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Domingo, 15 de dezembro de 2019

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Picape que levou freezer com 86 celulares para PCE é de liderança do Comando Vermelho

Da Redação - Thaís Fávaro

18 Jun 2019 - 17:10

Foto: Assessoria PJC

Picape que levou freezer com 86 celulares para PCE é de liderança do Comando Vermelho
Durante entrevista coletiva na manhã desta terça-feira (18), na sede da Diretoria Geral da Polícia Civil, em Cuiabá, o delegado Frederico Murta disse que o veículo que entrou no sistema prisional para entregar o freezer onde foram encontrados 86 aparelhos celulares, é de propriedade de um detento conhecido como “Marreta”. Ele também é considerado uma das lideranças da facção criminosa Comando Vermelho e divide cela com o detento Paulo Cesar da Silva, vulgo “Petróleo”, para quem os aparelhos seriam destinados.
 
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A entrada de freezer e geladeiras é permitido no sistema prisional mediante autorização da direção. Os eletrodomésticos são submetidos à vistoria e registrados no sistema de controle da penitenciária. No caso do freezer apreendidos com os aparelhos celulares, não houve nenhum registro e ninguém soube dar informação de como o eletrodoméstico teria entrado na unidade, o que levantou a suspeito e iniciou as investigações. De acordo com Frederico Murta, o freezer era direcionado ao raio e cela do preso Paulo Cesar.

O delegado solicitou as imagens do circuito de segurança que mostraram o momento que o freezer chegou na unidade em uma caminhonete de cor preta por volta das 13h. Cerca de 40 minutos depois os três policiais chegaram na unidade descaracterizados e foram até a sala do diretor, minutos depois Paulo Cesar foi levado até a sala onde permaneceram por cerca de uma hora. Após encerrarem a “suposta reunião”, o freezer foi submetido a vistoria, onde foi constatado a existência dos aparelhos.

Além dos 86 celulares, carregadores, fones de ouvido e chips, foram apreendidos mais dois aparelhos na cela do detento Paulo Cesar e outros aparelhos na sala da direção da unidade. Todo o material apreendido está sendo analisado e catalogado.

As investigações agora seguem para tentar identificar uma possível facilitação na entrada de outros aparelhos. O delegado explicou que ainda é muito cedo para fazer ligação com outras situações como é o caso dos 21 aparelhos celulares que foram encontrados dentro de uma cuba de feijão, durante o procedimento de revista aos alimentos que seriam fornecidos a reeducandos do Raio 3, no último dia 25 de maio. “É muito cedo e até leviano falar que esse caso do feijão tem ligação com os aparelhos encontrados no freezer, mas a investigação segue em andamento”, afirmou Murta.

“Trata-se de uma investigação séria que vem desde o início do ano, com acompanhamentos permanentes contra facções criminosas e acabamos nos deparando com essa situação envolvendo servidores públicos. Tivemos a infelicidade de nos depararmos com servidores nesse ato ilícito. Não foi com nenhuma satisfação que descobrimos isso e desencadeamos essa operação”, completou o delegado titular da GCCO, Flávio Stringueta.
 
Operação Assepsia

No dia 6 de junho, na Penitenciária Central do Estado (PCE), foram localizados 86 aparelhos celulares, dezenas de carregadores, chips e fones de ouvido.  Todo o  material estava acondicionado dentro da porta de um freezer, que foi deixado naquela unidade para ser entregue a um dos detentos.

Equipes da GCCO estiveram na PCE e verificaram que não havia nenhum registro de entrada ou mesmo informações acerca da entrega do referido eletrodoméstico.  Diante dos fatos e da inconsistência das informações, todos os agentes penitenciários presentes foram conduzidos até a Gerência e questionados sobre os fatos. No mesmo dia, a autoridade policial determinou a apreensão das imagens do circuito interno de monitoramente da unidade, que foram extraídas por meio da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).

Por meio dos depoimentos, da análise das imagens e conteúdo de aparelhos celulares apreendidos e ainda, da realização de diversas diligências, foi possível identificar e comprovar de maneira robusta, que três policiais militares, dentre eles um oficial de carreira, foram os responsáveis pela negociação e entrega do freezer recheado com os celulares. 
 
 

4 comentários

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  • Advogado
    19 Jun 2019 às 07:55

    Igual ao casal preso pelo mesmo GCCO, expostos na mídia, o cara soldado do exército e noivo. Depois veio a delegada do achismo e disse que eles eram inocentes, isso após duas semanas de prisão. Juízes, mais cuidado com pedidos de prisão de delegados e promotores midiáticos. Cautela!

  • Pinga
    19 Jun 2019 às 04:03

    Não compensa fazer algo mais, faz só o arroz com feijao.

  • Roberto
    18 Jun 2019 às 23:00

    Ainda acredito que esses celulares serviriam para ouvir os presos! Porém, Quem esta na chuva é para se molhar!

  • Pedro Mota
    18 Jun 2019 às 20:08

    Leitores, estes agentes públicos são mais criminosos que aqueles que seriam beneficiados com a ação. Policiais Militares são orientados e preparados para combater o crime. Agora, se comprovado a participação neste episódio, os militares deverão ser penalizados exemplarmente.

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