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Sexta-feira, 20 de setembro de 2019

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Diretor do ICV rebate Bolsonaro e diz que acusação contra ONGs é cortina de fumaça

Da Redação - Fabiana Mendes

21 Ago 2019 - 18:17

Foto: Reprodução

Diretor do ICV rebate Bolsonaro e diz que acusação contra ONGs é cortina de fumaça
“Cortina de fumaça”. É assim que o diretor executivo do Instituto Centro de Vida (ICV), Renato Farias, classifica a fala do presidente Jair Bolsonaro (PSL), ao insinuar que organizações não governamentais (ONGs) podem estar por trás de queimadas na região amazônica para “chamar atenção”. A declaração do presidente foi feita nesta quarta-feira (21), depois da suspensão de parte do repasses estrangeiros ao Fundo Amazônia, que entre outras coisas, capta doações para em ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento.

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Renato Farias é biólogo, com mestrado em Química Ambiental, doutorado em Aquicultura e pós-doutorado em Aprendizagem Institucional pela Universidade da Flórida. Morador há 40 anos da cidade de Alta Floresta (791 km de Cuiabá) e a frente da direção do ICV há dez, ele considera a fala uma 'cortina de fumaça', diante dos problemas reais enfrentados na Amazônia.  “É até difícil de comentar essa cortina de fumaça que é colocada em cima de todos os problemas reais que estão acontecendo por aqui, na Amazônia”, lamentou ao Olhar Direto

“Recursos como do Fundo Amazônia, são inclusive para trabalhar contra o fogo, estão sendo pedidos para serem devolvidos aos países de origem.  Recursos com agendas muito positivas, incluídos na própria questão do negócio. Tudo isso dá uma sinalização que a gente pode estar entrando em um cenário muito bom. Muito distante desta fala de que as ONG’s estão querendo chamar atenção. A gente trabalha justamente na preservação deste cenário, incluindo isso ao desenvolvimento local”.

O Instituto começou a atuar em Alta Floresta ainda na década de 90, momento que o número de queimadas estava elevado na região. “A gente teve um trabalho intenso aqui, tanto é que em dois anos, foram reduzidas as queimadas em mais de 90% naquele período. É uma das lutas que a gente tem e teve por muito tempo e pelo jeito vai ter que voltar a ter”.

Para ele, fala como as de Bolsonaro dão um sinal negativo e demonstram que “tudo pode”. “E quando tudo pode nessas regiões, acaba criando esse cenário que está voltando a acontecer agora. Por exemplo, as 4h30, 5h da tarde, o sol está ficando amarelo como há muitos anos não acontecia”, acrescenta.



O Brasil teve 72 mil focos de incêndio em 2019, ou seja, 80% a mais do que o ano de 2018. A metade fica na Amazônia. Conforme o presidente, o Governo precisa fazer o possível para que esse tipo de crime não aumente. Entretanto, pontuou que a gestão retirou dinheiro que seria repassado a ONG’s, o que justificaria o aumento do número de incêndios.

“O crime existe, e isso aí nós temos que fazer o possível para que esse crime não aumente, mas nós tiramos dinheiros de ONGs. Dos repasses de fora, 40% ia para ONGs. Não tem mais. Acabamos também com o repasse de dinheiro público. De forma que esse pessoal está sentindo a falta do dinheiro”, declarou

 O diretor do ICV conta que existe um grupo de pessoas trabalhando dentro da própria instituição em busca de projetos atrelados ao desenvolvimento local com uma agenda positiva. Para isso, é necessário provar que as pautas são benéficas para o território em que se trabalha.

“Um dos próprios financiadores do ICV seria também o Fundo Amazônia, como pode ser fonte internacional, como pode ser editais nacionais. É um grupo de pessoas trabalhando dentro da instituição em busca de projetos atrelados ao desenvolvimento local e a uma agenda positiva local. A sobrevivência das ONG’s entra em uma escala de concorrência de editais, doações, a partir de pautas, desde que a gente prove que essas pautas são benéficas para aquele território que a gente trabalha”, explica.

“Nosso trabalho está relacionado à agropecuária, ao agronegócio, a agricultura familiar, a municípios. Ações como essas, nessas falas relativamente implícitas, ou totalmente implícitas, acabam desviando totalmente da realidade, essa realidade que a gente encontra dia a dia aqui”, salienta. O ICV atua com programa de negócios sociais, incentivos econômicos para conservação, direitos socioambientais, na transparência ambiental, nos núcleos de Geotecnologias, administrativo e financeiro.

Os trabalhos na região de Alta Floresta começaram por volta da década de 90. Segundo Renato, moradores mais antigos da cidade lembram que na época não era possível fazer pousos e decolagens de avião no município, nos meses de julho, agosto e setembro, em decorrência da fumaça provocada pelas queimadas. 

“Atrelado a isso, tinha também a consequência na saúde das pessoas. Muita gente doente, com doenças respiratórias, muitas crianças inclusive. Essa é outra preocupação que a gente tem também. A gente volta a ficar preocupada com os efeitos destas queimadas, fumaça e o efeito que isso pode ter nas crianças”.

Na época, ao lado do Poder Municipal e o comércio local, foi possível diminuir as queimadas urbanas e rurais. “Isso atrelado a uma política publica Estadual e Federal, daquele período, os resultados foram muito bons. Os sinais deram pra ir na contramão disso”, lembra.

“Uma das agendas que a gente tem é da transparência da informação. O momento que a gente está trabalhando, se discute muito sobre corrupção ou coisas do tipo, a informação transparente, de acesso a sociedade é uma forma de também trabalhar em sanar eventuais ilegalidades”, afirma. 

Alvo do Governo Bolsonaro,  o Fundo Amazônia tem como objetivo é promover projetos para a prevenção e o combate ao desmatamento e também para a conservação e o uso sustentável das florestas na Amazônia Legal. Ele está preparado para receber doações de governos estrangeiros e empresas nacionais e está se estruturando para receber doações de instituições multilaterais, de organizações não governamentais e também de pessoas físicas. 

Bolsonaro acredita que os incêndios tem como objetivo enviar uma mensagem ao exterior. "O fogo foi tocado, pareceu, em lugares estratégicos. [Tem] imagens da Amazônia toda. Como é que pode? Nem vocês teriam condições de todos os locais estar tocando fogo para filmar e mandar para fora. Pelo que tudo indica, foi para lá o pessoal para filmar e tocaram fogo. Esse que é o meu sentimento", afirmou.
 
Apesar das diversas afirmações, ele disse que não há nenhuma investigação e que não há registro desses tipos de casos.

3 comentários

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  • nilton
    22 Ago 2019 às 09:49

    pei pei pei vamos colocar cimento naquele monte de mato e fazer do pantanal o novo tietê. Pei pei pei . alguém para esse louco do presidente.

  • Raimundo
    21 Ago 2019 às 21:56

    Passou da hora de acabar com repasses de dinheiro público para ONGs, elas que dão um jeito de sobreviverem como todo mundo faz, absurdo, por isso que não tem dinheiro que chegue neste país!

  • Crítico
    21 Ago 2019 às 20:51

    A verdade dói. PARABÉNS PRESIDENTE.

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