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Quarta-feira, 22 de maio de 2019

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Mais de 5 mil vão às ruas de Cuiabá em protesto contra cortes na Educação; veja fotos

Da Redação - Fabiana Mendes/Da Reportagem Local - Isabela Mercuri

15 Mai 2019 - 14:00

Foto: Isabela Mercuri/ Olhar Direto

Mais de 5 mil vão às ruas de Cuiabá em protesto contra cortes na Educação;   veja fotos
Manifestantes saíram às ruas na tarde desta quarta-feira (15), em Cuiabá, em protesto contra o contingenciamento de recursos anunciado pelo governo Bolsonaro na área de Educação. O foco do protesto, neste momento, é a praça Alencastro, no centro da Capital. De acordo com a Polícia Militar, o número de participantes ultrapassa 5 mil pessoas. 

O grupo se concentrou no campus Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e de lá seguiu até a Praça Alencastro. Além da UFMT, os manifestantes também protestam pelo Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), que também deverá ser afetado com a política de "cortes" anunciadas pelo governo. De acordo com o ministro da Educação, Abraham Weintraub, a redução de repasses atingirá 3,5% do orçamento total das instituições. O valor, no entanto, equivale a 30% dos recursos que as UFs e IFs têm para gastar com manutenção e investimento em pesquisas, por exemplo, visto que a maior parte do orçamento está toda comprometida e não pode ter destinação alterada. De acordo com a UFMT, a redução de 30% dos valores inviabiliza a instituição em poucos meses.

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Professora no programa de pós-graduação em Antropologia Social da UFMT, Flávia Carolina da Costa, 35 anos, diz, que para ela,  o corte orçamentário da Educação destrói a permanência e autonomia das universidades públicas. Além disso, ela acredita que é um retrocesso na produção científica.


Crédito: Rogério Florentino Pereira/OD

“É um retrocesso no País, não é retrocesso na universidade simplesmente. O público que se atinge, não são os universitários. É simplesmente um retrocesso na produção cientifica, não tem mais hospitais públicos. Muitos hospitais públicos são vinculados às universidades. Não tem mais produção de vacina, produção de medicamentos, de cura de doenças. Tudo isso está na mira desses cortes. É um retrocesso em termos de País”, afirmou.
 
“Acho que é fundamental que a gente se movimente de alguma maneira. Só a manifestação de hoje é pouca coisa. É necessário que se reúna outros atos, construir uma agenda de manifestações, conscientizando a população sobre a necessidade deste tipo de atitude, de ação com a sociedade civil em prol da educação pública do País”, acrescentou.
 
Aluna do 7º semestre do curso de Física, Amanda Cristina Araújo da Silva, 21 anos, contou que participa do ato para defender a universidade pública. “Não vai afetar só a gente. Eu, por exemplo, já estou me formando, mas não me preocupo só comigo. Nós trouxemos os calouros para se unir nesta luta pela universidade, tanto pela extensão, quanto pesquisa”.


Crédito: Rogério Florentino Pereira/OD

Amanda defende que o bloqueio irá atingir toda a Universidade. “Na física a gente trabalha muito com pesquisa. Eu, por exemplo, trabalho na área de neurofísica, mas lá [laboratório] tem pesquisa em física nuclear, várias coisas. Trabalhamos bastante com projetos de extensão. A gente costumar ir em comunidades e fazer intervenções com pessoas carentes, com essa sociedade. E esses cortes vão afetar em todos os aspectos”, finalizou.

Estudante do curso de Serviço Social e membro da União de Jovens Comunistas (UJC), Ian Carlos, 23 anos, acredita que o corte de 30% anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), significa o fechamento das universidades públicas. “Ele simplesmente está decretando que a universidade pública deve deixar de existir”. 
 
O jovem pontuou também que o corte de recursos para universidades federais não seria uma novidade. Isso estaria acontecendo desde o ano de 2014, ainda no Governo do Partido dos Trabalhadores (PT). No entanto, com o novo bloqueio anunciado, a UFMT pode não ter recursos para se manter.


 Crédito: Rogério Florentino Pereira/OD

“O contingenciamento de recursos para universidades federais e para os institutos federais, ele não é uma novidade. Desde 2014, até o ano atual, inclusive passando pelo Governo Temer, com Emenda Constitucional 95, que congelou os investimentos na Educação, isso tem criado proporções um tanto grandes e tem se refletido inclusive na manutenção da Universidade, inclusive na assistência estudantil. São 30% hoje, mas desde 2014, junto com esses 30% já se somam cerca de 53% a menos no orçamento da Universidade, [comparado] ao ano de 2013”, afirma.

Aluna do 1º ano do curso de Eventos do IFMT, Maria Eduarda Viana, de 15 anos, participava do ato na Praça Alencastro, acompanhada de um amigo. Ela acredita que o anuncio de corte seja uma chantagem do Governo Federal. Segundo ela, alguns alunos do IFMT vestem camisetas com o rosto do presidente e defendem o corte da Educação. “Parece que são realidades diferentes que chegaram a eles”, diz.


Crédito:  Isabela Mercuri/ Olhar Direto

Por conta da concentração, o trânsito na região central está complicado. A Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) trabalha para dar maior fluidez. A Polícia Militar acompanha a manifestação. 

