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Domingo, 20 de outubro de 2019

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Selma Arruda revela grito de filho de Bolsonaro em nova pressão para retirar assinatura da CPI da Lava Toga

Da Redação - Wesley Santiago

13 Set 2019 - 08:20

Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

Selma Arruda revela grito de filho de Bolsonaro em nova pressão para retirar assinatura da CPI da Lava Toga
A senadora Selma Arruda (PSL) revelou em entrevista à Folha de S. Paulo que o senador Flávio Bolsonaro (PSL/RJ) foi um dos que fez pressão para que ela retirasse sua assinatura da CPI da Lava Toga. O parlamentar teria, inclusive, gritado com ela ao telefone. Outro que estaria tentando demovê-la da ideia é o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM/AP). Na mesma reportagem, a juíza aposentada explica que, mesmo assim, continuará na base do governo.

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Confira abaixo a matéria completa da Folha de S. Paulo, assinada pelo jornalista Daniel Carvalho:

Uma das signatárias do requerimento para criar uma comissão parlamentar de inquérito para investigar integrantes do Supremo Tribunal Federal, a senadora Juíza Selma (PSL-MT) disse que foi procurada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e pelo senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL), para retirar sua assinatura e inviabilizar a CPI da Lava Toga

Em entrevista à Folha, Selma, 56, disse que Flávio chegou a gritar com ela ao telefone em ligação no último dia 21. "Eu me recuso a ouvir grito, então desliguei o telefone."

Nesta semana, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, se manifestou favoravelmente à cassação da senadora por caixa dois e abuso de poder econômico. A PGR diz que a campanha deixou de contabilizar R$ 1,232 milhão e omitiu 72,29% dos gastos. A senadora diz que está sendo acusada por algo que fez na pré-campanha. ​

Seu gabinete divulgou nota no início da semana informando que, por causa de "divergências políticas internas" e "pressão partidária pela derrubada da CPI da Lava Toga", a sra. cogitava deixar o partido. A sra. está de saída do PSL? 

Estou cogitando ainda, conversando com alguns partidos. Mas não pretendo sair da base do governo.

De onde partiu esta pressão? 

A pressão vem de todo lado. A gente sofre um bombardeio. Ontem [quarta-feira, 11], um dos senadores que assinou também relatou que está sendo pressionado. Mas, das pessoas que assinaram, a mais vulnerável sou eu porque tenho um processo na Justiça. Fico sendo sempre a mais atingida.

A sra. diz que a pressão vem de todo lado, mas na nota colocou que há divergências internas. Internamente, de onde está vindo esta pressão? 

Divergência política não é necessariamente a pressão. Vejo no PSL um partido que ainda não se estruturou como um partido. Ele não acolhe, ainda é um partido muito novo, de muita gente sem história política. Não sabe o que é se comportar num partido. Nunca tive uma pessoa do partido para me defender publicamente. Você já viu alguma declaração do presidente do partido dizendo 'a senadora Selma tem todo o nosso apoio'? Não. Eles estão, evidentemente, me ajudando, inclusive pagando meu advogado. Mas não é uma coisa que você sinta a acolhida, você sente solta.

O senador Flávio chegou a pedir à sra. que retirasse a assinatura? 

Chegou.

Como foi esta conversa? 

Não vou te contar detalhes.

Por quê? 

Porque é melhor não. Mas pediu. Davi Alcolumbre pediu também. Tenho recebido alguns recados até mais, digamos, chatos, tipo 'cuidado, você tem um processo, tira a assinatura'. Não vou tirar não. Prefiro perder o processo.

Esta relação entre seu processo e a retirada de assinatura foi feita pelo senador Flávio ou pelo presidente Davi? 

Não. O que eles argumentam é que uma CPI vai trazer instabilidade para o Brasil porque vai mexer com as instituições, com a integridade delas etc. Não acredito nisso.

Quem fez esta condicionante então? 

Pessoas do partido. É gente do partido que veio com esta conversa 'olha, você tem que se aproximar do pessoal porque aí vão te ajudar'. Deste pessoal que está alvo de CPI.

Mas não o Flávio? 

