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Terça-feira, 20 de agosto de 2019

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“Juntos por Bolsonaro”: os bastidores da meteórica passagem do presidente pelo interior de MT; fotos e vídeos

Enviada especial a Aragarças - Érika Oliveira

06 Jun 2019 - 18:09

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

Bolsonaro passeou de jet ski com governador de Goiás na 'garupa'

Bolsonaro passeou de jet ski com governador de Goiás na 'garupa'

Há cerca de um mês, durante reunião em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) firmou compromisso de visitar as cidades de Barra do Garças (MT) e Aragarças (GO) para, em conjunto com os governadores dos respectivos estados, lançar o programa “Juntos pelo Araguaia”. A ideia era que o ponta-pé inicial do projeto fosse dado no Dia Mundial do Meio Ambiente, uma vez que a iniciativa tem por objetivo a preservação ambiental. A pauta, no entanto, foi ofuscada pela passagem meteórica do “mito”, que quase não aconteceu, mas arrastou uma multidão de apoiadores, lotou hotéis, esgotou comida em restaurantes e transformou por um dia a paisagem da região conhecida como "Vale dos Esquecidos".

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Visita sob risco

Era manhã de terça-feira (04), um dia antes do evento, quando uma equipe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República chegou a região para vistoriar a ‘Praia de Quarto Crescente’, onde as autoridades deveriam se reunir. Nada estava pronto. Conforme apurou a reportagem do Olhar Direto, a organização da cerimônia estava a cargo do Governo do Goiás.

Por questões de segurança, a equipe do GSI in loco entendeu que o evento não poderia ser realizado. O então cancelamento da agenda do presidente foi anunciado pelo porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros. No comunicado, Barros informou que apenas o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, viajaria para o Araguaia.



Questionado por jornalistas sobre o parecer do GSI, Rêgo Barros disse que a decisão havia sido tomada a partir de uma “análise de risco”, mas que não poderia se estender sobre o assunto. Poucos minutos depois o porta-voz voltou atrás, disse que havia sido informado de uma “modificação” e que a possibilidade de Bolsonaro ir ao Araguaia ainda era discutida.



Enquanto Rêgo Barros falava com a imprensa, as cidades de Barra do Garças e Aragarças iam sendo tomadas por autoridades políticas dos dois estados, jornalistas, apoiadores do presidente e manifestantes contrários.

Os hotéis das cidades, que aumentaram o valor das diárias em função do acontecimento atipico, já não tinham mais quartos disponíveis. Nos restaurantes e bares faltava comida e bebida e os clientes eram informados de que os estabelecimentos não haviam se preparado para receber tanta gente. A ida de Bolsonaro, no entanto, seguia uma incógnita.

Em seu twitter, o governador do Goiás, Ronaldo Caiado, escreveu que a declaração do porta-voz da Presidência era uma “fake news” e que a ida de Bolsonaro a Aragarças estava “confirmadíssima”.



Uma verdadeira força-tarefa foi mobilizada, reunindo cerimoniais dos governos de Goiás e de Mato Grosso e da própria Presidência da República. Uma estrutura foi montada em tempo recorde nas margens do Rio Araguaia. Mais de 800 oficiais do exército, outros 200 da Polícia Militar de Mato Grosso, além das policiais de Goiás, Polícia Civil, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Grupos Táticos, Bope e seguranças institucionais dos governos estaduais e federais foram encaminhados ao Araguaia. O evento seria realizado.

Aparato de segurança e quebra de protocolo

Início da manhã de quarta-feira (05), as ruas de Barra do Garças e Aragarças iam sendo tomadas por pessoas, em sua maioria vestidas de verde e amarelo, com faixas e cartazes agradecendo à visita do presidente, pedindo a entrega de casas do programa “Minha Casa Minha Vida”. Protestantes contrários ao Governo, embora em menor quantidade, também podiam ser vistos.



A cada esquina pelo menos cinco oficiais do Exército eram posicionados. Grupos em barcos e jet-skis faziam patrulhamento na água, um grande número de seguranças à paisana também rondavam o local do evento. O esquema de segurança chamava a atenção de todos.



