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Quinta-feira, 14 de novembro de 2019

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Com sete mortes no EUA, cigarro eletrônico é proibido no Brasil, mas vira febre entre adolescentes

Da Redação - Fabiana Mendes

21 Set 2019 - 08:20

Foto: Reprodução

Com sete mortes no EUA, cigarro eletrônico é proibido no Brasil, mas vira febre entre adolescentes
Criado por um farmacêutico chinês em 2003, o cigarro eletrônico se tornou febre, principalmente entre os mais jovens. O que muita gente não sabe que ele é proibido no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde o dia 19 de agosto de 2009, através da RDC 46/2009. Apesar disso, é facilmente encontrado na internet em lojas físicas de Cuiabá. A indústria do tabaco tenta reverter à proibição, mesmo após cerca de 530 internações por doenças pulmonares e sete mortes confirmadas nos Estados Unidos associadas ao uso de vaporizadores com sabor. Em São Paulo, o publicitário Pedro Ivo Brito, de 29 anos, teve um quadro de pneumonia agravado, de acordo com seus médicos, por ele ser usuário de cigarro eletrônico, o vape.

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Médica pneumologista e coordenadora do programa Inspirar de combate ao tabagismo da Unimed Cuiabá, Keyla Maia, explicou ao Olhar Direto que o cigarro eletrônico tinha como objetivo inicial fornecer somente nicótica. No entanto, ele contém outras substâncias que estão sendo gradativamente identificadas como, por exemplo, o glicerol, usado principalmente na composição de produtos de higiene pessoal.

“Recentemente, foi liberado nos EUA por ter menos substâncias que o cigarro normal, com certeza tem menos substâncias, por sinal, mas justamente por essa liberação a gente pode assistir uma espécie de experiência. O que aconteceu nos EUA? Uma certa quantidade estupenda de adolescentes começaram a fazer o uso. Ele é muito atrativo. Primeiro porque ele é um dispositivo eletrônico, né?  Segundo por ser liberado, inclusive para adolescentes. O terceiro por ter vários sabores, o que facilita o uso da substância”, disse.

“O fato é que depois desse período de uso o que está acontecendo agora são internações hospitalares. Algumas delas até com intubação orotraqueal. Ele vem desenvolvendo uma grave pneumonia, diferente da usual, principalmente porque acontece em pacientes jovens. E já tem o relato de pelo menos seis [até período da entrevista] óbitos em relação a isso”, acrescenta.

A partir dessa observação,vários estudos estão sendo feitos e até mesmo a proibição é cogitada pelo Governo Americano. A manutenção ou não da proibição dos cigarros eletrônicos no Brasil, bem como os prós e contras em relação à comercialização desse tipo de produto, foram discutidos em Brasília e no Rio de Janeiro, durante audiências públicas da Anvisa dedicada exclusivamente ao assunto. 

De acordo com o especialista em regulação e vigilância sanitária da Gerência de Tabaco da Anvisa, André Luiz Silva, o processo da Agência é técnico e sempre baseado em dados científicos e análise profunda do tema, em um contexto de transparência e previsibilidade.

A Anvisa identifica esses produtos tecnicamente como dispositivos eletrônicos para fumar, mas a discussão sobre o tema envolve também o uso de outros mecanismos, como o tabaco aquecido.

Para a médica pneumologista, a indústria tenta reverter essa proibição e aponta o dispositivo como uma redução de danos nos fumantes adultos. “Mas na vida real isso não acontece. Na vida real, quem começa usar é o adolescente e, inclusive, com design, todo modernoso, eletrônico, colorido. O objetivo dele [a indústria] é que esse adolescente passe a ser um dependente químico. Os cigarros eletrônicos têm mais nicotina que o cigarro comum. São rapidamente viciantes”.