Não foi o Flávio.

O Flávio falou como colega da sra. ou como filho do presidente da República? 

Não dá para dissociar. Ele estava um pouco chateado. Alguém disse para ele que nós tínhamos assinado uma CPI que iria prejudicar ele e ele falou comigo meio chateado, num tom meio estranho. Eu me recuso a ouvir grito, então, desliguei o telefone.

Ele chegou a gritar com a sra.? 

A pessoa fala exaltada, né? E era uma coisa que não era verdade, portanto não dei atenção.

Qual o sentimento da sra. diante disso? 

Não sei se compreendo muito bem por que razão ele teria feito isso, mas acho que, talvez, mais decepcionada. Ele é uma pessoa tão agradável, tão simpática.

Depois disso houve algum contato? 

Nenhum contato.

A sra. acha que teve anuência do presidente? 

Acho que não.

O que leva a sra. a crer que não? 

Não tenho nenhum elemento para achar que sim.

Algum recado chegou depois que a sra. deixou claro que não retiraria a assinatura? 

Todo dia recebo um. Acho que o recado da Raquel Dodge foi o mais claro.

Qual a relação que a sra. estabelece? 

Em tese a procuradora-geral não teria motivos para ajudar o presidente, já que ela foi preterida na escolha para a PGR. A não ser que este parecer já estivesse pronto bem antes, quando ainda havia alguma esperança e, depois, acabou indo por descuido de alguém. Já li também uma outra posição em que alguém diz que é vingança porque ela teria sido preterida, então ela resolveu perseguir os bolsonaristas.

O quanto da sua votação a sra. atribui ao fato de ter sido candidata pelo partido de Bolsonaro? 

Uma boa parte. Só não atribuo tudo. Eu já tinha uma história, um serviço prestado para o estado. Eu era uma pessoa conhecida, as pessoas me chamavam de 'Moro de saia', me cumprimentavam, me abraçavam. Não era uma desconhecida que saiu do nada e se elegeu porque estava no partido do presidente. Ajudou? Ajudou, mas tenho meus méritos.

Que postura a sra. espera do presidente Bolsonaro diante destes últimos acontecimentos? 

Vou continuar apoiando o governo naquilo que eu tiver convicção de que é bom para o país. Quero muito que tudo dê muito certo, que a história tenha um final feliz.

Num primeiro momento parece contraditório a sra., que foi juíza, defender uma CPI para investigar o Judiciário. 

A magistratura de primeiro e segundo grau quer CPI, quer impeachment porque cansou de passar vergonha alheia. Os juízes não aguentam mais ter esta mácula na profissão.

Atacar o Supremo não coloca a democracia em risco? 

Não é atacar o Supremo. É investigar um ministro.

A sra. acredita que a democracia no país sofre algum risco hoje? 

Não. Tenho certeza absoluta que não.

Mesmo com as declarações do vereador Carlos Bolsonaro agora e do deputado Eduardo Bolsonaro lá atrás? 

Vereador, deputado, não é o presidente da República.

Mas é da família do presidente. 

Nem tudo o que a tua família fala você acredita.

O próprio presidente mistura esta relação. 

Com certeza. Mas não vejo que haja risco [à democracia].

A PGR diz que a campanha da sra. deixou de contabilizar R$ 1,232 milhão e omitiu 72,29% dos gastos. Isso aconteceu? 

Na pré-campanha, fiz alguns trabalhos. Contratei pesquisa qualitativa e uma quantitativa e um trabalho de imagem. Era um ato de pré-campanha e eu precisava ver se eu tinha viabilidade. Foi em abril. Entrou como caixa dois porque eu não prestei contas, só que ninguém presta conta do que gastou fora da campanha.

A sra. teme ser cassada por não ter atendido ao pedido de um colega de partido? 

Tenho confiança no TSE. Acho que este ranço da política de Mato Grosso não chega aqui e os ministros, principalmente esta composição que está aí agora, é muito reta.

O PSL está sendo investigado por candidaturas de laranjas. A sra. ouviu falar sobre isso durante a disputa? 

