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Terça-feira, 21 de maio de 2019

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Suicídio: Conselho de Enfermagem admite dificuldades e cita esforço para melhorar qualidade de vida

Da Redação - Fabiana Mendes

25 Mar 2019 - 12:24

Foto: Rogério Florentino/ Olhar Direto

Suicídio: Conselho de Enfermagem admite dificuldades e cita esforço para melhorar qualidade de vida
O presidente do Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (Coren/MT), Antônio César Ribeiro, reconheceu que as condições de trabalho em que atuam os profissionais, podem influenciar no desenvolvimento da depressão. O debate veio à tona após suicídio da enfermeira Anna Angélica Dorileo, no último sábado (23). Ele cita que a categoria trabalha em situações extremamente desgastantes do ponto de vista físico e emocional. Contudo, pontuou os projetos de lei que tramitam na Câmara Federal para reduzir a jornada de trabalho, garantir piso salarial, descanso digno e aposentadoria especial.

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“Eu sou enfermeiro e entendo o suicídio como uma doença social. Não tem um único fato associado ao suicídio. Via de regra, está sempre vinculado a um processo de depressão. Esse processo de depressão, [dependendo do] meio onde eu vivo, essa minha doença pode melhorar ou piorar”, disse em entrevista ao Olhar Direto.
 
No domingo, o conselho publicou nota de pesar após o falecimento da enfermenira e foi cobrado nos comentários de uma rede social. Antônio César responde que que atribuir o suicídio como responsabilidade do Coren é exagero. “Primeiro, eu não posso dizer que ela suicidou-se porque é enfermeira e porque as condições dela não são adequadas. Ela suicidou-se porque tem um problema, que é dela, pessoal, que talvez o contexto que ela trabalhe não tenha favorecido. Agora, dizer que tem uma relação direta entre o suicídio e a profissão, é exagerar”.
 
O presidente reconhece as más condições de trabalho e as situações físicas e emocionais em que os profissionais são submetidos. Cita como exemplo a falta de insumos básicos nos hospitais e também a ausência de locais adequados para descanso. “Você não tem medicamento, você não tem estrutura, material, condições de repouso intrajornada, que é um direito do trabalhador. Se você olhar as condições de repousos nos hospitais para aqueles trabalhadores que estão no plantão de 12 horas, são sub-humanas”, afirma.
 
Em busca de melhores condições de trabalho para a categoria, ele cita os projetos de lei em tramitação como, por exemplo, o que visa diminuir a jornada de trabalho de 44 para 30 horas semanais. No entanto, ele aguarda desde 1999 para ser votado no Congresso Nacional. Os profissionais também lutam para estabelecer um piso salarial.
           
Outra melhoria seria a aprovação Projeto de Lei 4998/16, oriundo do Senado, que obriga as instituições de saúde públicas e privadas, como hospitais e clínicas, a oferecer condições adequadas de repouso, durante o horário de trabalho, aos enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem e às parteiras. O objetivo é preservar a integridade física dos profissionais de enfermagem e dos pacientes por eles atendidos.
 
Também aguardando votação está o projeto de lei, que estabelece a aposentadoria especial para profissionais de enfermagem. A proposta prevê que os profissionais possam se aposentar com benefício integral depois de 25 anos de contribuição na área de Enfermagem, uma vez que eles exercem atividade com riscos físicos e biológicos.
 
Após divulgação de uma nota de pesar do Coren, grande parte dos comentários eram de pessoas cobrando fiscalizações e estudos psicológicos sobre os profissionais. Sobre isso, o presidente citou um estudo em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), para avaliar o perfil e qualidade de vida dos profissionais após os 60 anos de idade. “A gente sabe o desgaste e temos investido nessa pesquisa. O resultado dela é uma forma do Conselho melhorar a sua atuação politica”, acrescentou.


