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Segunda-feira, 19 de agosto de 2019

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Sindicato cita salários atrasados e UFMT pode parar a qualquer momento

Da Redação - Wesley Santiago

17 Jul 2019 - 16:58

Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

Sindicato cita salários atrasados e UFMT pode parar a qualquer momento
O coordenador geral do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-administrativos da UFMT, Fábio Ramirez, disse que os salários dos trabalhadores terceirizados da limpeza e segurança estão atrasados e que o corte da energia elétrica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) foi apenas um dos problemas pelo qual passa a instituição. Não está descartada uma paralisação da unidade a qualquer momento e novas manifestações devem acontecer.

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"As consequências do ajuste fiscal e cortes no orçamento da educação não são mais promessas, não são danos que virão no futuro, já chegaram. Além da luz cortada, os trabalhadores terceirizados da limpeza e segurança estão com seus salários atrasados e a discussão no momento é se os serviços serão mantidos. Se os cortes não forem revertidos a universidade pode parar a qualquer momento", disse o coordenador.
 
Ramirez ainda reforçou que o Sintuf, Adufmat e DCE manterão estado constante de mobilização. “No dia 13 de agosto ocorrerá manifestações em todo país contra a política educacional do governo. É preciso unificar as lutas contra a reforma da previdência, pelos direitos trabalhistas e contra os cortes na educação em um grande movimento nacional para derrotar os ataques de Bolsonaro. A unidade é a única receita vitória. Derrubamos esse Governo ou o Bolsonaro derrubará educação”.
 
Para a reitora da UFMT, Mirian Serra, o cenário já passou da fase de preocupante. "A situação hoje é mais que difícil, é trágica. Muitos alunos e professores não tem noção da gravidade do que está acontecendo. Estamos debatendo a sobrevivência da universidade. Além disso, estão colocando informações na imprensa que não são verdadeiras".
 
A reitora explicou que foi surpreendida com o corte do fornecimento de energia elétrica desta terça-feira. "Para nós foi uma surpresa este corte, amanhã tínhamos uma reunião agendada com a Energisa, e recebemos a promessa que até lá não haveria corte de energia. Fomos surpreendidos. Foi uma ação onde em uma hora a energia da instituição foi cortada em todos os campus do Estado. Mostramos a situação para o MEC, que somente aí fez a liberação do financeiro, no total da fatura, R$ 1,8 milhão".
 
A posição da reitora frente aos problemas deveria ser mais incisiva na opinião da coordenadora administrativa do Sintuf, Leia de Souza Oliveira. "A reitoria da UFMT deve partir para uma ofensiva contra as políticas de cortes adotadas pelo governo. É inadmissível a posição do MEC em colocar a gestão da UFMT como incompetente por chegar nesta situação. O MEC mentiu na imprensa dizendo que o recurso estava liberado há uma semana, sendo que ele estava apenas empenhado, a efetiva liberação de valores aconteceu ontem".
 
Leia ainda apontou a estratégia rasteira que está sendo utilizada pela união. "O Governo usou em suas redes sociais de sarcasmo ao colocar o termo magnifica entre aspas para se referir a reitora da UFMT, um tratamento preconceituoso contra uma gestora eleita democraticamente por toda a comunidade acadêmica. É inadmissível ouvir o ministro falar que vai acionar judicialmente a reitora por improbidade administrativa quando ele corta e retém os recursos".
 
O Sintuf-MT cobra que a Reitoria se posicione criticamente frente ao Governo cobrando soluções e reivindica a recomposição integral de todo dinheiro bloqueado do orçamento das universidades. Novos atos e manifestações serão realizados nos próximos dias alertando para a falência da educação pública provocada propositalmente pela União.

Entenda

O corte no fornecimento da energia elétrica nos cinco campi que compõem a Universidade (Cuiabá, Várzea Grande, Araguaia, Rondonópolis e Sinop), além da Base de Pesquisa do Pantanal e Casa do Estudante, ocorreu por volta das 10 horas da manhã de terça-feira (16). Os alunos se desesperaram e correram contra o tempo para salvar os animais e pesquisas nos laboratórios. No entanto, no Laboratório de Biociências, por exemplo, várias espécies de peixes usadas em pesquisa morreram. Por volta das 17 horas, o fornecimento foi restabelecido.

O MEC, em nota, pontuou que Weintraub tomará as medidas cabíveis tanto administrativas como judiciais para a responsabilização dos envolvidos pela má gestão na UFMT. “O ministro tomou conhecimento da situação na última quinta-feira (11) quando chamou a reitora ao Ministério e autorizou o repasse de R$ 4,5 milhões para que a reitoria da UFMT, nomeada há três anos, quitasse a dívida das contas de luz com a concessionária de Mato Grosso”, diz trecho da nota.

No entanto, o posicionamento da UFMT diz que a liberação só ocorreu após o corte, quando imediatamente um responsável se dirigiu até à Energisa para demonstrar o pagamento da fatura pendente. Com isso, a Energisa comprometeu-se a efetuar a religação da energia elétrica, o que ocorreu no final da tarde.

O ministro disse ainda que ficou sabendo da dívida na semana passada, quando, segundo ele, houve a liberação de R$ 4,5 milhões. Conforme noticiado pelo Olhar Direto, no dia cinco, ou seja, há duas semanas, Myrian teria se encontrado com Weintraub. O encontro, além de discutir as contas da instituição, teria como objetivopedir dinheiro para o pagamento da energia elétrica que poderia ser cortada no mesmo dia, conforme prazo dado pela Concessionária Energisa.
 
