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Sexta-feira, 23 de agosto de 2019

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Professora compara possíveis demissões com volta da escravidão: "Se não faz o que quero, vai para o tronco"

Da Redação - José Lucas Salvani

07 Ago 2019 - 07:31

Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

Professora compara possíveis demissões com volta da escravidão:
A professora Vera de Fátima acredita que a possível demissão anunciada pelo governador Mauro Mendes (DEM) na segunda-feira (5) “é como [voltar] ao período da escravidão”. Os profissionais da educação estão em greve desde o dia 27 de maio, exigindo o cumprimento da lei complementar nº 510, pagamento da Revisão Geral Anual e melhorias estruturais nas escolas estaduais de Mato Grosso.

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"Eu vejo isso como ‘vai pro tronco'". Esse ‘vou te demitir se você não voltar a trabalhar agora’ é como na época da escravidão, onde se você não faz como eu quero, então você vai para o tronco e apanhar, que é o que está acontecendo agora”, conta a professora ao Olhar Direto, acrescentando que os servidores já sofrem por conta do corte de ponto e, em consequência, a dificuldade para se manter em meio a contas que devem ser pagas.

Professora formada diretamente do Paraná, ela é profissional efetiva em Mato Grosso desde 2000. Com mais de 20 anos atuando na área, Vera já participou de várias greves e assume que a maiora dos direitos conquistados para os professores partiram de greves feitas pela categoria porque ela não tem o seu direito reconhecido.

“Eu tenho um filho de 7 anos que estuda na mesma escola em que eu trabalho e que está fora da escola, assim como milhares de crianças no estado, pelo descaso do governador com a população do estado de Mato Grosso. Quando ele faz esse corte de ponto, ele não está atingindo somente os profissionais da educação”, conta.

Demissões

Na manhã desta segunda-feira, o governador Mauro Mendes anunciou que o seu governo estuda iniciar o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para demitir os profissionais da educação que aderiram o movimento grevista, apontado em 40% de um total de 757 unidades escolares.

“Hoje, 60% dos professores do Estado estão trabalhando. Caso permaneçam em greve, hoje  vamos conversar um pouco sobre isso. Depois de 30 dias, declarada ilegal, podemos abrir PAD e afastar professores e fazer novos chamamentos. Não queremos fazer isso, mas não posso ceder {conceder aumento} a Lei é clara”, disse em entrevista à Rádio Capital.

O presidente do Sindicato dos trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), Valdeir Pereira, todavia, afirma que o número é 48%. Quanto ao número de servidores, a porcentagem está entre 65% e 75% de um total de mais de 42 mil pessoas.

Nova proposta

Ainda na tarde de segunda, em reunião com o presidente da Assembleia Legislativa, Eduardo Botelho (DEM) e outros parlamentares, uma nova proposta foi feita pelo Executivo, anunciando ser sua última. Nela, o governo usa todo espaço fiscal aberto abaixo de 49% da receita corrente líquida para a concessão do RGA e dos aumentos salariais. 

“Fizemos tudo aquilo que podíamos. Quero deixar claro que é a última que o governo tem como fazer. Nenhuma condição além do que já falamos. Isso cria uma boa possibilidade, a partir do próximo ano, de termos RGA, algum pagamento dentro das leis de carreira que tem ganho real, mas respeitando este limite que é superior a uma lei federal, que é superior as do Estado”, comenta em vídeo divulgado pela deputada Janaína Riva (MDB).

Ao Olhar Direto, por meio de assessoria, o Sindicato informou que ainda não pode se posicionar quanto a nova proposta pois o documento ainda não foi entregue oficialmente e precisa passar por análise.

27 comentários

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  • to de olho
    07 Ago 2019 às 14:08

    vendo este comentários, vejo falta de informação e muito de cunho partidário. Gente vamos pesquisar antes de comentar, vejo muito comentário, tipo todo mundo deve gostar de verde, se não gostar ou se for contrario minha opnião é pq é de esquerda, acorda gente, e onde diz que todos devem gosta de verde, cade o livre arbítrio? Servidores tem que mandar embora sem direito a nada, desde quando servidores tem direto a alguma coisa caso seja exonerado, ou ele mesmo pedindo seu desligamento? Greve é ilegal, alguém já leu o que fala a Constituição sobre greve? Acho que nem a desembargadora leu. Quero os meus direitos, mas e os diretos dos professores que esta na Lei? O Estado esta em crise, ué, só por isso, vamos abrir mão de nossos direitos, então vamos todos, isso mesmo, todos, devolver o valor do reajuste que tivemos para ajudar o Estado, vamos pedir para aumentar as taxas e impostos, quem sabe assim o Estado sai da crise, quem vai ser o primeiro? A quem vamos reclamar, oras, quem causou todo esse problema? O governador! Alguém lembrou de fazer a reclamação a ele? Isso ta mais parecendo briga de supermercado, onde o cliente briga com o coitado do caixa por causa de preço errado, em vez de brigar com o gerente ou com o dono!

