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Quarta-feira, 21 de agosto de 2019

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Barranco afirma que governo Bolsonaro monta estratégia de guerra para privatizar universidades

Da Redação - Wesley Santiago/Da Reportagem Local - Carlos Gustavo Dorilêo

18 Jul 2019 - 18:06

Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

Barranco afirma que governo Bolsonaro monta estratégia de guerra para privatizar universidades
O deputado estadual, Valdir Barranco (PT), afirmou que a equipe do presidente Jair Bolsonaro (PSL) montou uma estratégia de guerra para poder privatizar as universidades federais. A fala vem logo após o corte de energia na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), por conta de uma dívida de R$ 1,8 milhão e do ministro da Educação, Abraham Weintraub, alegar que a culpa da má administração seria da reitora Myrian Serra. O corte nos recursos das unidades seria o primeiro passo.

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“O que está acontecendo no Brasil é a construção do Estado mínimo. Ele concebe que só 35% da população merece participar do bolo do Estado. O resto vive das migalhas que caem da mesa. Para isto, é preciso negar a educação. Não pode ter universidade para filho de pobre. Se quiser, tem que pagar para estudar. Assim, vão cortando os recursos. Estratégia de guerra. Vai morrendo a educação, até o ponto de dizer que é preciso privatizar, que não funciona o sistema publico”, disse o deputado.
 
Barranco ainda saiu em defesa da reitora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) dizendo que ela não pagou a conta de energia porque não lhes deram condições de fazê-lo. “Começou no governo [Michel] Temer e continuou no do Bolsonaro, que está no segundo ou terceiro ministro. Pessoas despreparadas, que não tem vínculo com a educação”.
 
“Teve que esperar acontecer isto para dar um socorro. Trouxe prejuízo para a imagem da universidade. O hospital veterinário teve que retirar às pressas os animais que estavam internados, se não morreriam. É um ato de imensa responsabilidade. Está no roteiro deles, de desconstruir a UFMT. Me solidarizo com a reitora”, finalizou o deputado.
 
O corte no fornecimento da energia elétrica nos cinco campi que compõem a Universidade (Cuiabá, Várzea Grande, Araguaia, Rondonópolis e Sinop), além da Base de Pesquisa do Pantanal e Casa do Estudante, ocorreu por volta das 10 horas da manhã de terça-feira (16). Os alunos se desesperaram e correram contra o tempo para salvar os animais e pesquisas nos laboratórios. No entanto, no Laboratório de Biociências, por exemplo, várias espécies de peixes usadas em pesquisa morreram. Por volta das 17 horas, o fornecimento foi restabelecido.
 
O MEC, em nota, pontuou que Weintraub tomará as medidas cabíveis tanto administrativas como judiciais para a responsabilização dos envolvidos pela má gestão na UFMT. “O ministro tomou conhecimento da situação na última quinta-feira (11) quando chamou a reitora ao Ministério e autorizou o repasse de R$ 4,5 milhões para que a reitoria da UFMT, nomeada há três anos, quitasse a dívida das contas de luz com a concessionária de Mato Grosso”, diz trecho da nota.
 
No entanto, o posicionamento da UFMT diz que a liberação só ocorreu após o corte, quando imediatamente um responsável se dirigiu até à Energisa para demonstrar o pagamento da fatura pendente. Com isso, a Energisa comprometeu-se a efetuar a religação da energia elétrica, o que ocorreu no final da tarde.
 
Por meio de um vídeo, Abraham Weintraub disse que a reitora Myrian Serra havia sido indicada pela ex-presidente petista Dilma Rousseff. A professora assumiu a gestão em 2016 e deve permanecer até 2020.
 
O ministro disse ainda que ficou sabendo da dívida na semana passada, quando, segundo ele, houve a liberação de R$ 4,5 milhões. Conforme noticiado pelo Olhar Direto, no dia 5, ou seja, há duas semanas, Myrian teria se encontrado com Weintraub. O encontro, além de discutir as contas da instituição, teria como objetivo pedir dinheiro para o pagamento da energia elétrica que poderia ser cortada no mesmo dia, conforme prazo dado pela Concessionária Energisa.
 