“O objetivo deles é aumentar as vendas. O Brasil, até 1988, aproximadamente, tinha quase 40% da população fumante. Hoje são 9,3%. A indústria está perdendo bilhões porque nós somos um case de sucesso no mundo na sucessão do tabaco. O Brasil é o 2º país do mundo com melhores resultados nas campanhas de saúde pública na sucessão do tabaco”, afirma.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos forneceu o primeiro resumo demográfico dos afetados: quase três quartos são homens, dois terços têm entre 18 e 34 anos e 16% têm 18 ou menos. Ainda não há muitos dados de internações no Brasil associados ao dispositivo, mas o uso por jovens e adolescentes é notório. Keyla Maia citou um caso que atendeu em seu consultório, de um adolescente levado pelo próprio pai, que não aceitava que o filho usasse o cigarro eletrônico. 

“Ele queria usar o cigarro eletrônico e o pai não concordava. Eu conversei com ele e depois pedi para o pai nos deixar sozinho. Fomos conversando e pude explicar tudo que isso que estou de falando. Pelo o que ele me falou, na visão dele de jovem, é extremamente comum hoje. Você compra na internet, vai no camelódromo, tem vários teores de nicotina. Não teve dificuldade nenhuma. Aí entra a questão de fiscalização. Enfim, o uso não tem dificuldade e a tendência é se usar cada vez mais, principalmente com essa crença de que ele não é nocivo”.

Juul

O Juul é um cigarro eletrônico com design simples, com duas partes, sendo uma bateria e um pod preenchido com e-líquido. “Ele tem uma dose fixa de nicotina de 59 miligramas. Isso é maior que qualquer maço de cigarro”, afirma a médica pneumologista.

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“o Jool é um tipo de vaper, que o vaporizador. Eles são chamados de vaper porque a indústria diz que ele não produz fumaça, produz vapor. Não vamos fumar, vão vaporizar. Só assim, junto com a nicotina, que o objetivo é criar dependência, vão outras substâncias que hoje estão sendo demonstradas serem lesivas para o pulmão. Então essa “vamos vaporizar”, é o que eles colocam como bacana para estimular o consumo”, pondera.

Entidades fazem alerta

A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia emitiu uma nota de alerta aos profissionais da área. A carta cita que os dispositivos estão sendo estudados, como vários agentes e óleos diluidores como aditivos, pesticidas, opioides, venenos, metais pesados, toxinas. O uso de vaporizadores para inalar maconha e outros canabinoides tem sido admitido também por pacientes. Também é recomendado procurar um médico em caso do surgimento de tosse, dispnéia e dor torácica.

O Conselho Federal de Medicina também alerta que os médicos que não devem recomendar o uso dos e-cigarros,seja para ajudar o fumante na tentativa de parar de fumar ou, na tentativa para reduzir o número de cigarros fumados, pois não há evidências científicas que sustentem o uso dos e-cigarros em ambas as situações.
 
 
 

4 comentários

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  • Erotides
    21 Set 2019 às 15:04

    Mas e a maconha?! Quando vão liberar de vdd pá nois fica suave sem pressão? Bjs, grata

  • Breno
    21 Set 2019 às 12:39

    Tudo que é Exagerado faz mal ..

  • Juliano Samambaia
    21 Set 2019 às 11:20

    Muita informação errada nesta matéria além de muitos erros de português! Estão colocando tudo sobre vaporizadores no mesmo barco, sendo que existem 3 tipos. Vaporizar é realmente uma redução de danos para quem era usuário de cigarros convencionais que possuem mais de 4.600 substâncias extremamente tóxicas e cancerígenas para uma que possui apenas nicotina podendo escolher usar sem nicotina. O que está matando são os usos relacionados ao THC Vitamina E, que não ficou claro na matéria além de que são os óleos caseiros feitos deliberadamente. Muito diferente do que usamos convencionalmente. Me desculpem mas muita desinformação e está nos medindo por baixo... além de que, não existe vaper passivo, ou seja, não faz mal pra quem está perto, diferente do cigarro além de uma redução de até 99% de nocividade!!!

  • Zumbi do espaço
    21 Set 2019 às 08:56

    Quem fuma essa porcaria tem que se ferrar mesmo.e outra se é proibido quem passar mal não deve ser atendido pelo SUS, tem que pagar pelo seu tratamento.

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