroline e o namorado Brizola fugiram depois que Maíra decidiu mudar-se com os filhos para a casa da avó de Caroline, em Carambeí (PR). O motivo da mudança era justamente o relacionamento entre o jovem e a garota. “Ela sempre foi uma menina que me respeitou, mas o rapaz fez a cabeça dela nesses dois meses de namoro. Nos últimos dias, desde que falei que a gente iria se mudar, ela estava muito revoltada comigo", diz a mãe.

Maíra registrou ao todo dois boletins de ocorrências contra o jovem. “Na sexta-feira (22 de julho), nós brigamos e ele falou que eu havia perdido a minha filha e que iria acabar com a minha vida. Então, registrei um boletim na delegacia. No sábado (23), ele fugiu com ela e eu fiz outro boletim", conta.

Em entrevista ao G1 em 26 de julho, o delegado Carlos Moraes Silva explicou que caso seja comprovado que a garota decidiu sair de casa por conta própria o rapaz não responderá por sequestro. Contudo, ele pode ser indiciado por estupro de vulnerável se confirmado que os dois tenham feito relações sexuais nesse período.

“Mesmo sendo namorada dele, ela é menor. Então, quando os dois forem encontrados, vamos solicitar exames que possam comprovar se ocorreu conjunção carnal ou atos libidinosos. Se sim, ele pode responder pelo crime de estupro de vulnerável, já que ele é maior", explica.

 

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