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Quarta-feira, 26 de junho de 2019

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Raizeiro há 25 anos, comerciante de VG não sabe para onde ir após notificação da Prefeitura

Da Redação - Isabela Mercuri

19 Mai 2019 - 15:35

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

Raizeiro há 25 anos, comerciante de VG não sabe para onde ir após notificação da Prefeitura
Há vinte e cinco anos, o baiano Manoel Soares, 71, acorda às 5h da manhã para vender raízes e produtos naturais em sua barraquinha, que fica estacionada em frente à Praça Aurea Braz, no bairro Cristo Rei, um dos maiores de Várzea Grande. No último mês, no entanto, recebeu uma notificação afirmando que ele teria que sair dali o mais rápido possível. Sem ter para onde ir, o comerciante teme até mesmo por sua saúde, já que sua aposentadoria não cobre nem o valor de seu plano de saúde.

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“A cidade está bem, estão trabalhando direito. O que eu estou assustado e abismado é que eu acabei de receber uma notificação da Prefeitura e do Ministério Público pra tirar todas as barracas. Falam que é denúncia, porque está usando o espaço. Deram 30 dias de prazo, e me assustou, porque eu não sei fazer outra coisa. Se eles arrumassem um lugar pra nós, o susto era menor. Mas não tem. Não tem outra alternativa. Meu ganha pão é esse”, lamenta.

A notificação chegou para cerca de dez comerciantes da região, primeiro da Prefeitura, e depois do Ministério Público.

Ana de Freitas Gomes, 44, goiana que tem há sete anos uma barraca de lanches e sucos, foi uma das prejudicadas. “Essa gestão está trabalhando até bem, está arrumando as coisas, começando as obras, terminando... mas em relação à gente que está trabalhando, a Prefeitura não está dando muito apoio não. Nós fomos notificados, temos 30 dias pra sair daqui, vai arrancar tudo. Só aqui nessa barraca são quatro famílias que dependem dela. Aqui são mais dez comerciantes. Eles estão alegando que nós estamos ocupando, mas não estamos. Está totalmente livre”, afirma.

Ana trabalha há sete anos e emprega cinco mulheres (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

Segundo Ana, esta é a única queixa em relação à cidade. “É até uma traição por parte da Prefeitura. Eu, particularmente, sempre apoiei a Lucimar. Já fiz umas duas ou três entrevistas pra ela, e agora eu me senti traída. Não só eu, como todo mundo aqui, que apoiava ela. Porque ela tem como apoiar a gente, mas ela faz vista grossa e fala que não sabe o que está acontecendo”.

Até mesmo quem não foi diretamente atingido lamenta o ocorrido. É o caso de Antônio Pires, 87. Cearense, ele tem uma loja de doces há 40 anos no Cristo Rei, bem em frente ao local onde estão os comerciantes notificados. “Pra mim nunca apertou. Meu comércio é pouquinho, e ninguém me persegue porque não tem dinheiro, é coisa mínima. Nada disso tem problema, tudo certinho”, afirma. “[Mas] tem umas coisas que eles estão fazendo que está errado. Estão querendo tirar todo mundo ali das barraquinhas”, lamenta.

Antônio (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

Outro lado

Procurada, a Prefeitura afirmou, por meio da assessoria, que "Existe uma recomendação do Ministério Público para cumprimento do Código de Postura do município que não permite comércio em calçadas e próprios públicos", e que "quem não estiver regular com alvará de funcionamento e respeitando as normas legais será notificado a sair". 

23 comentários

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  • Vilmar Barbosa
    24 Mai 2019 às 04:56

    Cilene Sandrini, primeiro ponto: pare de sofrer. A eleição acabou. Não haverá terceiro turno. Segundo ponto: algumas pessoas estão lá há 25 anos. De repente a prefeitura tem um rompante de eficiência e resolve acabar com o trabalho delas. Não é assim que funciona. Se permitiram que ficassem por tanto tempo, que arrumem outro lugar para eles.

  • Osvaldo
    22 Mai 2019 às 09:55

    Vetado por conter expressões ofensivas e/ou impróprias, denúncias sem provas e/ou de cunho pessoal ou por atingir a imagem de terceiros. Queira por favor refazer seu comentário e reenviá-lo.

  • Zé Brumado
    20 Mai 2019 às 17:45

    VADÃO, como estão trabalhando honestamente, ocupando o espaço que não é dele e sim do povo? Além disso totalmente proibido pela nossa constituição, leis, regras e normas aos estabelecimento comerciais?

  • Maria Aparecida
    20 Mai 2019 às 15:55

    Justiça seja feita, a Prefeitura Municipal de Várzea Grande, cumprindo uma Determinação Legal do Ministério Publico Estadual, está notificando todos os barraqueiros,comerciantes,bolicheiros,lanchoneteiros,das Ruas e AVenidas da V.G. para desocuparem as calçadas,praças e espaços publicos que estão ocupando ILEGALMENTE há muitos anos, sem Alvaras, e tambem não pagando IPTU, Vigilancia SAnitária etc. A minha mãe tem um carro-de-lanchonete aqui no IPASE há mais de 15 anos, e tambem fomos notificados a desocupar a calçada aqui enfrente o Conjunto Carlos Gomes, e lamentavelmente vamos ter que cumprir,pois a LEI é para TODOS. Tô triste, mais oque fazer, Lei é Lei.

  • Ana Paula
    20 Mai 2019 às 15:53

    Na minha opinião, esses comerciante tem que ir para a praça Áurea Brás, a prefeitura arruma os espaços para eles e cobra o aluguel, e faz uma praça de alimentação bem arrumada, a praça está ociosa.

  • Maria do Carmo
    20 Mai 2019 às 15:01

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  • DESEMPREGADO
    20 Mai 2019 às 12:16

    OS COMERCIANTES TEM QUE PAGAR IPTU, IMPOSTOS, TACIN, CONTADOR, ETC... NINGUÉM É MELHOR QUE NINGUÉM !

  • Juca
    20 Mai 2019 às 11:20

    Cilene Sandrini, pelo que expressas, você fez faculdade de Hipocrisia e pós graduação em idiotia, não?

  • João Silva
    20 Mai 2019 às 09:44

    Ao MP e o Estado: Crimes diários estão tendo dentro e fora dos presídios, já que estão mexendo com esses ai, tenham coragem de encarar o crime organizado. Ai sim, agora tirar trabalhador das calçadas é fácil.

  • José Corrêa
    20 Mai 2019 às 09:39

    As leis foram feitas para ser obedecidas, todos sabem que estão errados, mas sempre querem que tenha um "jeitinho" de ir enrolando no prazo!!!

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