 Bloqueio 

O Ministério da Educação comunicou no dia 30 de março o bloqueio de 30% na verba de todas instituições de ensino federais do país. O anúncio foi feito depois das reações críticas ao corte de verba de três universidades que foram palco de manifestações. São elas: Universidade de Brasília (UNB), Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Universidade Federal Fluminense (UFF).

Em entrevista ao jornal Estado de S.Paulo, o ministro Abraham Weintraub comentou que "universidades que, em vez de procurar melhorar o desempenho acadêmico e estiverem fazendo balbúrdia, terão verbas reduzidas”.
 
Depois do anúncio, os Institutos e Universidades Federais mato-grossenses anunciaram os impactos que o bloqueio poderia causar. Na UFMT, por exemplo, o corte representa R$ 34 milhões.

Caso a medida proposta pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) não seja revista em até 60 dias, contratos de serviços básicos deixarão de ser honrados, a disciplina de Libras será aplicada na modalidade EAD (Ensino à Distância), o campus poderá também ficar sem luz e água e, por consequência, o Restaurante Universitário pode deixar de atender. 

Veja vídeo da concentração na Praça Alencastro: 

 
Crédito: ​Isabela Mercuri/ Olhar Direto

45 comentários

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  • Amanda
    17 Mai 2019 às 10:15

    Ocorre que o governo está se adequando à LRF, se o planejado é maior que a receita, este deve se enquadrar, ou se enquadra ou se pedala (como a Dilma). Como o orçado é maior que a receita, os contiNgenciamentos são OBRIGATÓRIOS, houve em TODAS AS GESTÕES, a diferença é que a oposição que na época era a direita não fez manifestos, não foi às ruas, não incitou a população por ENTENDER A NECESSIDADE de adequação fiscal. Esta é a grande diferença, a responsabilidade com a coisa pública, fato que a esquerda desconhece! E mais, todos os ministérios tiveram contingenciamento, só a EDUCAÇÃO, crias do PT, provocaram e incitaram os "estudantes" à irem às ruas.

  • Giupna
    16 Mai 2019 às 18:33

    Em educação deve haver investimentos e não cortes de verbas, independente de afinidades políticas.

  • bruto
    16 Mai 2019 às 15:47

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  • Prof. Orlando
    16 Mai 2019 às 13:41

    O problema do governo Bolsonaro e que a esquerda levou pau nas eleiçoes é estão sem nenhuma moral. O Brasil está nesse caos graças a esquerda... foi o maior assalto da história do Brasil aos cofres públicos... e chefão tá preso e tem apodrecer lá... e o governo bolsonaro fica criando medidas para municiar a esquerda nojenta... quanto pior melhor... Moro 2022!!!

  • Moacir
    16 Mai 2019 às 13:28

    Reforma da previdência e cortes nos ministérios vêm acontecendo desde os governos anteriores . Mas como o governo era PT, a cambada estava calada.

  • CHORAM COMO BEZERROS DESMAMADOS!
    16 Mai 2019 às 11:07

    NAO SE ENGANEM, isso aí é manifestação partidária (comunista) contra a reforma da previdência e a favor de soltar ladrão! Estudantes como sempre foram manipulados por seus professores para irem às ruas protestar! Lembrando que em tempos passados Dilma cortou 10 bilhoes do orçamento e Lula deixou de direcionar à educação mais de 20 bilhões!! Não se viu protestos, não se viu lamentações !!! Hoje com contingenciamento de - 3,5% sobre os gastos não obrigatórios se vê este alvoroço todo!! O recado é, fechem as torneiras, apaguem as luzes, cortem os gastos que for possivel, tenham RESPONSABILIDADE com a coisa pública e ao invés disso preferem continuar a politica mentirosa, mesquinha e nojenta instituída pela esquerda.

  • SIM, eu odeio o PT!
    16 Mai 2019 às 10:40

    Mula em 2010 - CORTE DE 2 BILHOES NA EDUCAÇÃO Bandilma 2015 - CORTE DE 10 BILHOES NA EDUCAÇÃO ONDE ESTAVAM A CUT, SINTEP, UNE, ESTUDANTES e puxadinhos do PT que NAO FORAM ÀS RUAS PROTESTAR??!!!!! MASSA DE MANOBRA SIM!!! TODOS estes desocupados aí lutam por LADRÃO LIVRE, o resto é a hipocrisia normal e cotidiana da QUADRILHA PETISTA!!

  • joaquim
    16 Mai 2019 às 09:55

    Vetado por conter expressões ofensivas e/ou impróprias, denúncias sem provas e/ou de cunho pessoal ou por atingir a imagem de terceiros. Queira por favor refazer seu comentário e reenviá-lo.

  • Luanna
    16 Mai 2019 às 09:52

    Rocha, procure um médico. Sério. Seu problema deve ser grave... cegueira, no mínimo.

  • joaquim
    16 Mai 2019 às 09:50

    Pergunta para um aluno agitador desses: qual o orçamento da universidade que ele estuda, como é alocado esse orçamento, que posição a universidade ocupa no ranking das demais universidades, o que é despesa de custeio, o que é investimento, quanto ele custa por ano pra sociedade como aluno? Te garanto que não tem a menor noção. Daí, são ou não são otários úteis?

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