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Quinta-feira, 23 de maio de 2019

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Sarah Jessica Parker estreia ‘Divorce’, 12 anos após ‘Sex and the City’

O Globo

26 Set 2016 - 10:15

Sarah Jessica Parker estreia ‘Divorce’, 12 anos após ‘Sex and the City’
Sarah Jessica Parker sabe que a comparação é inevitável. Mas Frances, ela jura, não poderia ser mais diferente de Carrie Bradshaw. Doze anos depois do fim de “Sex and the city” a atriz de 51 anos volta à televisão em “Divorce”, a partir de 9 de outubro na HBO. Uma criação da própria SJP, como é chamada pela imprensa americana, em parceria com Sharon Horgan (da celebrada série “Catastrophe”, da Amazon), o programa é um drama por vezes extremamente pesado, calibrado por diálogos de um humor ácido, que fazem rir e chorar ao retratar o doloroso processo de separação de Frances e Robert, personagem de Thomas Haden Church. Depois de 17 anos juntos, com dois filhos e uma casa confortável em um subúrbio de Nova York, cabe a Frances comunicar ao marido o fim do casamento. É como se o espectador fosse convidado a testemunhar o reverso de Carrie. Sai de quadro a esperança de se encontrar um novo amor na cidade mágica, entra em cena uma mulher amarga, porém decidida a se transformar radicalmente na chegada à meia-idade.

— Em determinado momento ela diz algo ao Robert que mexeu comigo: “quero salvar minha vida enquanto ainda tenho apreço por ela”. Mais tarde diz que “algumas vezes até pareço feliz, aí vejo seu carro na garagem e meu coração morre”. A Frances é de uma honestidade brutal. Mas talvez esta violência seja necessária para ela encontrar algum tipo de liberdade e satisfação.

A atriz vive há 19 anos com Matthew Broderick, 54, com quem divide uma casa milionária no West Village, três filhos (James, de 13 anos, e as gêmeas Marion e Tabitha, 7) e notória preferência por babás brasileiras (“os meninos falam o básico, obrigado, oi, tudo bem”, recita pausadamente, quase sem sotaque). Curiosamente, SJP e o protagonista de “Curtindo a vida adoidado” se casaram dias antes de ela gravar o piloto de “Sex and the city”.

Em grau menor do que o enfrentado na semana passada por Angelina Jolie e Brad Pitt, SJP e Broderick se viram há dois anos nos tabloides americanos quando seguidos boatos deram conta de uma separação fictícia. A atriz conta, inclusive, que marido e filho deram total apoio a seu retorno à televisão no papel de uma mulher decidida em redesenhar seu universo familiar. Depois de uma sequência de filmes sem grande sucesso de crítica — incluindo os dois “Sex and the city” — ela queria investigar na tevê o estado das uniões conjugais nos dias de hoje.

A inspiração veio da intimidade de um casal amigo: eles se diziam felizes com cada qual mantendo longos casos consensuais com outros parceiros. Era, diz a atriz, como se tivessem permissão para viver “uma realidade paralela”. Os diálogos começaram a sair do papel e decidiu-se pelo nome “The affair” (“O caso”), mas o rival Showtime lançou em 2014 um seriado com o mesmo título, acessível no Brasil pela Netflix.

— Mudamos então batismo e foco da série. Saí a campo e encontrei milhares de maneiras como casais passam por divórcios. Há os que se salvam mutuamente, os que seguem melhores amigos, as famílias destruídas, as crianças deixadas de lado, as declarações eufóricas de liberdade, as constatações de erros gigantescos, o desejo de se voltar no tempo. Ainda não sei em qual destes casos Frances e Robert se encontram, mas hei de descobrir — diz a atriz.

Em um panorama televisivo dominado por zumbis, dragões, super-heróis e narrativas apocalípticas, “Divorce” se destaca ao estacionar a câmera na intimidade de uma família aparentemente ordinária. A protagonista subverte a norma da indústria cultural americana na representação de divórcios ao não ser retratada em momento algum como vítima. Frances mantém um caso extraconjugal com um homem ligeiramente mais jovem e culpa não é um sentimento explicitado pela personagem desavergonhadamente narcisista.

O outro lado da moeda de “Divorce”, o Robert de Thomas Haden Church, é um homem com complexo de Peter Pan, desligado da rotina familiar, que se transforma de modo radical durante o processo de separação.

— Eles têm um menino de 15 anos e uma de 12, e precisam manter alguma sanidade por conta dos filhos, mas não é fácil. Frances é uma força da natureza, e sabia que SJP não iria querer fazer algo como transportar “A guerra dos Roses”, a comédia de 1989 com Michael Doulgas e Kathleen Turner, para a tevê. Exatamente como no filme que fizemos juntos em 2008, “Vivendo e aprendendo”, Sarah me disse que a série seria sim divertida, mas que colocaria o dedo na ferida sem medo. E é isso mesmo — diz o ator.

SJP, que assina a produção-executiva de “Divorce”, garante não estar preocupada se a audiência vai torcer o nariz para uma mulher pouco preocupada em esconder suas falhas. E lembra que “Tony Soprano, afinal, era um assassino, não?”. A provocação tem razão de ser, afinal Frances foi pensada como uma anti-heroína. A atriz abre um meio sorriso ao lembrar que sua primeira decisão em relação à personagem foi um veto: ela não poderia andar “de um certo jeito” pelas ruas de Manhattan, mensagem cifrada para os fãs de dona Bradshaw.

— Não sou a Carrie, jamais me confundi com a personagem, ela tinha uma falta de modéstia que jamais tive. O mais óbvio que temos em comum é a “city”. Matthew e eu pensamos na ideia de ir para um lugar mais calmo, criar as crianças com mais espaço, mas há sempre um ingresso extra para um balé, uma ópera, uma peça, algo incrível acontecendo em Nova York, e fomos ficando. Ih, pronto, estou parecendo você sabe bem quem, né? — diz, sem receio de embaralhar seus próprios avessos.




 
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