Entenda
 
A unidade sofre com o corte de orçamento desde 2014, quando houve a redução da verba de custeio, relacionada às obras e equipamentos do câmpus. No entanto, em março deste ano, o Governo Federal anunciou o bloqueio de 30% na educação superior, que representa R$ 34 milhões para a Universidade.
 
Em entrevista ao Olhar Direto, Myrian Serra adiantou que a UFMT poderia ficar sem os serviços básicos como água e luz, caso o bloqueio não fosse revisto em até 60 dias, situação que não aconteceu.
 
Em maio, Myrian chegou a participar de uma audiência em Brasília, com o ministro da Educação, para debater os impactos do corte no orçamento universitário e outras questões referentes à pasta. Na ocasião, estiveram presente a bancada de deputados federais e senadores de Mato Grosso, além de outros representantes de instituições públicas de ensino superior do estado.

No dia 28 de junho, a UFMT informou que foi notificada pela empresa Energisa quanto à possibilidade de interrupção na prestação de serviços por falta de pagamento, mas que, em negociações, conseguiu o adiamento do prazo para a sexta-feira daquela semana. 
 
A UFMT oferece 113 cursos de graduação, sendo 108 presenciais e cinco na modalidade a distância (EaD), em 33 cidades mato-grossenses. São cinco Campus e 28 pólos de EaD. Na pós-graduação, são 66 programas de mestrado e doutorado. A instituição atende 25.435 mil estudantes, distribuídos em todas as regiões de Mato Grosso.

12 comentários

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  • Sílvia
    18 Jul 2019 às 20:44

    O grande problema é que as pessoas começam a falar coisas sem ter o real conhecimento da situação... De fato, muitas despesas deveriam ser cortadas... Quando sai um edital de hidroginástica, natação, lutas, escolinha de futebol, etc, a UFMT cobra um preço simbólico das pessoas, sendo que para manter tudo isso (parque aquático, ginásio) tem gastos. Todos os eventos que a UFMT promove para a população em geral, tem gastos. Os eventos que acontecem em prol dos alunos, tem gastos. Quando a reitora quis aumentar o preço das refeições dos alunos de R$ 1,00 para R$ 5,00, eles fizeram greve alegando que muitos não tem condições de permanecer estudando e bancando as despesas. Hoje pagam R$ 2,50 uma refeição e a UFMT paga a diferença. Justo seria cobrar o mesmo que uma academia cobra das pessoas, receber mensalidade dos alunos que tem pais ricos ou que tem bom emprego. Eu pergunto: você estudou ou estuda em escola pública? Qual é o seu sentimento com relação ao sucateamento "da educação em geral" que vem acontecendo há anos e só está piorando no Brasil?

  • Tatiane
    18 Jul 2019 às 09:37

    O contingenciamento desse governo foi de dois meses pra cá e já causou todos esses problemas? Óbvio que não né... Isso é problema acumulado de má gestão. Além do que se os contingenciamentos dos governos anteriores foram ruins e ameaçavam as despesas das universidades, pq sera2 quem não vimos nenhum professor e aluno nas ruas cobtra os cortes anteriores????? Somente agora???? Qual a motivação??? Agora ficaram preocupados em não ter dinheiro para o básico? Antes não? Pois é... Olha aí os problemas de antes estourando agora.... Vamos pelo menos ser hobesros2 em relação a isso e parar com essa militância cega e irresponsável ...

  • alexandre
    18 Jul 2019 às 09:21

    tem que renegociar contratos, cortar despesas, e não ficar pedindo mais dinheiro..

  • alexandre
    18 Jul 2019 às 08:55

    tem que fazer auditoria e priorizar os cursos, mestrados esquisitos de esquerda devem ser reprovado os projetos...

  • Daniel
    18 Jul 2019 às 07:44

    Esse povo não entende que o contingenciamento foi no orçamento e não no financeiro. E parem de culpar esse fato, isso aconteceu a 2 meses é preciso saber administrar não tem dinheiro que se faça supressão dos contratos, parem de viajar, faça um trabalho de redução dos gastos, salas de aulas com ar ligado sem alunos, com portas abertas, refeição a R$ 2,50 no RU.

  • Edilma Figueiredo Costa
    18 Jul 2019 às 07:10

    Ir pra rua mostrar a nossa indignação a respeito dessas decisões autoritárias desse desgoverno, q só sabe fazer retrocessos, ao invés de estabilizar a economia, promover empregos, investir em educação e saúde. O foco dele é destruir o q foi construído ao longo dos anos. Incompetência é seu slogan. Não vamos aceitar isso calados, vamos lutar pela nossa Democracia, pelo nossos direitos.

  • Jorge1
    18 Jul 2019 às 07:00

    Para uma universidade pública sobreviver, no atual momento é preciso uma política interna de contenção de gastos. A energia, por exemplo, em nossa região deveria ser solar. Afinal, com 5 campus, os gastos nesse item devem ser imensos. Com os serviços terceirizados, a regra é entrar em acordo com as empresas e fazer uma Supressão nos Contratos. Pode ser um começo!

  • Raimundo
    17 Jul 2019 às 21:41

    Se não paga luz, não paga salários, o que faz com o dinheiro público?

  • Moacir
    17 Jul 2019 às 20:43

    Essa instituição é tão rica que está investindo em publicidade. Nesse site vemos pelo menos duas reportagens diárias sobre a Ufmt. Sem falar que ela é organizadora de vários concursos. E as inscrições para cursos de especializações têm preços altos.

  • Mulher ma
    17 Jul 2019 às 19:39

    Cade o repasse mensal que o mec manda todo mes? O que fazem com o dinheiro pra obrigacoes basicas pra manter ufmt? So pedem dinheiro e nao mostra o que foi gasto.

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