Entenda
 
A unidade sofre com o corte de orçamento desde 2014, quando houve a redução da verba de custeio, relacionada às obras e equipamentos do câmpus. No entanto, em março deste ano, o Governo Federal anunciou o bloqueio de 30% na educação superior, que representa R$ 34 milhões para a Universidade.
 
Em entrevista ao Olhar Direto, Myrian Serra adiantou que a UFMT poderia ficar sem os serviços básicos como água e luz, caso o bloqueio não fosse revisto em até 60 dias, situação que não aconteceu.
 
Em maio, Myrian chegou a participar de uma audiência em Brasília, com o ministro da Educação, para debater os impactos do corte no orçamento universitário e outras questões referentes à pasta. Na ocasião, estiveram presente a bancada de deputados federais e senadores de Mato Grosso, além de outros representantes de instituições públicas de ensino superior do estado.
 
No dia 28 de junho, a UFMT informou que foi notificada pela empresa Energisa quanto à possibilidade de interrupção na prestação de serviços por falta de pagamento, mas que, em negociações, conseguiu o adiamento do prazo para esta sexta-feira.
 
A UFMT oferece 113 cursos de graduação, sendo 108 presenciais e cinco na modalidade a distância (EaD), em 33 cidades mato-grossenses. São cinco Campus e 28 pólos de EaD. Na pós-graduação, são 66 programas de mestrado e doutorado. A instituição atende 25.435 mil estudantes, distribuídos em todas as regiões de Mato Grosso.

20 comentários

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  • Oi?
    19 Jul 2019 às 14:35

    Utz! Desse jeito vão conseguir destruir o pouco que ainda funciona neste país.

  • Kraemer
    19 Jul 2019 às 11:35

    Esse discurso do estado mínimo é só balela. Se o estado máximo fosse sinônimo de progresso e desenvolvimento, a Venezuela seria um paraíso do bem-estar social para a população.

  • Luiz Duarte
    19 Jul 2019 às 10:13

    Deputado, vamos falar sério. Você ainda quer culpar o governo pelo não pagamento das contas de energia? Falta de gestão e mau uso dos recursos. Quatro contas são de 2008. Faça-me um favor deputado.

  • Francisco
    19 Jul 2019 às 09:02

    Acho que se levantar efetivamente o "custo x benefício" essas universidades federais já deveriam ter sido fechadas. Produzem muito pouco e o foco hoje é exclusivamente político-partidário. O número de "moleques raivosos" que deixam as federais hoje está atrapalhando o mercado de trabalho, por isso, sou favorável a UNIVERSIDADE PAGA, talvez assim eles possam dar mais valor a educação, não vejo outra saída.

  • Cidadão
    19 Jul 2019 às 08:40

    Brasil é o país mais contraditório que existe no qual a maioria da população que é pobre defende o fim da gratuidade do serviço público achando que, com isso, vai pagar menos impostos. Santa inocência...

  • Ricardo Vieira
    19 Jul 2019 às 08:36

    Ué a Reitora da UFMT estava com o dinheiro na conta e não pagou a luz pra culpar o governo Bolsonaro, isso sim é estratégia de guerra pra prejudicar alguém. Os comunas acabaram com as universidade com ideologias comunistas e desempenho baixo , agora querem culpar um governo com 200 dias de trabalho, vai enganar suas mães.

  • Véio Joaquim
    19 Jul 2019 às 08:35

    Sr BARRANCO, que EXCELENTE NOTICIA, obrigado por avisar a SOCIEDADE DE BEM....Todos nos concordamos em PRIVATIZAR TUDO, e acabar com as tetas do R$.

  • Sampaio
    19 Jul 2019 às 08:15

    E o que que o PT mas fez no seu Governo ? privatizou quase tudo e o que não conseguiu privatizar quebrou ...

  • nilton
    19 Jul 2019 às 07:28

    triste fim das Federais. O governo investe nas particulares - pagando milhares de bolsas anuais , e acaba com o ensino público superior. vamos ver se , no futuro, essa tendência será mantida nas novas eleições.

  • Fabio
    19 Jul 2019 às 06:52

    Já passou da hora de privatizar e acabar com esses cursos sem futuro, disponibilizar somente cursos que produzem.

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