Anna Angélica Dorileo era enfermeira no Pronto-Socorro de Cuiabá

Leia abaixo a nota de pesar do Coren-MT:

NOTA DE PESAR

O Coren-MT vem a público demonstrar seu pesar pelo falecimento da enfermeira Anna Angélica Dorileo, ocorrido neste sábado (23). Ela atuava no Pronto Socorro Municipal de Cuiabá. 

O Coren-MT estende suas condolências à família enlutada e a todos os colegas profissionais de enfermagem pela perda de mais uma grande profissional.

12 comentários

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  • Elaine
    28 Mar 2019 às 21:07

    O que adianta comentários sem atitudes. ??? Enfermagem linda no papel. Na realidade tudo massacrante e diferente. Muitas vistas grossas.

  • Antônia Nunes De Oliveiras
    27 Mar 2019 às 19:45

    Estamos em gritos de socorro e ninguém nus ouvi só aparece na cobrança das anuidades . Estamos sem defesa já estou com quase um ano com laudos psiquiatra no dia que eu estava completando 25 anos no dia o1 de maio 2018 eu estava recebendo esse disfexo da psiquiatra me dizendo que eu não havia mais condições para exercer minha profissão por uns tempos mais duas receitas tarja Preta e tarja vermelha o meu socorro hj vem do Senhor que fez o céu e a terra é julgaras todas as causas

  • manu
    26 Mar 2019 às 08:14

    Redução de carga horária sem diminuição de salário seria maravilhoso, sou assistente social, trabalho no PS faço 40 horas semanais apesar de ter a lei federal de 30h não posso desfrutar desse direito pois justificam que o edital estava como 40h. Se o município não entende que a lei é para todos os profissionais da categoria temos que nos submeter ao desgaste psicquico, físico, e do ambiente que não é nada fácil. Todos os profissionais da saúde merecem respeito e qualidade de vida.

  • Carlino
    25 Mar 2019 às 23:23

    Número de profissionais insuficientes pra demanda, principalmente no SUS onde é porta de entrada. A enfermagem é extremamente desrespeitada e ameaçada, todos querem atendimento com qualidade, porém ninguém quer colaborar pra nossa luta de melhores condições. Quase tudo recai nas costas desta humilhada e desvalorizada categoria. Infelizmente a solução é se preparar pra outra profissão. Pois está difícil melhorar a curto e médio prazo

  • Márcio Oliveira
    25 Mar 2019 às 23:14

    Quantas Ana Angélica precisam morrer pra esse conselho tirar a bunda da cadeira e tomar uma providência?

  • Sirlei
    25 Mar 2019 às 21:52

    Coren .nao está nem. Aí com os profissionais da área da saúde. Isto que e a grande verdade. Estamos ficando doente . Coren só quer o dinheiro e não faz nada. Não temos ninguém que nos apoia.

  • Jairse
    25 Mar 2019 às 21:41

    Tudo mentira esses profissionais ganham e trabalham serviço escravo agora vem falar que estão melhorando condições de servico conversa fiada tinham que o ministério do trabalho intervir .e vê a situação desses trabalhadores

  • Samoel borges
    25 Mar 2019 às 21:34

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  • Jr
    25 Mar 2019 às 18:54

    Há casos de depressão em todas as areas de trabalho! sendo assim teremos que reduzir a carga horaria de todas as classes e tambem aumentar seus salarios?

  • Maria dos Santos Rodrigues
    25 Mar 2019 às 15:52

    Nós da enfermagem técnico enfermeiros, estamos cam sobre carga trabalhista, sempre proibida às vezes até de falar falar falar, não temos horas de almoço salário defasado, muitos profissionais já afastado com problema de depressão ansiedade pânico ,tremendo quando procuramos médico e ele leva o atestado ainda somos criticados o famoso Pitty, como os pronuncia é popularmente, muita humilhação para nossa classe e cada dia está aumentando a equipe e sendo muito pouco valorizada cada dia é mais doenças novas que surge e e muito mais precisa de funcionários que pessoas que gostam do que faz trabalha com amor quer ter diálogo com os pacientes somos proibidos fica difícil pedimos Socorro isso é um desabafo realista e desculpa e muito obrigado

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