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Werley Peres crê que guerra contra hanseníase vai tirar MT da condição de recordista nacional

Da Redação - Ronaldo Pacheco

21 Mar 2018 - 07:51

Foto: Internet

Werley Peres elogia coragem do governador pelo enfrentamento á hanseníase

Werley Peres elogia coragem do governador pelo enfrentamento á hanseníase

Campeão brasileiro na produção de grãos e de carne, Mato Grosso possui também um título do qual não deve se orgulhar: recordista em casos do mal de Hansen. O governador José Pedro Taques (PSDB) pede que a imprensa e os profissionais de saúde tratem pelo nome popular: lepra. “É chamar de lepra, sim. É para doer no ouvido e para que todos sintam vergonha e, assim, participem do enfrentamento”, citou Taques.
 
O êxito do Plano Estadual de Enfentamento da Hanseníase deve assegurar que pelo menos 2,5 mil cidadãos de Mato Grosso serão curados de hanseníase até 2020 e, assim, a saia da condição de recordista nacional em lepra.

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E por incrível que pareça, o coordenador do Plano Estadual de Enfrentamento da Hanseníase, médico Werley Peres, não é remunerado e faz um trabalho voluntário para a Secretaria de Estado de Saúde. “A hanseníase é uma doença camaleônica. Há manifestações na pele, no humor; manifestação nos nervos, no nariz... há manifestação no olhos. Então, possui várias manifestações. Muitas vezes se o médico não for bem treinado, vai passar batido”, explicou Peres, para o Olhar Direto.
  
“O governador Pedro Taques é um cara sensível. Ele é o único goverandor que teve coragem de enfretar isso [mal de Hansen], nos últimos 20 anos”, argumentou o coordenador geral do Plano Estadual da Hanseníase.



Para o médico, a tentativa de envolver a iniciativa privada não deu certo e é essencial que a saúde pública enfrente com garra e determinação. “Você não trata hanseníase no particular. O poder público tem que fortalecer o conhecimento dessa patologia, fornecendo o treinamento adequado para esses profissionas, inclusive técnicos de enfermagem, enfermeiros e até fisioterapeutas para identificar lesões suspeitas e encaminhar para os médicos”, ensinou o médico.
 
Peres fala com a experiência de quem atua diretamente nas comunidades, inclusive em regiões isoladas, como São Pedro de Joselândia, em Barão de Melgaço – coração do Pantanal de Mato Grosso.
 
“Eu sou voluntário nesse projeto. Porque a hanseníase só pode ser encontrada se é bem procurada. Só encontra aquilo que você sabe procurar. Primeira coisa: o poder público é empoderar os médicos a fazer um diagnóscito consistente. Infelizmetne as escolas médicas negligenciam o ensinamento. Na academia  se dá uma aula en passant para o acadêmico”, criticou Werley Peres, que foi secretáriode Saúde de Cuiabá e adjunto da Secretaria de Estado de Saúde (SES).
 
Todavia, ele enxerga avanços na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), nos últimos anos. “A UFMT tem avançado nisso. Temos dois doutores, hoje em dia. Até cinco anos atrás eram poucos abnegados, na UFMT, que é uma referência no Brasil. Eu não posso falar das outras universidades. Hoje tem ambulatório de hanseníase no Hospital Júlio Müller, o que não existia”, lembrou ele.
  
Cuidado com tipo 2
 
Werley Peres recordou que na época em que o médico Júlio  Müller Neto era secetário de Estado de Saúde (governo Dante de Oliveira), as prefeituras tinham incentivo ep reparavam os médicos para combader o mal de Hanse. “Antes, os municípios capacitavam os profissonais. Infelizmente Mato Grosso ficou adormecido [dormente mesmo] há quase duas décadas. Investir em referência e não apenas na atenção básica”, denunciou Werley Peres.
 
“Temos o tratamento de seis meses até dois anos, para os casos mais graves. Tratou um ano e não curou, tem que tratar mais um ano.  É essencial atenção a uma reação mais localizada. É a tipo 2, contaminação mais generalizada”, avaliou ele, para a reportagem do Olhar Direto.
 
“Em pleno século 21, recentemente foi identificada uma morte por hanseníase. E a reação da doença tipo 2 mata. A reação que causa no organismo também mata. Não tem nada a ver com o tratamento. É  como se o organismo sofresse um choque. A grosso modo é como se fosse um choque anafilático.  Não é o tratamento que matou e, sim, a própria doença”, complementou Werley Peres, solicitando que as pessoas busquem atendimento sem medo de discriminação.
 

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