  • elipe
    07 Ago 2019 às 13:17

    Quem estão indo pro tronco, nesse contexto, são os coitados dos alunos.

  • Pedro Mota
    07 Ago 2019 às 12:52

    Grevistas, o governador não tem nada com esta situação que chegou. A culpa é da categoria que pressionou o tal LEGISLATIVO (ALMT), que politicamente, concedeu o aumento em troca de votos para reeleições. Agora, o estado de Mato grosso não tem como pagar os aumentos abusivos. Eu aconselhos os grevistas que peçam demissão, diferentemente da situação de escravos, os senhores baderneiros são livres, escolham outros trabalhos. Parabéns Goiano, virei teu admirador.

  • Pedro Mota
    07 Ago 2019 às 12:37

    Professora Vera, volte para o seu Paraná, o que está fazendo aqui em nosso Mato grosso. Aqui, o salário de sua categoria gira em torno de 5.800,00. Agora, comparar a situação de sua categoria, diante das propostas do governador com uma escravidão, é falar besteira, o que é coisa de ideologia Petistas. Peça demissão e volte para o seu estado de origem, pelo amor de Deus, deixe sua vaga para quem quer trabalhar.

  • Volta às aulas
    07 Ago 2019 às 12:37

    No começo até apoie essa greve,mas agora já passou dos limites,eu tenho uma filha tem 9 anos,na fazer de alfabetização,já tava difícil , imagine agora,por mas que tô ensinando em casa mas não e mesma coisa.Na minha época os professores ,dava aula por amor a profissão ,e a remuneração não chega ao pés de hoje em dia,e pra forma em pedagogia era muito difícil, hoje em dia tornou tudo mas fácil,e o professores de antigamente enquanto seu aluno não aprendesse não larga desse aluno, hoje em dia aprendeu , apreendeu, não aprendeu , não reprovar mesmo.hoje em dia a vida dos professores são facilitada tem internet nas escolas, pouquíssimo escrever no quadro e quando escrever e com caneta pra quadro, imagine os professores de antigamente as dificuldade.fPronto falei

  • Nunes
    07 Ago 2019 às 12:29

    Que absurdo comparar as duas situações, isso é minimizar a escravidão. A dor dos escravos é incomparável, um dano que jamais poderá ser reparado a altura.

  • Lia
    07 Ago 2019 às 12:15

    Nesses vinte anos de carreira não lembro de vera sociedade a nossa favor, agora eu lhes pergunto por que será que outras categorias não fazem greve? Ah, já sei o que irá me dizer, são responsáveis e conscientes, né? Bravo! Pior dos males alienação e a ignorância de uma sociedade! Continuem espumando ódio pela nossa categoria massacrada, em que temos que dar conta de filhos de pais que não conta dos seus! E não me venha com essa conversa , de livre arbítrio ou de que ao escolher da profissão devo suportar tudo!

  • Carlos Almeida
    07 Ago 2019 às 12:11

    Essa greve é política, garanto que 100% dos professores em greve possuem "ideologia" comunista/socialista e a maioria defende o deus lula. O fato é que não há dinheiro, o salário não só dos professores mas de todos funcionários ligados à educação de MT é muito bom quando comparado a salários de outros trabalhadores e principalmente é muito bom levando em conta o resultado que os alunos apresentam que é péssimo. Passou da hora de se rever o conceito EDUCAÇÃO/ENSINO e CONHECIMENTO, inclusive ESSE CONCEITO NA CABEÇA DOS PAIS DOS ALUNOS. A verdade dói e tenho certeza que vai chover leitores sentidos com o comentário.

  • ENSINO FRADO DEMAIS
    07 Ago 2019 às 11:49

    E AS CRIANÇAS QUE ESTÃO SENDO PREJUDICAS COM ESSE ENSINO PÉSSIMO DEVERIAM TER VERGONHA ,E NÃO VÃO CONSEGUIR VAGAS NO ENEM ,RECLAMAR PARA QUEM ??

  • Self made man
    07 Ago 2019 às 11:27

    Essa professora está desinformada e não conhece a história. É bom que ela saiba que na escravidão não existia salário e mesmo assim os escravos eram obrigados a trabalhar. Somente com a evolução do capitalismo é que isso mudou. Diferente do que é hoje. Hoje existem assalariados que jamais são escravos. Mas a lógica do capitalismo é esta: trabalhou, recebeu.

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