Uma estrutura metálica com tendas e grades foi criada para abrigar imprensa e autoridades políticas. Um cordão de isolamento no alto da ribanceira do Rio Araguaia separava o espaço dos manifestantes. Para ter acesso ao local, era necessário estar credenciado, passar por revista, detectores de metais e por mais equipes de segurança. Até mesmo deputados, prefeitos e assessores passavam pela “patrulha”.



Passava das 9h quando o presidente desembarcou no Aeroporto Municipal de Barra do Garças e seguiu em comboio para o local do evento. No meio do caminho, a primeira quebra de protocolo: parou sua caravana, subiu na janela do veículo em que estava em meio a região central do município mato-grossense e, em ato semelhante aos que realizava durante a campanha, interagiu com a população.

O espaço áereo e a rede de dados móveis e de telefonia eram bloqueadas constantemente. O objetivo era resguardar o presidente de possíveis ataques, por exemplo, com bombas remotas.



Menos de dez minutos após o início da solenidade de lançamento do programa ‘Juntos pelo Araguaia’, a multidão acima da ribanceira rompeu o cordão de isolamento e conseguiu ficar a poucos metros do palco em que estavam as autoridades. Seguranças se abraçavam em volta do espaço para impedir um avanço ainda maior das pessoas.

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Os discursos dos demais agentes públicos foram abafados pelos gritos de “mito” e “queremos ver o presidente”.  Embaixador do projeto, o cantor Chitãozinho, da dupla com Xororó, sequer falou. O ato se transformou em um  comício.

Discurso inflamado contra a esquerda

Bolsonaro finalmente se dirigu ao púlpito, os gritos da multidão nesse momento foram ainda maiores. O presidente discursou por cerca de sete minutos, agredeceu a recepção do povo mato-grossense e goiano, criticou a esquerda, falou de ideologia de gênero, Reforma da Previdência, decreto que beneficia caminhoneiros, mas deixou de lado a pauta central: a preservação do Meio do Ambiente.



A solenidade foi encerrada, o presidente posou para fotos e foi até a parte externa ao palco conversar com jornalistas. Novamente, tratou de temas como a Reforma da Previdência, o escândalo envolvendo o jogador Neymar, o decreto que flexibiliza multas de trânsito e, quando questionado sobre o ‘Juntos pelo Araguaia’, pediu para que Mauro Mendes, Ronaldo Caiado ou seu ministro do Meio Ambiente respondessem.

O presidente encerrou as entrevistas e mais uma vez quebrou os protocolos. Vestindo um colete à prova de balas e uma camiseta do time do Goiás, Bolsonaro entrou no rio Araguaia, subiu em uma moto aquática e desfilou com o governaor de Goiás, Ronaldo Caiado, na garupa. Ao sair do rio, foi levado às pressas por sua equipe de segurança para área mais protegida.



Bolsonaro deixou o local e seguiu para almoço com autoridades políticas em um hotel na cidade de Barra do Garças. Voou para Brasília por volta das 14h. Acompanhou o jogo da Seleção Brasileira de Futebol pela Copa América, em Brasília, depois visitou Neymar no Hospital Home, em Brasília.

Toda a agenda do presidente foi devidamente registrada em suas redes sociais. Sobre a passagem no Araguaia, destacou que preservação do meio ambiente e desenvolvimento econômico, em seu Governo, andarão lado a lado e que não irá “atrapalhar quem quer produzir”.

4 comentários

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  • Regis Santana
    07 Jun 2019 às 08:39

    Bozonario aproveite e cobre do Mauro a divida milionária da previdência que a sua empresa deve e, assim quem sabe você não precisa fazer a reforma para ferrar a vida dos pobres.

  • MM
    07 Jun 2019 às 07:59

    Cade o " projetil", só gastança, saudosismo da farra do militarismo. Farra com o dinheiro do cidadão, haja kkkk

  • Neto
    07 Jun 2019 às 05:47

    Não se misture com essa gente Presidente.

  • jair
    06 Jun 2019 às 19:08

    vi tudo só nao vi a tal multidão

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