Olhar Direto

Terça-feira, 22 de outubro de 2019

Notícias / Cidades

Perícia em vídeo aponta que professora da UFMT que atropelou jovens em frente a Valley estava a 57 km/h

Da Redação - Wesley Santiago

19 Jun 2019 - 08:55

Foto: Reprodução

Perícia em vídeo aponta que professora da UFMT que atropelou jovens em frente a Valley estava a 57 km/h
Análise de conteúdo dos vídeos que registraram o atropelamento de três jovens em frente à boate Valley Pub, localizada na avenida Isaac Póvoas, em Cuiabá, em dezembro do ano passado, apontou que o veículo conduzido pela professora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e bióloga, Rafaela Screnci da Costa Ribeiro, era de 57 km/h (margem de erro de 6 km/h para mais ou menos).

Leia mais:
Sobrevivente de tragédia em frente à Valley fala após cinco meses: "aos poucos estou me recuperando"
 
O exame constatou que a velocidade média do veículo era de 57 km/h. Com a margem de erro, esse valor pode subir para 63 km/h ou diminuir para 51 km/h. O cálculo consiste na determinação da distância percorrida pelo veículo em um determinado intervalo temporal.
 
O resultado foi obtido com a utilização das gravações originais do incidente em conjunto com as filmagens obtidas pelos peritos com a mesma câmera de segurança que registrou o fato, para a medição do deslocamento do veículo até o momento da colisão.
 
Os dados do deslocamento foram obtidos por meio de uma régua graduada, desenvolvida com um tubo de PVC posicionado perpendicularmente, ora a cada um metro, ora a cada dois metros da pista, durante um intervalo não superior a um minuto, sendo possível a elaboração de um “gabarito de referência”, que foi sobreposto aos quadros do vídeo original do incidente.
 
A Perícia de Trânsito, realizada no local no acidente, logo após a ocorrência do fato levou em consideração os vestígios encontrados na ocasião. Como, as medições da posição do local do atropelamento e a posição de repouso das pessoas atingidas, as trajetórias dos corpos pós-colisão, e a projeção das vítimas com o impacto do veículo.
 
O resultado obtido, através do cálculo de velocidade com base nesses elementos, foi que o veículo estava a 54 km/h, com margem de erro de 4 km/h para mais ou para menos, no momento em que atingiu as vítimas.
 
O laudo pericial, realizado pela Gerência de Perícias de Áudio e Vídeo da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), foi requisitado pelo delegado Cristhian Cabral, da Delegacia Especializada em Delitos de Trânsito (Deletran), com o objetivo de analisar especificamente as imagens da ocorrência.
 
O laudo pericial evidenciou que o fator humano, relacionado aos comportamentos do condutor do veículo atropelador e das pessoas atropeladas, contribuiu para o acidente.
 
O diretor metropolitano de Criminalística, Emivan Batista de Oliveira, avalia que os resultados das perícias demonstram a autonomia entre as gerências de perícias de trânsito e de áudio e vídeo, que trabalham com base em diferentes vestígios e tecnologias. “O objetivo da perícia criminal é buscar a materialidade de um crime utilizando-se, para isso, do conhecimento científico, por meio de metodologias e técnicas adequadas para a análise de cada vestígio. No caso da perícia de trânsito, o cálculo de velocidade é realizado a partir de medições no local da ocorrência, já a perícia de áudio e vídeo, neste caso, buscou elementos e variáveis a partir de imagens, que são trabalhadas em equipamentos e softwares específicos que convergiram para o resultado final”, explicou.
 
Os laudos periciais foram anexados ao inquérito policial, dando seguimento às investigações.

A tragédia

O acidente ocorreu no dia 23 de dezembro, às 5h50 da manhã. A professora Rafaela Screnci da Costa Ribeiro, de 33 anos, atropelou Hya Girotto, Myllena Lacerda Inocêncio, de 22 anos, e Ramon Alcides, de 25 anos. Os dois últimos não resistiram aos ferimentos e morreram. Hya teve alta médica do Hospital Geral no dia 14 de janeiro. No dia do acidente, a estudante de Direito foi a terceira a ser atingida pelo veículo. Após atingi-la, o carro ainda passou duas vezes por cima dela.

IMAGENS FORTES



11 comentários

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Olhar Direto. É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Olhar Direto poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

  • Joana
    21 Jun 2019 às 16:37

    Nunca duvidei de uma só palavra da minha amiga, inúmeros absurdos foram falados sobre ela, muitos julgaram, apedrejaram e sequer esperaram o principal: a perícia! Desejo muita paz aos familiares dos envolvidos, inclusive aos familiares da minha amiga Rafaela que de certa forma foram massacrados sem qualquer direito de resposta!!! Ps. Que a justiça encontre o tal dono do carro branco, porquê o áudio da namorada dele no dia do acidente deixa claro a contribuição dada por eles em tudo que aconteceu!

  • 20 Jun 2019 às 09:44

    Meu a motorista não teve visão pois os carros que pararam na via ao lado tamparam a visão da motorista atropeladora, maior culpado é quem ficou fazendo graça na avenida e sempre imaginei que ela a motorista não estava rápida eu chutei entre 60-70km na hora da batida, Ramon era meu conhecido e lamento muito a perca mas por em cana uma mulher que estava na sua via e dentro dos limites de velocidade não é certo também, o ódio deixa vocês que culpam a motorista cegos.

  • Moacir
    19 Jun 2019 às 23:13

    Tenho 12 anos de instrutor de trânsito e sempre ensinei meus alunos que se eles dirigirem sobre efeito de álcool eles assumem a responsabilidade sobre qualquer acidente que se envolver. Estudem o CTB e fim de papo

  • Roberto A
    19 Jun 2019 às 17:55

    Caro direito penal...ele pode e deve sim ser penalizada pelo que acarretou desfilando pela rua.

  • PEPEU
    19 Jun 2019 às 15:34

    Só tenho muita muita dúvida com relação a velocidade apurada pela perícia. Fora isto, vida que segue. Pede quem morre mesmo.SEMPRE

  • Direito penal
    19 Jun 2019 às 14:43

    A sobrevivente não pode ser incriminada pq ela não obrigou, e nem pediu pros dois que morreram irem tirar ela lá da rua. Porque ambos se colocaram em risco por vontade deles...

  • manezinho
    19 Jun 2019 às 13:40

    E AI COMO QUE FICA ESSE CASO?ALGUEM VAI PRESO OU PROCESSADO....

  • Roberto A
    19 Jun 2019 às 11:24

    Concordo contigo André! Coerente com os fatos. A principal responsável pela tragédia é a sobrevivente, sem dúvida.

  • Freud explicah
    19 Jun 2019 às 11:00

    Mais um caso em que o linchamento público prévio, sem provas e cheios de ódio acaba derrotado pelo tempo e pelas provas! Estava dentro do limite de velocidade e dentro da via que lhe cabia..justiça!

  • Juca
    19 Jun 2019 às 10:51

    Velocidade normal para aquela avenida, naquele horário.