Lá [em MT], se teve, foi quieto. É muito bonito você dizer 'tem que ter cota para a mulher porque a mulher tem que participar da política'. Ela tem se ela quiser. Obrigar a ter cota é pedir para ter laranja. Até porque mulher não gosta de política. Não é uma tradição nossa ter mulheres na política. As pessoas dizem 'não, política é uma coisa muito suja para mulher, deixa homem'. Quase apanhei das mulheres aqui do Senado por causa disso. Não acredito em cota para preto, para homossexual. As pessoas têm que ser tratadas iguais. Cota, ela que afasta em vez de integrar.

A sra. não concorda que é uma maneira de reparação a grupos que sempre foram preteridos? 

A maneira de estabelecer uma reparação é tratando igual, é dando escola boa para preto, para pobre, para todo mundo. Quer ver uma coisa que acho que separa? Feminicídio. Toda mulher que morre é feminicídio. Não. Não pode ser. Por que tem ter um crime específico de feminicídio? É um homicídio como qualquer outro. Agora, matar mulher tem que ser diferente? Claro que a violência doméstica é grande. Mas por que não ataca a causa, então? Faz campanha educativa, pega esses machos e 'para de ser machista'.

RAIO-X

Selma Rosane Santos Arruda, 56, a Juíza Selma (PSL-MT), é juíza aposentada. Nascida em Camaquã (RS), ficou conhecida como "Moro de saia" e entrou na política partidária em 2018, quando disputou sua primeira eleição.

A matéria completa pode se vista AQUI.

 

14 comentários

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  • Sávia
    13 Set 2019 às 18:47

    É muito difícil lutar contra poderosos que não abrem mão de nenhum centavo dos milhares de reais que recebem todos os meses às custas do dinheiro público. Senadora Selma, não esmoreça, uma grande parcela da sociedade está com a senhora.

  • Ângelo
    13 Set 2019 às 12:34

    Vetado por conter expressões ofensivas e/ou impróprias, denúncias sem provas e/ou de cunho pessoal ou por atingir a imagem de terceiros. Queira por favor refazer seu comentário e reenviá-lo.

  • O Andarilho
    13 Set 2019 às 11:38

    Essa posição dela de ser a favor da CPI da toga, não se enganem é uma jogada política para não perder por total a opinião pública, pois ela tem pretensão de ser governadora.

  • AVANÇA MT
    13 Set 2019 às 11:20

    se ele está pedindo investigação é porque sabe quem como funciona o judiciário ,reis que nos custa bilhões

  • MARIO
    13 Set 2019 às 11:19

    Gladston , concordo com você ...tem que ter superação mesmo ..não deve ser fácil para uma mulher que tanto vestiu a camisa de Bolsonaro , fazia arminha com as mãos em cima de carro nas passeatas , hoje é esculhambada pelo filho e duas coisas que chama atenção , o pai em nenhum momento repreendeu a atitude do filho o que nos faz entender que concorda e outra , mesmo com tudo isso , com esse tratamento ela ainda vai permanecer na base do governo ..é muito falta de amor próprio....se curva aos corruptos ...

  • Josi
    13 Set 2019 às 11:16

    Será que ela virou uma bolsominion arrependida? Kkkkkkkk

  • Dj
    13 Set 2019 às 11:07

    Faz arminha com as mãos que passa....

  • Xai
    13 Set 2019 às 10:08

    O, mas reclama que só! Quando quer, fala bonito. O negócio bom mesmo é sair no jornal né? Na folha? É su-su-cesso. Por fora, bela viola por dentro...

  • CURIMBATAMT
    13 Set 2019 às 09:52

    Vetado por conter expressões ofensivas e/ou impróprias, denúncias sem provas e/ou de cunho pessoal ou por atingir a imagem de terceiros. Queira por favor refazer seu comentário e reenviá-lo.

  • Gladston
    13 Set 2019 às 09:36

    Sua missão em meio a essa multidão de abutres no senado, não será fácil senadora. Mas não desista, as pessoas de bem do Mato Grosso e do Brasil estão rezando pela sua, pela nossa vitória, frente aos cânceres políticos que hoje assolam nosso país.

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